Mortes que não param no Alemão: isso é genocídio

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Dona Marinete, moradora do Alemão morta por bala perdida. (Créditos: Reprodução Internet)

Nossos corações amanheceram turvos e tristes nesta manhã de terça, 30. Dona Marinete, de 56 anos, é mais uma vitima da guerra insana para a qual não encontramos lógica e nem sentido algum de continuar.  Ela retornava de mais um dia exaustivo de trabalho árduo e, a poucos metros de sua casa, foi alvejada por um tiro fatal, que lhe tirou a vida de forma covarde.

No somatório de todos esses confrontos, os moradores têm sido os alvos. Temos sido ceifados sem direito à preservação das nossas vidas. A cada disparo, os projéteis encontram um corpo, e esses corpos têm sido dilacerados, levados ao óbito e deixando um rastro de dor e sofrimento.

Como diz a letra da musica do MC Calazans, essa política de pacificação se traduz em “passa e fica a dor”. A polícia falha, o Estado falha, a sociedade nos julga, o tráfico cresce a cada dia, a dor aumenta e vidas são levadas à sepultura. As famílias aqui choram todos os dias.

A morte da sra. Marinete é reflexo de algo cada vez mais preocupante. Fatos como o de ontem têm se tornado mais comuns. Poucos dias atrás, o nosso amigo Helio não sabia que poucos metros a sua frente um confronto seria deflagrado do nada, de forma instantânea, rápida. Pá-pum: mais um corpo no chão.

Alguém tem que ceder. Alguém tem que parar e pensar um pouco nas pessoas indefesas, nas crianças que vivem em pânico, em dias e dias sem aulas, sem esperança e com um futuro incerto. Alguém tem que recuar e pensar que as maiores vítimas são cada morador que não tem mais como se proteger. Não há colete nem blindagem, muito menos armas.

Estamos sendo dizimados por essa guerra insana.