Maré é sede do primeiro laboratório de dados em favelas

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Laboratório permanente de dados na Maré. (Créditos: Fábio Silva / ANF)

 

O primeiro laboratório de dados instalado dentro de uma favela já é realidade na Maré. Fruto de uma parceria entre o Observatório de Favelas e a Escola de Dados, o Data Labe reúne, desde o início de 2016, informações sobre favelas do Rio de Janeiro levantadas pelos próprios  moradores.

O laboratório, que tem como sede o Galpão Bela Maré, nasceu com o objetivo de ampliar o acesso e a produção de informações, além de auxiliar na construção de uma nova visão sobre os territórios populares a partir do uso de dados públicos. Cinco jovens moradores de periferias da cidade foram selecionados para responder a questões relacionadas a seus territórios a partir do uso de dados disponíveis na internet. As pesquisas abordam temas como mobilidade urbana, ingresso na universidade, causas LGBT, mortalidade materna e distribuição de oportunidades na cidade.

“A produção e a utilização de dados digitais aumentou muito nos últimos anos com a proliferação do acesso à Internet e com a grande migração de serviços e formas de interação para o ambiente on-line. Percebemos que ainda existe uma grande lacuna entre os que possuem conhecimento tecnológico para o uso desses dados e os que não os possuem”, explica Clara Sacco, uma das responsáveis pelo projeto.

A Escola de Dados fornece uma formação em jornalismo de dados para os membros do projeto, o que cria as condições necessárias para o levantamento, cruzamento e visualização de dados referentes à juventude periférica do Brasil. “É a partir da apropriação e da formação que objetivamos construir novas narrativas. O conhecimento permite que grupos mais periféricos compreendam seu contexto e busquem mudanças na direção de sociedades mais justas”, conclui Clara.

O Data Labe se prepara agora para iniciar a segunda fase: a construção de um projeto coletivo sobre a utilização de tecnologias por jovens de favelas e a influência delas em seus modos de vida. Ao fim desta etapa, o time de pesquisadores organiza uma formação intensiva, replicando os métodos para outros 15 jovens comunicadores populares.