ELACC: comunicadores de favela se reúnem em roda de conversa

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Créditos: Vitor Pastana / ELACC

Por Charles Monteiro, Rosana Roxo e Yanca Rosa

Os limites do ativismo nas periferias pautaram a roda de conversa “Comunicação, cultura e direitos humanos: a voz das favelas, comunidades e periferias da América Latina”. Sob a mediação da editora do portal da Agência de Notícias das Favelas e do Jornal A Voz da Favela Julianne Gouveia, o bate-papo aconteceu na manhã de hoje, 08, no Solar do Jambeiro, em Niterói e reuniu comunicadores de várias partes do Rio.

Gizele Martins (Jornal O Cidadão – Complexo da Maré), Vivi Salles (Poesia da Esquina – Cidade de Deus), Fábio Silva (ANF / Rolo de Filme) e Marcus Galiña (Ocupa Escola / ANF) dividiram com a plateia suas histórias pessoais e profissionais na luta pela informação. Isaac Peñaherrera (Red CVC – Equador) também foi um dos participantes da roda.

As ameaças sofridas pelos comunicadores e os riscos e restrições dessa atividade, como falta de recursos, segurança física, deslocamentos e conflitos armados, estiveram em pauta durante toda a manhã. A poetisa e socióloga Vivi Salles afirmou que “na periferia, a gente só se mobiliza através do luto, com a morte de inocentes”. Gizele Martins concordou, ressaltando que é necessário combater a criminalização da pobreza: “É preciso questionar por que o jovem negro está sendo assassinado e por que o asfaltou está aplaudindo”, disparou. Comunicador da Baixada Fluminense, Fábio Silva também lembrou da necessidade de desconstruir o discurso divulgado pelos grandes meios de comunicação através da narração da vivência dos moradores e trazer visibilidade à “história que ninguém conta”.

Ao final da roda de conversa, a plateia fez perguntas e discutiu com os participantes sobre a facilidade das redes digitais como veículo e a estratégia de reunir o material produzido pelos moradores de comunidade de forma anônima em páginas de redes sociais com o objetivo de protegê-los. Foi levantada também a necessidade de interação e articulação entre os vários núcleos de comunicação comunitária e entre as novas e antigas gerações de comunicadores, além da conservação da memória de experiências passadas bem-sucedidas.