Documentário sobre funk abre encontro de comunicação comunitária

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Rômulo Costa, fundador da Furacão 2000, também está no documentário (Créditos: Divulgação)

O primeiro dia do I Encontro Latino-americano de Comunicação Comunitária (ELACC), que começa em Niterói nesta quinta-feira, 06, conta com uma importante atividade durante o evento de abertura: a exibição do documentário Eu só quero é ser feliz – uma breve história do funk carioca, no Cine Arte UFF.

Dirigido pelo diretor e fundador da Agência de Notícias das Favelas André Fernandes, com roteiro de Marcos Barreira e edição de Patrick Granja, o documentário faz um breve panorama da trajetória do gênero musical do final da década de 1980 até os anos 1990, quando o funk buscou uma conexão mais social por meio de suas letras, danças e bailes, a partir do surgimento das duplas de MCs. Essa foi também a época em que os bailes saem dos clubes e vão para as favelas, muitas vezes proibidos por questões de brigas e pela violência dos bailes de corredor.

Este cenário do funk carioca é ilustrado por meio de depoimentos dos MCs Galo, Geleia, Leonardo, Amaro, Cidinho e Doca, DJ Malboro, GrandMaster Rafael, Reginaldo da CurtiSom Rio, Adriana Facina e Rômulo Costa, que estão entre os entrevistados desta produção de 26 minutos.

– É um filme em que a gente conta a história de um movimento que é muito potente dentro das favelas, no Brasil inteiro, na realidade, e que pode se comunicar muito bem com a população. Por isso, normalmente, as elites, aqueles que não compreendem o que é o funk, querem proibir esse movimento, que conta a história dos moradores que vivem as realidades dentro de suas próprias favelas, explica André Fernandes. – Muito do que a gente tem hoje em dia, é bem diferente do que a gente tinha no passado, mas esse filme serve como um documento histórico com todos os personagens que a gente colocou, completa.

Eu só quero é ser feliz – uma breve história do funk carioca foi produzido em parceria com a ANF Produções, Approach Comunicação e AND Produções com recursos do Edital do Funk da Secretaria de Estado de Cultura.

 

 

Funk pode ser criminalizado no Senado

A exibição do filme acontece em um momento de grande discussão sobre uma proposta que foi levada ao Senado Federal e criminaliza o funk. Um internauta de São Paulo apresentou, por meio do portal e-Cidadania, uma sugestão legislativa (17/2017) que solicita a classificação do funk como crime e já recebeu apoio de mais de 20 mil pessoas.

Na opinião do diretor do filme, essa proposta seria uma forma de silenciar uma população que já é vulnerável.

– A gente vive tantas dificuldades dentro das favelas, com as pessoas morrendo, sendo assassinadas e o Estado agindo dessa maneira, diminuindo cada vez mais o investimento em cultura, tanto a nível nacional, estadual e municipal, é uma forma também de violar os direitos humanos. É uma maneira de calar a população. O Estado deveria proporcionar a cultura, que pode, inclusive, acabar com essa violência que a gente vive, sugere.

Uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, ainda sem data marcada, deve debater o assunto em breve.