Editorial

Unir e resistir para crescer e prosperar

Levando em conta que (1) a luta autêntica é a luta de classes, travada entre a elite e as classes populares e que, justamente por este motivo, (2) convém à elite estimular a multiplicação de grupos que lutam desarticuladamente por direitos de minorias, muitas das quais comprometidas apenas com pequenas liberdades de comportamento ou consumo, faz-se necessário somar a luta pelos direitos dos moradores de comunidades carentes a uma luta revolucionária de caráter mais amplo.

Não há dúvidas de que as antigas máximas latinas divide ut regnes ou divide et impera, isto é, dividir e conquistar, estão na base mesma desta estratégia de enfraquecimento do poder popular colocada em prática pelas classes dominantes. Afinal, evitar a mobilização e a união das massas por meio da sua divisão em inúmeros grupos desarticulados, independentes e, em muitos casos, antagônicos no jogo social, sempre foi um recurso largamente utilizado ao longo da história.

Deste modo, ainda que nosso foco seja as favelas e comunidades carentes da América Latina, nossa política editorial é bastante ampla, pois entendemos que a luta das favelas e das comunidades carentes não pode ser desvinculada da luta global contra o capitalismo. Deste modo, em nossa organização, o termo favela adquire conotações bem mais amplas do que uma mera designação pejorativa para comunidades carentes, passando a representar todo aquele que não possui os direitos básicos da cidadania ou mesmo os que se identificam e apóiam a luta internacional dos povos pelos direitos e pela cidadania.

Sendo assim, o principal objetivo da Agência de Notícias das Favelas (ANF) é democratizar a informação de modo geral, não apenas veiculando notícias das favelas para o mundo, mas sobretudo estimulando a integração e a troca de informações entre as favelas, sempre com a finalidade de melhorar, por meio da formação de uma ampla frente popular, a qualidade de vida do povo, pois acreditamos que um mundo melhor é possível.