Cidade do tiro

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Créditos: Fernando Frazão / Agência Brasil

Hoje era para ser mais um dia de festa na cidade. Mas esqueceram de avisar aos traficantes. No dia de hoje, acontecem vários conflitos armados no Rio de Janeiro: Maré, São Carlos, Santa Marta, Nogueira e, claro, na Rocinha.

Há mais de dez anos, o então governador Sergio Cabral apresentava seu projeto mirabolante para resolver de vez o problema da violência no Estado. Quando a primeira UPP foi instalada, alguns especialistas em segurança e sociologia louvaram a iniciativa do governo e chegaram a declarar que, pela primeira vez, o carioca podia comemorar pois viveria numa cidade tranquila.

Outros estudiosos alertavam que só a presença policial militar nessas áreas não seriam suficientes para mudar a realidade de centenas de milhares de moradores de favelas. Era preciso investir nas áreas de saneamento, saúde, educação, cultura e cidadania. Nada disso foi levado em consideração.

Nos primeiros anos, até que conseguiram diminuir a violência em favelas ocupadas. Mas todos sabem que existiu um acordo tácito entre traficantes e policiais para diminuir a ostentação de armas de fogo de grosso calibre. A cada dia, ficava mais claro que o projeto das UPPs tinha o objetivo de dar uma sensação de segurança aos moradores do asfalto e aos turistas que viriam ao Rio para a Copa da Mundo e os Jogos Olímpicos.

Passado o eldorado, hoje vivemos a mesma percepção de violência de níveis pré UPP. A PM nunca matou tanto e também nunca perdeu tantos militares assassinados. Hoje, várias comunidades da cidade, inclusive ocupadas, vivem conflitos armados entre traficantes, policiais e milicianos.

 A pergunta que não quer calar: até quando?