Imersão em empreendedorismo recebe 80 moradores de periferia

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Créditos: Divulgação

O fim de semana foi de muitas ideias e inspiração para 80 empreendedores das favelas e periferias do Rio de Janeiro. O espaço de trabalho compartilhado no Impact Hub Rio, na Zona Portuária, abriu suas portas para eles e para o StartupIN Favelas, concurso de ideias empreendedoras exclusivo para moradores de favela que teve sua primeira edição carioca nos dias 29 e 30 de julho.

Oficinas e palestras fizeram parte do cronograma da imersão empreendedora StartupIN Favelas, projeto que nasceu em Lisboa. 80 jovens do Complexo do Alemão, da Penha, Santa Teresa e outras áreas do Rio de Janeiro conheceram técnicas e recursos em empreendedorismo e inovação usados por grandes instituições do mundo, como o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), e as Universidades de Harvard e Stanford.

Durante a imersão do StartupIN Favelas, grupos de discussão, depoimentos e dinâmicas fizeram com que os participantes inspirassem uns aos outros para criar novas ideias nas áreas de culinária, literatura, produção audiovisual, esporte e empreendedorismo social.

– Foi uma oportunidade única, a melhor experiência que eu já tive, porque consegui detectar o potencial do meu projeto. Para a gente, que é da favela e quer entrar nesse meio, não tem oportunidade, não tem quem ensine. Eu sempre senti falta de um espaço assim. Saí de lá realizada, me sentindo capaz de apresentar e vender o meu projeto pra qualquer pessoa, conta Nathalia D’Lira, 20, organizadora do Festival de Rap de São Gonçalo e moradora do Porto do Rosa.

A iniciativa é fundamental para solucionar um problema de muitos empreendedores periféricos: a sustentabilidade e a criação de modelos de negócio. Era o caso da estilista Juliana Henrik, fundadora do projeto Favela É Fashion, que oferece aulas teóricas e práticas de modelo e manequim no Complexo do Alemão. Desde a criação, em 2011, Juliana batalha para garantir formas sustentáveis de tocar a iniciativa, além de lidar com a já conhecida dificuldade de muitos projetos nascidos em favela conseguirem patrocínios e apoios. A imersão já influencia suas tomadas de decisão. “Eu vou levar pra vida a questão da administração (do negócio). Foi um ensinamento incrível. Agora, eu acredito que o trabalho vai andar”, afirma.

O jovem empreendedor Pedro Santos, de apenas 20 anos, também ficou satisfeito com o resultado:
– É muito caro pra gente ter esse tipo de consultoria de passo a passo. O StartupIN Favelas foi muito importante nesse sentido. Havia profissionais muito experientes, muito certos do que estavam fazendo, explica o morador de Inhaúma, que divide com um sócio as atividades de uma produtora de eventos sociais e trabalha na criação de uma empresa de consultoria de recursos humanos.