É hora de dar o fora

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Créditos: Reprodução Internet

Ontem, quarta-feira, 17 de maio, acordei pessimista. No dia anterior, lembramos o aniversário de um ano do início do Ocupa MinC, nossa ocupação de resistência ao golpe que foi tão potente e forte, mas insuficiente para impedir a ascensão dos gângsters.

Postei, desiludido, a seguinte reflexão na rede social: “o pior ja passou… agora vem o pior ainda”. Desencavei essa frase nem tão antiga, postada outrora, filha também dos mesmos tempos sombrios, mas que novamente veio a calhar.

Passei a manhã e início da tarde na rua, em missões variadas. Em casa, mergulhei no computador para trabalhar, desconectado da rede. Em alguma pausa, abri o Face e ele ficou lá, numa janela oculta. Apitam notificações. Vou ver do que se trata. Uma amiga nervosa, perguntando por que ainda não me pronunciei sobre o mais recente escândalo. “Nem tô sabendo”, falei. Ela me sintetizou tudo em três frases curtas enquanto o telefone tocava. Era o colega de ANF e produtor Julinho Barroso, excitado, ansioso, eufórico, pasmo:
– O Temer vai cair! Agora o golpista cai!

Que estranho regime o nosso. Uma espécie de fascismo rocambolesco. Quem não tem lei caça com Joesley. Então, o frigorífico vai conseguir o que a quentura popular das ruas não conseguiu. Aécio é matador, mas Joesley é matadouro!

Todo golpista será castigado. E todas as palmas para a mulher maravilhosa que ostentou o cartaz “Eu votei na Dilma” em pleno “Jornal Nacional”!

“Há algo de podre no reino e na mídia da Dinamarca”, diria um Shakespeare ressuscitado. E você, que nunca entendeu o conceito do “Eterno Retorno” de Nietzsche, observa-se gritando “Diretas Já!”.

A Justiça eu não sei, mas a JBS é cega? Já não estava tudo dito no áudio do Jucá. Agora, temos o áudio do próprio Temer. E temos até áudio do Aécio. Por isso permitam-me apresentar-vos um ao outro: Moro, prova. Prova, Moro. Se todos fossem como o Cunha, não haveria literatura. Imagina geral anunciando livro só pra vender silêncio!

Deliro manchetes imaginárias: “Michel Temer acusa Tom Cavalcanti de imitar sua voz! Sergio Moro acolhe denuncia e convoca o humorista!”.

STF (Sim Temos Frigorífico). Esse funciona! Mataram! Assassinaram até ministro! Mas não teve jeito. Golpista que derruba golpista tem 100 anos de “Sensacionalista” .Tá grampeado! Perdeu! Vamos reinventar essa República Bagaceira!

Afinal, até “House of Cards” ficou meio “Malhação” agora.

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Dramaturgo, diretor teatral, ator, educador e ativista cultural. Escreveu e dirigiu o espetáculo "Mundo Grampeado - Uma ópera tecno-tosca" entre outras produções da Cia Monte de Gente, fundada em 2006. Participa ativamente do movimento Reage Artista e foi um dos articuladores do Ocupa Lapa. Coordena, desde 2015, o projeto Ocupa Escola, que atua em 25 escolas municipais do Rio de Janeiro levantando a bandeira "Toda escola é um centro cultural". É também idealizador do Facedrama, ferramenta de dramaturgia coletiva online. É autor das peças "Entregue seu coração no Recuo da Bateria", "Um de Nós - A Saga quase olímpica de um judoca iraniano" e do musical infantil "Aninha contra o Feiticeiro de Lixoxxx"