Choque de ordem remove comércio informal no Alemão

961
Comerciantes alegam não ter outra fonte de renda. (Créditos: Mariluce Mariá / ANF)

Uma ação de remoção da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP), realizada a pedido da Unidade de Polícia Pacificadora, causou tumulto na manhã desta segunda-feira (05) no Complexo do Alemão. Ambulantes da área alegam não ter outra fonte de renda e reclamam que não foram avisados com antecedência.

O processo de remoção de 20 barraquinhas e trailers de madeira e ferro não-autorizados começou por volta das 9h da manhã na Rua Joaquim de Queiroz, uma das vias principais do Alemão. A ação revoltou quem vive na região. “Isso é uma covardia da Prefeitura. Os camelôs querem apenas trabalhar”, opinou um morador, que preferiu não se identificar. Com a proximidade das festas de fim de ano, a comerciante informal Vika, que teve sua loja removida, está preocupada:

– Eu vivo disso, é de onde eu tiro minha renda. Estou doente e não posso ficar sem essa fonte. Que governo é esse? Lá em casa, estamos todos sem emprego e sem receber os nossos auxílios (sociais). A gente quer ajuda, relata a vendedora, que é dona de casa e é responsável pelos cuidados com o neto.

De acordo com a SEOP, o objetivo foi liberar as calçadas ocupadas com construções irregulares. Não há previsão de novas ações.

 

Moradora morta em conflito

Nesta mesma tarde, um intenso tiroteio entre policiais e traficantes resultou na morte de Nirza de Paula Rocha, de 51 anos. Nirza era conhecida na comunidade como Tia Neném. Ela estava dentro de casa quando foi atingida por um tiro na cabeça. A moradora chegou a ser levada às pressas para o Posto de Atendimento Médico (PAM) de Del Castilho, na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos.

Em nota, a assessoria de imprensa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) informou que o confronto começou durante uma operação da Secretaria Municipal de Ordem Pública na Rua Joaquim de Queiroz e que em seguida a base da UPP Fazendinha foi atacada por criminosos armados. O policiamento foi reforçado por PMs do 16º BPM e do Grupamento Aeromóvel (GAM). A UPP explica que o uso do blindado, visto andando pelas ruas do Alemão, se deu “por conta do ataque à base da UPP Fazendinha, em um ponto distante do local onde ocorreram as ações de ordem pública”.