Língua Afiada: escritoras tomam a palavra na Caixa Cultural

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A militante do movimento negro e escritora Conceição Evaristo é uma das atrações (Créditos: Joyce Fonseca)

Mulheres da literatura se reúnem na CAIXA Cultural Rio de Janeiro entre 2 a 12 de maio para o ciclo de debates Língua Afiada: escritoras tomam a palavra. A entrada é gratuita, com distribuição de senhas uma hora antes de cada debate. A ativista do movimento negro e autora Conceição Evaristo é uma das atrações.

Durante oito palestras, o projeto reafirma a força e a originalidade da literatura feminina no trato com temas atuais e polêmicos: desejo, prostituição, homossexualidade, amor, maternidade, e violência na ditadura e na cultura patriarcal. O evento abre com Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras e que faz 80 anos na semana que vem. Também estão entre as palestrantes convidadas a escritora e filósofa feminista Marcia Tiburi, a premiada autora Beatriz Bracher e a curadora Guiomar de Grammont.

Ações combativas e mitos que ligam a mulher ao desequilíbrio, pecado e perigo pautam os debates. Referenciando escritoras atuais, falecidas ou pioneiras, todos partem de temas abrangentes para discutir questões atuais: a velhice em Clarice Lispector; a sexualidade em Hilda Hilst, a política em Beatriz Bracher ou a pornografia em Adelaide Carraro estão entre os tópicos discutidos. Na única mesa sobre um escritor, que acontece no dia 03 de maio, a presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa Marta de Senna trata de Machado de Assis, cujas maiores interlocutoras eram mulheres.

Embora focado na produção nacional, o projeto inclui escritoras de outros países falantes da língua portuguesa. No dia 05 de maio, os professores eméritos Jorge Fernandes da Silveira e Laura Padilha abordam o corpo textual e o corpo sociopolítico em Portugal e na África das guerras anticolonialistas.

A também curadora Clarisse Fukelman, professora da PUC-Rio e uma das precursoras no estudo das primeiras escritoras brasileiras, considera o projeto um ato político. “Traz, do passado, escritoras libertárias, perseguidas e com escrita revolucionária, além de dar voz a nomes contemporâneos” afirma. “Ora, o espaço literário é espaço de poder. Se antes as mulheres custaram a ser reconhecidas e aceitas no meio literário, mal conseguindo lugar em livros de história da literatura, agora já se nota um avanço. Mesmo assim, estão fora do currículo universitário e mais ausentes ainda no do ensino médio. Esperamos que este projeto ajude um pouco a mudar esse quadro”, complementa Fukelman.

Serviço:
Ciclo de debates Língua Afiada: escritoras tomam a palavra
Data: 02 a 12 de maio, sempre às 18h30
Endereço: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1 (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro)
Entrada franca (Distribuição de senhas uma hora antes de cada debate)