É a ótica do povo, Moro

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O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato. (Créditos: Reprodução Internet)

Todo foco da grande mídia no ex-presidente Lula,  enquanto Temer governa ao lado de Jucá, Padilha, Moreira e outros flagrados em perigosas ligações. Governam! Mandam na República, esses flagrados golpistas. Mas o foco é no tal suposto apartamento do ex. E o Jornal Nacional ainda promete dois dias com esta grande pauta! Alô, manipuladores, vocês estão perdendo a linha.

Que ridícula nossa grande mídia! Que patético nosso judiciário! Que dois grandíssimos canalhas! Quero voltar pra NetFlix… porque a MoroFlix tá sofrível.

É Pinter! É Beckett! É Kafka! É Brecht! Esse depoimento é pós-dramático. O duelo de ontem foi como ver Fernanda Montenegro x Cigano Igor.

“- Por que tava escrito ‘Praia’ na caixa?”: eis a pergunta do Excelentíssimo Senhor Procurador da República… Ou foi do juiz mesmo, não sei. Fico confuso com estas vozes cujos rostos não aparecem no vídeo.

É a ridicularização da Justiça: a República Caricata de KKKuritiba e a desMorolização do Judiciário. Quantos anos demora para saber se uma pessoa é proprietária de um apartamento? Uma sequência tão longa e ininterrupta de perguntas descabidas pode ser caracterizada como tortura! Do que a pessoa é capaz para curtir um período de cinco horas com o Lula?

Houve uma hora do depoimento que eu jurei que o Moro iria arrancar a máscara e a nação, estupefata, daria de cara com o Diogo Mainardi. Moro é pato, lógico. É uma espécie de Batman que alguns Bruce Wayne com alma de Pinguim terceirizaram. Não sei se ficou confuso, mas acho que é por aí.

O Brasil parece um pouco a Cidade Alta: os agentes do Estado favorecem uma facção e prendem membros da outra. Odiar o Lula é odiar o Brasil. É um ódio seletivo e classista em um país com uma multidão de bandidos eleitos – bandidos estes que jamais geraram tanto ódio, que jamais deixaram nossa grande mídia tão obcecada e monotemática, que jamais fizeram STF ou MP moverem uma palha.

A política precisa se reinventar. A esquerda precisa se reinventar. É urgente ir além do passado. Os erros foram imensos. Ninguém está fechando os olhos a isso, mas a manipulação jurídico-midiática está, de fato, difícil de engolir.

Se Lula for eleito novamente – olha que interessante! -, ao fim do mandato, se tornará um “triplex-presidente”. Quem sabe é o desejo recôndito de seus detratores. Talvez, Sigmund Freud explique muito mais que Karl Marx. Embora o humorista Groucho Marx seja, de fato, o tipo de intelectual mais habilitado a compreender este país.

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Dramaturgo, diretor teatral, ator, educador e ativista cultural. Escreveu e dirigiu o espetáculo "Mundo Grampeado - Uma ópera tecno-tosca" entre outras produções da Cia Monte de Gente, fundada em 2006. Participa ativamente do movimento Reage Artista e foi um dos articuladores do Ocupa Lapa. É também idealizador do Facedrama, ferramenta de dramaturgia coletiva online. É autor das peças "Entregue seu coração no Recuo da Bateria", "Um de Nós - A Saga quase olímpica de um judoca iraniano" e do musical infantil "Aninha contra o Feiticeiro de Lixoxxx"