Desde que o samba é samba: dez nomes importantes para o gênero

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Cartola e Nelson Cavaquinho, as tristes e belas vozes do samba. (Créditos: Reprodução internet)

No dia 02 de dezembro, o Brasil comemora o Dia Nacional do Samba. Inicialmente celebrada apenas em Salvador, a data que homenageia a chegada de Ary Barroso à Bahia pela primeira vez foi gradativamente ganhando espaço no calendário nacional. Em 2016, a festa ganha um toque especial no 100º aniversário do gênero que é a marca do Brasil.

A música que inaugurou o samba, “Pelo Telefone”, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, foi gravada em 27 de novembro de 1916. Historicamente reprimido, o gênero sofreu com perseguições do Estado. No Rio de Janeiro, como uma forma de fugir da repressão, os sambistas se encontravam na estação de trem da Central do Brasil e promoviam animadas rodas de samba, fundando o Pagode do Trem – que hoje faz parte do calendário oficial da cidade sob o nome de Trem do Samba.

As primeiras décadas do século XX foram marcadas pela intensa produção cultural do gênero. Com o nascimento do rádio no início dos anos 1930, ele passa a se consolidar como um ritmo nacional, protagonizado por nomes como Almirante, Noel Rosa e Ary Barroso. Embora os autores cariocas tenham ajudado bastante na difusão da música, artistas de outros estados, como o paulistano Adoniran Barbosa, foram importantes também na construção do samba como uma linguagem não apenas artística, mas crítica aos preconceitos e politicamente engajada. Letras como “O Trem das Onze” e “Saudosa Maloca” são verdadeiras crônicas do trabalhador urbano de São Paulo.

Internacionalmente, o samba ganhou notoriedade pelas interpretações cinematográficas da Carmen Miranda, que imortalizou o hit “O que É que a Baiana Tem?”, de Dorival Caymmi. Em meio a tudo isso, as escolas de samba ganharam força na cultura do subúrbio do Rio e transformaram o gênero em sinônimo de Carnaval.

Com o passar das décadas, o samba vem se reinventando e, embora esteja bem vivo, possui herdeiros da bossa nova ao pagode. Ele chega ao século XXI como um símbolo de resistência cultural na música de matriz africana e merece ser celebrado.