É possível pensar a mobilidade (não só urbana) a partir da favela

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A equipe vencedora do desafio. (Créditos: André Fernandes / ANF)

Para quem não conhece ou nunca ouviu falar, a Campus Party é a maior experiência tecnológica do mundo nas áreas de inovação, criatividade, ciência, empreendedorismo e entretenimento digital, com eventos espalhados pelas maiores capitais do planeta. Isto também se conecta a um conceito de mobilidade que não se restringe apenas à locomoção, como sempre costumamos associar. A mobilidade está em todos os lugares.

Neste fim de semana, com a primeira edição em Belo Horizonte, a Fiat Chrysler Automobiles – FCA convidou os “campuseiros” empreendedores para empregar seu espírito inovador em soluções que ampliem a mobilidade e o acesso a oportunidades que estão – ou deveriam estar – tanto no asfalto quanto na favela, como trabalho, educação, saúde, lazer, socialização, arte, cultura e consumo.

Com o apoio de 22 mentores (entre eles, profissionais das empresas do grupo FCA, de parceiros do projeto Futuro das Cidades e empreendedores sociais), um grupo de 47 pessoas se dividiram em 18 times e pensaram juntas em possibilidades para suprir necessidades e reinventar as demandas já atendidas. Para ajudar a cocriar essas soluções, a organização do Desafio levou os integrantes para uma manhã de imersão no Alto Vera Cruz, conhecida periferia de Belo Horizonte. Alguns dos “campuseiros” nunca tinham entrado em uma favela.

 

Equipes elaboram seus projetos. (Créditos: André Fernandes / ANF)
Equipes elaboram seus projetos. (Créditos: André Fernandes / ANF)

 

Durante toda a tarde, até 19h30, os grupos quebraram a cabeça para criarem soluções e, após esse horário, todos tiveram quatro minutos para explicar suas ideias a sete jurados. Surgiu muita coisa boa. Em cada time, havia sempre um morador de favela, o que tornou a disputa bem acirrada, pois cada um tinha uma visão de uma real necessidade.

Os prêmios para o terceiro, segundo e primeiro colocado eram, respectivamente, uma bicicleta, um triciclo e R$10 mil. O mais interessante é que tanto a bicicleta quanto o triciclo são fabricados por empresas do grupo FCA.

Entre tantas boas ideias e soluções apresentadas, a vencedora foi o aplicativo “Rola Trampo”, que se dispõe a conectar profissionais a pessoas que precisam contratar serviços. Os trabalhadores, por sua vez, são indicados para a plataforma através de lideranças comunitárias, que recebem uma pontuação por cada serviço prestado. Um dos integrantes do grupo vencedor, Carlos Eduardo dos Anjos, é uma conhecida liderança mobilizadora nas favelas de BH. Ele é o responsável pela Lá da Favelinha, situada no Aglomerado da Serra.

Esta foi a primeira vez que uma empresa automotiva pensou mobilidade a partir da favela e com seus moradores. Como não poderia ser diferente, a Agência de Notícias das Favelas acompanhou e está compartilhando essa experiência em primeira mão.

 

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Visita à favela Alto do Vera Cruz. (Créditos: André Fernandes / ANF)