Favela Art leva crianças para Santa Teresa de Portas Abertas

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Créditos: Brendo José

O Complexo do Alemão subiu Santa Teresa no último sábado, 15. O Favela Art foi recebido pelo Beers Five Hostel House durante o Artes de Portas Abertas, evento que há 27 anos mobiliza os bares, restaurantes e hoteis e oferece diversas atrações no bairro. 14 crianças do CPX mostraram sua arte e arrecadaram fundos para o projeto, que luta para manter suas atividades.

Meninos e meninas com idades entre 5 e 11 anos levaram para o hostel as pinturas produzidas pelo Favela Art, iniciativa criada em 2014 pela artista plástica Mariluce Mariá e que realiza oficinas de arte, passeios culturais e pinturas de casas na comunidade. O convite veio de Marcele Porto, proprietária do hostel, que tem uma suíte temática que homenageia o Complexo do Alemão. As crianças conheceram o espaço, se divertiram numa sala de diversões com TV, videogame, sinuca, e depois colocaram a mão na massa com uma oficina de pintura. As muitas telas vendidas foram produzidas durante todo o dia. “Elas ficaram encantadas, porque o lugar é muito bonito”, conta Mariluce Mariá.

Além do Favela Art, o Beers Five Hostel House recebeu a exposição “Sina Nossa”, do fotodocumentarista Betinho Casas Novas, que reuniu registros dos últimos cinco anos da favela. A cerveja artesanal Complexo do Alemão, produzida pelo Bistrô R&R, da Nova Brasília, foi comercializada durante o evento – incluindo uma edição especial, cuja embalagem foi criada pelo Favela Art e que vai continuar disponível para venda no hostel.

 

Vaquinha online para um dia de paz e alegria

Para levar o Favela Art e as 14 crianças do Alemão para Santa Teresa, Marcele Porto realizou uma vaquinha online e arrecadou cerca de R$2.000,00 a partir do apoio de mais de 50 pessoas, garantindo alimentação e compra de material utilizado nao só no evento, mas no dia a dia da atividades. Para ela, o esforço valeu a pena. “Eles foram uma lição para mim. Ver a maturidade e alegria dessas crianças, que convivem diariamente com o violência, foi um aprendizado impagável”, explica.

O Favela Art segue na batalha para manter as oficinas no Alemão. O projeto está em fase de formalização e sonha agora com um espaço onde possa melhor atender os pequenos artistas, apesar da crise e da falta de investimentos das empresas em projetos na favela depois do retorno da violência. “Continuo buscando. Não vou desistir de um espaço próprio”, finaliza Mariluce.