Ativista do CPX disputa nesta sexta, 20, cargo na Defensoria Pública

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Alan Brum Pinheiro, do Instituto Raízes em Movimento. (Créditos: Betinho Casas Novas)

O fundador do Instituto Raízes em Movimento, do Complexo do Alemão, Alan Brum Pinheiro é um dos candidatos para o cargo de ouvidor geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro. Ele disputa a eleição, que acontece em 20 de outubro, com outros dois nomes da sociedade civil. Quase 90 grupos já declararam apoio à sua candidatura.

Militante desde 1998, Alan Brum Pinheiro é o único representante das favelas na votação. Ele está à frente do Instituto Raízes em Movimento desde 2001, é coordenador Nacional de Projetos do CIEDS, pesquisador da FioCruz e idealizador e coordenador do CEPEDOCA – Centro de Pesquisa, Documentação e Memória do Complexo do Alemão, além de também fazer mestrado em Sociologia na Uerj.

Agora, Alan quer ocupar também o cargo de ouvidor geral da Defensoria. O ouvidor recebe as questões relativas ao atendimento do órgão e possui a missão de criar mecanismos para melhorar os processos e a divulgação dos serviços prestados. Na primeira disputa, ele ficou em segundo lugar. Na eleição do dia 20, apenas 12 instituições possuem poder de voto. Apesar disso, 87 instituições e grupos das periferias e favelas já declararam apoio extra-oficialmente à sua candidatura – a Agência de Notícias das Favelas é uma destas organizações.

As principais medidas do fundador do Instituto Raízes em Movimento para um possível mandato na Defensoria Pública em 2018-2019 tratam da ampliação do acesso e da informação sobre o trabalho da Defensoria Pública, que costuma ser pouco conhecido da população pobre. Entre outras propostas, estão a realização de audiências públicas, a parceria com movimentos e organizações sociais e a realização de ações que encurtem a distância física entre o cidadão e o exercício de seus direitos.

Para Alan, é chegada a hora da favela se viver um novo espaço de disputa:

– Precisamos ultrapassar o paradigma de que os moradores de Favelas e periferias sejam representados por outros. Temos todos os pré-requisitos necessários pra representar a nós mesmos. Se é pra democratizar os espaços das instituições públicas, que seja feito verdadeiramente, com ocupação dos espaços de representação por aqueles que são integrantes dos grupos sociais usuários dos serviços ofertados.