Dia Nacional do Samba: a resistência da cultura popular

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Trem do Samba. (Créditos: Reprodução Internet)

No dia 02 de dezembro, foi comemorado o Dia Nacional do Samba, data aprovada como Lei Estadual da Guanabara, em 1964, que hoje compreende o município do Rio de Janeiro. Embora não seja oficialmente (em termos jurídicos) um dia nacional dedicado ao gênero musical, tornou-se uma comemoração anual, especialmente no Rio de Janeiro e em alguns lugares na Bahia, como Salvador.

No município do Rio, foi criado o Trem do Samba, evento idealizado por Marquinhos de Oswaldo Cruz que já se tornou um patrimônio da cultura carioca. Todo ano, saem trens da Central do Brasil com destino à Oswaldo Cruz e, em cada vagão, há um grupo de samba – inscrito previamente. A viagem flui com muito samba, alegria e diversão.

Em 2017, ocorreu a 22ª edição do Trem do Samba – para a felicidade do carioca, pois até 30 de novembro não havia muita certeza da programação e dos acontecimentos desse tão esperado evento. Por quê? Entre outros motivos, porque o atual prefeito Marcelo Crivella alegou que a Prefeitura não tinha recursos financeiros disponíveis para a sua realização.

Sabemos que o Estado e o município do Rio de Janeiro estão passando por diversos problemas financeiros. Não podemos negar. Mas me parece que há uma confluência de fatores que leva o prefeito – chamado por uns e outros de bispo – a não respeitar o samba como manifestação da cultura popular.

Lembremos dos cortes para o carnaval de 2018, sob a alegação de evitar gastos, quando, na verdade, o carnaval gera muito dinheiro ao Rio de Janeiro, seja no setor de hotelaria, comércio, turismo etc. Nem os ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial estão garantidos. Parece que o objetivo do prefeito não é fazer com que o carioca se divirta, tampouco possa “fazer uma grana” a mais nos dias do carnaval.

Outros tristes episódios frequentes são os casos de violência contra as rodas de samba ocorridas nas praças e locais públicos. O argumento é o excesso de violência que essas atividades causam, quando, na verdade, sabemos também que o efeito é o oposto. Quem frequenta as rodas de samba da cidade sabe que as pessoas vão ali para socializar e se divertir. Não foram poucas as vezes este ano que a Polícia Militar e a Guarda Municipal impediram uma roda. Sabem muito bem disso os organizadores da Roda de Samba PedeTeresa, que ocorre quase todas as sextas-feiras na Praça Tiradentes.

O que podemos observar é que há uma política de invisibilizar e não viabilizar as manifestações culturais oriundas da população negra. Mas queremos avisar a todos os racistas de plantão que estamos atentos e vamos reagir a todas as ofensivas contra nós e a nossa cultura. Já tentaram outras vezes acabar com a gente e não deu certo.

Assim, continuaremos a lutar pelo carnaval, as rodas e o trem do samba. É importante dizer que estamos na linha de frente de batalhas outras, sim, pois lutamos diariamente para estarmos vivos. Mas o samba é a nossa cultura, e ninguém vive sem ela. Se nos enterrarem, novamente vão descobrir que somos sementes.