Archive for the ‘Opinião’ Category

CORTINA DE FUMAÇA NO CIRCO VOADOR. VOCÊ NÃO PODE PERDER!

terça-feira, maio 31st, 2011

CORTINA DE FUMAÇA
Exibição do filme + Debate

Serviço:
QUINTA
, dia 02 de Junho 2011
Abertura dos portões: 18h

ENTRADA FRANCA
envie seu nome para cortinadefumaca@circovoador.com.br
Classificação: 18 anos (12 a 17 anos somente acompanhados dos pais).


O Circo Voador, em parceria com a organização B.O.C.A (Brigada Organizada da Cultura Ativista) e o movimento Coletivo Projects, abre suas portas para o grande público assistir um filme essencial e debater sobre a atual política de drogas, no Brasil e no mundo. Um evento inédito e multicultural! Bate-papo após a projeção com Marcelo Yuka, Orlando Zaccone, Pedro Abramovay, João Menezes e Carlos Minc. O som fica a cargo do DJ Flict, que produziu a trilha sonora do filme.

 

Programação:

19h: Exibição do filme CORTINA DE FUMAÇA com a presença do diretor Rodrigo Mac Niven

20h30: Marcelo Yuka comanda BATE-PAPO com:
- Orlando Zaccone: Delegado de Policia Civil RJ
- Pedro Abramovay: Professor FGV Direito Rio
- João Menezes: Neurocientista e professor da UFRJ
- Carlos Minc: Deputado Estadual RJ

22h: DJ/Produtor FLICT: chill-out

Realização:

 

Sinopse:

O filme “Cortina de Fumaça” coloca em discussão a política de drogas vigente no mundo, dando atenção às suas conseqüências político-sociais em países como o Brasil e em particular na cidade do Rio de Janeiro.

Através de entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis, o jornalista Rodrigo Mac Niven traz uma nova visão neste início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista.
Um documentário sobre um tema polêmico que precisa ser discutido de forma honesta.

Release:

“Cortina de Fumaça” coloca em discussão a política de drogas vigente no mundo, dando atenção às suas conseqüências político-sociais em países como o Brasil e em particular na cidade do Rio de Janeiro.

Através de entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis, o jornalista Rodrigo Mac Niven traz uma nova visão neste início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista.
O documentário é um projeto independente movido pela vontade de colaborar na construção de uma sociedade mais equilibrada e alinhada com os princípios de liberdade, diversidade e tolerância.

Um documentário ousado sobre um tema polêmico que interessa a todos; a política de drogas no Brasil e no mundo, baseada na proibição de determinadas práticas relacionadas a algumas substâncias, precisa ser repensada porque muitas de suas conseqüências diretas, como a violência e a corrupção, atingiram níveis inaceitáveis.

“O modelo atual de política de repressão às drogas está firmemente arraigado em preconceitos, temores e visões ideológicas. O tema se transformou em um tabu que inibe o debate público por sua identificação com o crime, bloqueia a informação e confina os consumidores de drogas em círculos fechados, onde se tornam ainda mais vulneráveis à ação do crime organizado”.
Relatório da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia (2009)

O documentário de 88 minutos foi gravado na Inglaterra, Espanha, Holanda, Suíça, Argentina, Brasil e Estados Unidos; o diretor visitou feiras e congressos internacionais, hospitais, prisões e instituições para conversar com médicos, neurocientistas, psiquiatras, policiais, advogados, juízes de direito, pesquisadores e representantes de movimentos civis. Dentre os 34 entrevistados, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o Ministro da Suprema Corte da Argentina, Raúl Zaffaroni; o ensaísta e filósofo espanhol autor do tratado “Historia General de Las Drogas”, Antonio Escohotado.

O filme fala sobre a relação entre o homem e as substâncias psicoativas; revela a discordância entre a atual classificação das drogas e o conhecimento científico sobre elas; discute a situação particular da Cannabis e seu uso medicinal e levanta a discussão sobre a atual política proibicionista de drogas.

Quem são os entrevistados

Alexandre Dumans: advogado criminalista e mestre em direito penal pela UFRJ.

Amanda Fielding: fundadora e presidente da fundação Beckley. 
www.beckleyfoundation.org

Antonio Escohotado: filósofo espanhol e professor da Universidade de Madrid, autor do livro “Historia General de Las Drogas”, considerado o maior tratado já feito sobre o assunto.

Carlini: médico, trabalha no CEBRID, Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, além de ser professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Cristiano Ávila Maronna: advogado, mestre e doutor em direito penal pela Faculdade de Direito da USP e diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). www.ibccrim.org.br

Dartiu Xavier: psiquiatra, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, coordenador do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) e membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.

David Nutt: psiquiatra britânico e psicofarmacologista, professor de psicofarmacologia na Universidade de Bristol (Inglaterra).

Denis Russo: jornalista e escritor. Trabalhou como diretor de redação da revista Superinteressante e esteve à frente de projetos especiais da editora Abril.

Diogo Costa: cientista político, formado em Direito, mestre em Ciência Política pela Universidade de Columbia, editor do OrdemLivre./Atlas Foundation. www.ordemlivre.org

Ethan Nadelmann: fundador e diretor executivo da Drug Policy Alliance, a mais influente organização americana de oposição à chamada “Guerra às drogas”. http://www.drugpolicy.org/homepage.cfm

Eugênio Raúl Zaffaroni: Ministro da Suprema Corte da Argentina, professor titular e diretor do departamento de Direito Penal e Criminologia na Universidade de Buenos Aires.

Fernando Gabeira: escritor, jornalista.

Fernando Henrique Cardoso: sociólogo, cientista político e ex-presidente do Brasil.

Henrique Carneiro: Professor Doutor do Departamento de História da USP e Fundador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip).
www.neip.info

Jack Cole: diretor da LEAP (Law Enforcement Against Prohibition) e ex-agente infiltrado de narcóticos durante quatorze anos na polícia estadual de New Jersey.
www.leap.cc

Jorge Cervantes: autor de mais de 25 livros sobre a maconha e do livro mais completo sobre o cultivo da planta, que foi publicado originalmente em 1983, quando imediatamente se tornou um best-seller. Foram traduzidas mais de 500 mil cópias em holandês, inglês, francês, alemão e espanhol. http://www.marijuanagrowing.com

Jorge da Silva: professor da UERJ, ex-Chefe do Estado Maior Geral do Rio de Janeiro.
www.jorgedasilva.com.br

Luciana Boiteux: Professora Adjunta de Direito Penal na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e coordenadora, em 2009, da pesquisa “Tráfico e Constituição: um estudo sobre a atuação da Justiça Criminal do Rio de Janeiro e do Distrito Federal no crime de tráfico de drogas”.

Marco Renda: edior-chefe da revista canadense Treating Yourself- The Alternative Medicine Journal.
www.treatingyourself.com

Maria Lucia Karam: ex-defensora pública, juíza de Direito aposentada pelo Estado do Rio de Janeiro.

Maurides de Melo: advogado, presidente da Comissão de Política Nacional de Drogas do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais).
www.ibccrim.org.br

Mike Trace: diretor do IDPC (International Drug Policy Consortium), ex-membro das Comissões Técnicas das Nações Unidas sobre a questão das drogas. www.idpc.net/

Nilo Batista: advogado criminalista, professor do quadro permanente do Programa de Mestrado em Direito da Universidade Cândido Mendes, professor titular de Direito Penal na UERJ e na UFRJ.

Orlando Zaccone: delegado de Policia Civil do Rio de Janeiro.

Pedro Abramovay: advogado, ex-Secretário Nacional de Justiça.

Renato Malcher: neurocientista, professor adjunto da Universidade de Brasília.

Richard Lee: fundador e diretor da Oaksterdam University.
www.oaksterdamuniversity.com

Rubem César: antropólogo, diretor executivo da ONG Viva Rio.
www.vivario.org.br

Sidarta Ribeiro: neurocientista, professor titular de Neurociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Steve DeAngelo: diretor do Centro de Saúde Harborside, em Oakland-EUA, um dos dispensário de maior uso de maconha para fins médicos nos Estados Unidos.
www.harborsidehealthcenter.com

Thiago Rodrigues: professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Vera Malaguti: Secretária-Geral do Instituto Carioca de Criminologia (ICC), professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes e Doutora em Saúde Coletiva.

Walter Maierovitch: presidente e fundador do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais Giovanni Falcone, jurista, professor, ex-desembargador do STJ-SP, ex-Secretário Nacional Antidrogas da Presidência da República em 1999/2000.
www.ibgf.org.br

William Notcutt: médico, especialista no tratamento da dor, diretor do Pain Relief Services, líder do primeiro ensaio clínico da Grã-Bretanha com a maconha no Hospital James Paget em Gorleston (Inglaterra).

Cortina de Fumaça na estrada

O que já aconteceu…

  1. Festival Internacional de Cinema do Rio 2010 – out 2010
  2. Exibição gratuita seguida de debate – São Paulo – dez 2010
  3. 14 a Mostra de Cinema de Tiradentes – jan 2011
  4. Festival de Cinema de Trancoso (Bahia) – jan 2011
  5. Exibição gratuita seguida de debate na UnB - jan 2011
  6. Exibição gratuita seguida de debate – S. Negra (SP) - fev 2011
  7. Exibição gratuita seguida de debate – RJ - fev 2011
  8. Exibição gratuita seguida de debate – UFF – RJ – março 2011
  9. Exibição gratuita seguida de debate – UFV – MG – abril 2011
  10. Exibição gratuita seguida de debate – USP – SP – abril 2011

O que está por vir, até agora…

  1. Drugs & Harm Reduction Film Festival (Beirut) – abril 2011
  2. Buenos Aires Film Festival – nov 2011
  3. Brazilian Film Festival Montevidéu - out 2011
  4. Festival du Cinema Brésilien de Paris – maio 2011
  5. Milan-Brazil Film Festival – maio 2011
  6. Brazilian Film Festival in New York – jun 2011
  7. Brazilian Film Festival in London – set 2011
  8. Brazilian Film Festival in Vancouver – Jul-2011

Estamos à procura de parceiros que nos ajudem a viabilizar mais exibições e debates por todo o Brasil, e para colocar o filme no circuito oficial de cinema, atingindo, assim, um público mais abrangente e fora dos círculos de discussão já existentes. Acreditamos que essa estratégia seja fundamental para colaborar na formação de uma massa crítica questionadora e potencialmente transformadora.


Mais informações: www.cortinadefumaca.com
Circo Voador
Tel.: 021.2533-0354
Rua dos Arcos, S/N – Lapa – Rio de Janeiro – RJ - Brasil – Terra – Via Láctea

Favelas ou Comunidades? O que é cultura?

segunda-feira, maio 30th, 2011

Li a matéria do André Fernandes “Favelas ou Comunidades?” ( http://www.anf.org.br/2011/05/favelas-ou-comunidades ), onde discutia o uso dos termos “comunidade” e “favela” para fazer referência às áreas marginalizadas dos centros urbanos cariocas.
Hoje percebo que os favelados apresentam o “seu lugar” aos “de fora” como “comunidade” com a intenção de “aliviar” a carga de estigma que a favela carrega. André em seu texto propõe que essa seja uma “identidade” forjada de “fora para dentro”, as elites chamam a favela de comunidade para minimizar o verdadeiro nome do “problema”: “FAVELA”. Justo.

Mas isso me fez lembrar que na década de 90, “Favela” passou a ser usada com orgulho, construia-se uma identidade. Os problemas dos marginalizados urbanos eram outros mas não eram mais fáceis. Mas ali eles gritavam: “Eu só quero ser feliz, andar tranquilamente na FAVELA que eu nasci”.
Protestavam justamente porque se orgulhavam de suas raízes, diziam de onde se pronunciavam e lutavam por dignidade. Criavam o “espaço”. Produziam sonhos: Faziam fazendo.
O que transforma uma “identidade pejorativa” numa “identidade afirmativa” e o seu vice-versa sem fim nem começo?
Cultura. Isso mesmo: produção ou não de cultura. E cultura se faz agora, é o “já é”, o “demorô”, o tão comprometido “é nós”. Na diversão dos bailes funk, dia-a-dia o favelado construía a nossa identidade. A cultura brota das massas. O funk que arrastava multidões às favelas era um local de lazer e troca riquíssimo entre “ricos” e “pobres”, “playboys” e “favelados”, gente com outras gentes. Essa misturada é de onde emana a riqueza cultural do Brasil. E olha que tem gente que lê, estuda, vira doutor e depois vem dizer que o povão não tem “cultura”. Geralmente esse é o conto de quem acha que “cultura” se produz no laboratório, no gabinete, em livros.

E por falar em literatura, faz bem lembrar também que a grande maioria dos escritores brasileiros que hoje consideramos como clássicos, vieram das massas, eram de famílias pobres –Guimarães Rosa é uma das exceções clássicas, era de família abastada, que antes de escrever “Grande Sertão: Veredas” viveu um tempo acompanhando os sertanejos cangaceiros, e expondo àquela linguagem a qual adentrara, revolucionava a literatura brasileira.

O que melhor representa a Identidade Nacional?
O Parnasianismo ou o Cordel? As Escolas de Música Clássica ou as Escolas de Samba? A Fórmula 1 ou o Futebol?

O que é Cultura?

 

dudu perere
poeta e cientista

O CRACK E O QUE ACONTECE NO RIO DE JANEIRO

segunda-feira, maio 30th, 2011

 

Tornou-se notícia comum no Estado do Rio de Janeiro, nos últimos meses, a expansão do uso do crack e o envolvimento de crianças e adolescentes que vivem nas ruas, agravando ainda mais a vulnerabilidade sobre os diversos aspectos de suas condições de saúde e a marginalização que recaem sobre as mesmas. Assim, os problemas que envolviam substâncias mais usuais estão acrescidos, atualmente, com o crack e seus derivados.  Recentemente, após inúmeras denúncias e a provocação da grande mídia, os órgãos de governo, Estadual e Municipal, estão realizando ações de enfretamento, inclusive com pauta do governo federal, especificamente por parte da  Secretaria Especial de Direitos Humanos. Por outro lado, em posição diametralmente oposta, vários movimentos realizados por grupos sociais, organizados ou não, estão promovendo, em expressiva velocidade,  o debate acerca da legalização ou regulamentação do consumo da maconha. São questões postas à mesa para o debate. Contudo, no que tange a questão sobre o crack e o envolvimento de crianças e adolescentes, devemos considerar a prioridade absoluta de políticas de intervenção que enfrente, pragmaticamente, a vitimização destes segmentos, considerando que envolve, dentre os vários aspectos, a integridade à saúde, a exploração sexual e a própria vida. (Re)Acolhimento para a simples retirada do local é arbitrário e ineficiente.  Problematização  envolvendo proteção e expectativa de futuro devem ser pressupostos para programas de longo prazo, realizados por equipes específicas multidisciplinares, dedicadas a superação/minimização deste quadro, a partir de metodologias de inclusão, considerando as necessidades básicas de todo sujeito de direitos: saúde, alimentação e educação.

 

i – GOVERNO DA cidade do rio de janeiro 

Aproximadamente 90 pessoas – entre agentes da SMAS e policiais participaram da ação no Jacarezinho. Segundo a SMAS, 76 pessoas – 60 homens e 16 mulheres e adolescentes – foram recolhidas nesta quarta-feira. Na ação os PMs também encontraram seis quilos de maconha, um quilo de cocaína e muitas pedras que a polícia suspeita serem de oxi. Em incursão independente, a DPCA ainda encontrou um fuzil AK-47 novo e munições.Há exatos sete dias, a polícia também encontrou 18 pedras que seriam de oxi em uma colônia de pescadores de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O laudo ficará pronto nos próximos dias.

 

A Secretaria Municipal de Assistência Social realiza hoje, dia 20, uma oficina de capacitação para implantar o Sistema de Acompanhamento, Monitoramento e Avaliação do Atendimento Especializado de Crianças e Adolescentes Envolvidas com o Crack. Voltado para profissionais que atuam nas unidades de acolhimento do Município, o encontro acontece das 10h às 17h na Universidade Moacyr Bastos, em Campo Grande.

 

Após este primeiro encontro, haverá oficinas mensais de formação continuada para qualificar os serviços prestados. Nesses encontros serão abordados diversos temas, entre eles a Política Nacional Sobre Drogas, a Política Nacional de Assistência Social, o SUAS e a tipificação dos serviços, os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes, a intersetorialidade, a rede de serviços, entre outros.

 

Organizado em conjunto pelo Núcleo de Direitos Humanos da SMAS, a Coordenadoria de Desenvolvimento, Monitoramento e Avaliação (CDMA) e o Centro de Capacitação da Política de Assistência Social, o treinamento vai capacitar os profissionais da SMAS no novo instrumento de acompanhamento das crianças e adolescentes envolvidas com drogas, como forma de agilizar e qualificar o atendimento prestado nas unidades especializadas da Rede de Proteção Social da Prefeitura do Rio, de acordo com o Plano Municipal de Enfrentamento ao Uso do Crack e outras Substâncias Psicoativas.

Operação contra prostituição infantil e crack detém 59 pessoas na Ceasa. 06/05/2011

A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) informa que durante a operação contra a exploração sexual de menores e o crack, realizada na noite de quinta-feira, dia 5, na Central de Abastecimento do Estado (Ceasa), em Irajá, foram detidas 57 pessoas, sendo 37 homens e 20 mulheres, e apreendida uma adolescente. Um homem foi preso por exploração de menores. Algumas das pessoas detidas também foram identificadas como usuárias de crack. 

Todos foram levados para o 41º BPM, onde passaram por uma triagem para depois serem encaminhados à rede de abrigagem do município.A operação foi realizada em parceria entre a SMAS, Polícia Civil (DCAV e DPCA) e Polícia Militar (41º BPM).

 

ii – gOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Seminário discute estratégias para o combate ao crack.  24/05/2011 - 17:40h -  Por Andrea Lua (texto e foto) . Profissionais de Segurança reúnem-se na sede da Secretaria

 Secretário José Mariano Beltrame participa da abertura do evento


Durante esta terça-feira (24/05) um grupo de policiais civis, militares, bombeiros e guardas municipais participou do Seminário Estratégias de Enfrentamento ao Crack, realizado pela Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) em parceria com o Instituto de Segurança Pública (ISP). O encontro gerou a constituição de um grupo de trabalho multidisciplinar, com integrantes de várias instituições, para desenvolver ações no estado. Foi determinada ainda a criação de um guia de orientação de procedimentos para o profissional de segurança pública em cenas de uso de crack com encaminhamento técnico. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, participou da abertura do evento acompanhado do presidente do ISP, o coronel da Polícia Militar Paulo Teixeira, e declarou que é fundamental a conclusão e aplicação do que foi deliberado. “O desafio é transformar o debate em medidas práticas, executar. A solução do problema não se esgota na segurança pública, é preciso uma atuação em vários campos. É necessário buscar com as instituições que estão aqui enxergar os problemas de maneira ampla, estabelecer ações e responsabilidades. Neste evento estão reunidas pessoas com experiência, que conhecem o tema e podem nos ajudar a ter respostas”, afirmou.

A diretora de Articulação e Coordenação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Carla Dalbosco, revelou que está sendo realizado um estudo etnográfico e epidemiológico sobre o crack no Brasil. O trabalho será divulgado na Semana Nacional sobre Drogas na segunda quinzena de junho. A partir dele haverá condições para direcionamento de políticas efetivas. Durante o evento, um representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) traçou um panorama sobre as dinâmicas do crack no Rio de Janeiro. Foram apresentados os índices das apreensões de drogas no Rio de Janeiro em 2010 pelo ISP. Integrantes das Polícias Civil e Militar, de secretarias do governo e de entidades da sociedade civil também fizeram palestras. 

Sobras e sombras nas favelas pacificadas

segunda-feira, maio 30th, 2011

Por Jose Luiz Lima www.comunidades.rj.sebrae.com.br/blog/jose

Por onde entrar e com quem falar nas favelas que estão no processo de pacificação? Digo processo porque o “Mundo de Alice” não é a realidade destas favelas. O ideal desejado com esta política de segurança ainda está longe de ser o ponto de equilíbrio entre o ontem e o hoje. O que tenho visto e ouvido dos moradores revela que ainda estamos no início de um estreito e longo caminho para o futuro. Mas que bom que começamos a andar!

Os fatos e as evidências nos ajudam a pensar sobre a situação atual. Em todas as favelas existem as subáreas ou comunidades, são as divisões internas que são marcadas por um limite geográfico, ou na maioria das vezes por uma fronteira simbólica que carrega um valor de identidade para cada local, que separa as partes colocando marcas que precisamos entender para não complicar ainda mais o processo. Numa determinada favela, eu pensei em juntar a turma da parte baixa com a turma da parte alta de duas comunidades. Uma liderança local chamou minha atenção: “Zé Luiz, não vai rolar! Vamos fazer uma palestra aqui embaixo e outra lá em cima, aqui os jovens não gostam de transitar de uma comunidade para outra”.

A identificação das fronteiras simbólicas é fundamental para quem pretende trabalhar nas favelas em processo de pacificação. Um primeiro passo é saber quem é quem na teia social da favela e qual é sua opinião sobre a pacificação. Digo isso porque as sobras e sombras permanecem pairando sobre o ambiente das favelas e não podemos ser “Alice no país das maravilhas”. Neste contexto as lideranças locais estão aprendendo a lidar com esta nova situação de ter em suas comunidades um novo ator social, as UPPs representando o poder do estado. Porém, em uma comunidade que visitei, o comandante comentou comigo: ”uma menina parou aqui na porta e me perguntou, o senhor é novo dono do morro? A impressão que se tem é que foi uma simples substituição de poder, mas a favela continua tendo um dono: agora é o capitão da UPP e seus soldados.

A presença das UPPs mexe no arranjo social, pois a lei e a ordem passam a fazer parte do cotidiano das favelas pacificadas, retirando dos grupos armados o poder ilegal determinante do que pode ou não pode ser nas favelas. No entanto, a teia de relações internas não se desfez totalmente, pois as três décadas de poder de alguns grupos armados instituíram uma cultura que atravessa a vida nas favelas de tal forma que alguns pontos desta teia permanecem enrugados. Imaginem que numa família um filho é bacana, mas o outro não é tão bacana assim. Um amigo do peito, camarada de infância é da situação. E agora para onde meu camarada vai? Será que ele vai achar que seus amigos bacanas vão formar com a UPP?

Um dos pontos enrugados nesta teia é a associação de moradores, que carregam o estigma de associação com o crime. É isso mesmo? Quem conhece a história desta instituição sabe a importância que teve e tem as associações para cada uma das favelas que elas representam. Se a associação da associação com o crime fosse tão automática como algumas pessoas pensam e outros dizem. Como explicar a sentença punitiva que muitos lideres comunitários receberam dos chefes locais, por não concordarem com as leis impostas de forma arbitrária? O jornal O Globo publicou extenso material sobre a ditadura do tráfico e das milícias nas favelas, vale a pena uma leitura. Minha tese é de fortalecimento e legitimação destas instituições e de suas lideranças. Qualificá-las para este novo cenário e desafios. A chegada das regras republicanas nestes territórios deve promover a inclusão dos atores locais, para que todos possam se sentir participantes deste processo de transformação.

Outro ponto enrugado é o dos jovens, principalmente, para aqueles que nasceram nesta dura realidade de convivo diário com um poder autoritário que mandava ou ainda manda na favela onde mora. Quando estes jovens chegam ao asfalto se vêem em outro universo de relações regidas pela democracia e seu aparato legal. No mínimo estes jovens têm uma dupla identidade, e seus processos de escolhas nestes dois mundos são regidos por matrizes de valores bem diferentes, mas ele precisa se adaptar aos dois universos para sobreviver.

Ouvi de um jovem em uma das comunidades que visitei: “e se tudo isso for passageiro e acabar em 2016?” É uma encruzilhada. Este jovem queria ir até a UPP para saber o que tem lá. Mas a policia sempre foi vista com um dos inimigos, ou esta era a representação que se fazia da policia. Nesta mesma comunidade conversei com um grupo de jovens que não sabiam o que fazer com a diminuição da atividade do tráfico. Alguns ganhavam dinheiro fazendo pequenos serviços nesta cadeia produtiva ilegal. A incerteza era o sentimento geral, pois nenhum deles estava estudando e nem sabiam fazer “nada”. As sobras e sombras para estes jovens não deixam dúvidas de que algo emergencial precisa ser feito.

Não será a Unidade de Policia Pacificadora que irá resolver o acúmulo de problemas sociais existentes nestas favelas. Também não será um programa único, pacote fechado com uma bula que irá resolver as diferentes situações e diferentes demandas locais. Sem conhecer cada favela e sua realidade, corremos o risco de aplicar o remédio certo no paciente errado. Vou repetir o que já venho falando a alguns anos: educação de qualidade, água e saneamento básico, regras claras para construção e apoio financeiro da CEF para construção, legalização das propriedades existentes, principalmente de moradias e comércio, serviços públicos de qualidade e com regularidade, atribuições claras e com metas para cada ator social que queira atuar nestes territórios.

A favela tem mais de 100 anos, o tráfico de drogas surgiu nas favelas no início da década de 1980, as facções começaram a se organizar e dividir territórios no inicio dos anos de 1990. São muitos nãos de abandono e discriminação. Se esta política tem o objetivo verdadeiro de mudar a realidade destas favelas e de seus moradores, precisamos então de ações planejadas e articuladas entre as três dimensões da sociedade: sociedade civil, iniciativa privada e o poder público. O voluntarismo por si só é bacana, mas não resolve nada… Responsabilizar o capitão das UPPs o mesmo que fazemos com o professor: o salvador da pátria; é apostar no fracasso de mais um belo projeto… Basta olhar os resultados da nossa educação pública!

Por: José Luiz Lima
www.comunidades.rj.sebrae.com.br/blog/jose

FAVELAS OU COMUNIDADES?

domingo, maio 29th, 2011

 

Por André Fernandes

Certo dia, fui conversar com uma pessoa de um excelente poder aquisitivo, que falou que gostaria de investir na Agência de Notícias das Favelas. Em nossa conversa ela falou que adoraria investir, porém o nome de nossa organização não deveria ser esse, pois ela achava pejorativa a palavra FAVELA. Lógico que neguei a possibilidade de mudarmos o nome de nossa organização e explicamos que essa palavra é utilizada mundialmente, que havia morado e trabalhado por quase duas décadas em várias favelas no Rio e que tínhamos a missão de democratizar a informação das favelas e seguiríamos em frente.

Tenho observado há muito tempo que a elite e a grande mídia tenta chamar as favelas de comunidades  e isso me traz uma grande indignação, pois do meu ponto de vista, isso nada mais é que uma tentativa de descaracterizar a favela e amenizar a situação de pobreza extrema que vive nossa cidade. Lembro sempre, para os que estão chamando as favelas de comunidades, que os condomínios de luxo, que essas pessoas que estão tentando descaracterizar essa nomenclatura moram, são comunidades. Sim! Os condomínios de luxo ou prédios na Barra, Leblon e Ipanema, constituem  comunidades, porém não são favelas. Favela é favela e comunidade é comunidade! Favela é favela e caso aconteça de um dia deixar de ser favela, como querem alguns, não será porque os governantes são bonzinhos, mas porque houve muita cobrança por parte de vários líderes, que deram suas vidas para que hoje elas tivessem as melhorias que estão recebendo. Talvez alguns fiquem no meio termo. Hoje por exemplo, vi que Itamar Silva, do Santa Marta, pessoa que admiro por ser um desses líderes que lutaram pela favela, concorreu em um edital com um projeto denominado VOZ DO MORRO. Justo!

Chamar 44 favelas de ex-favelas é uma conversa para quem não tem conhecimento do assunto e que vai engolir isso ou talvez para amenizar a situação da Cidade Maravilhosa, para recebermos melhor os turistas que virão. Talvez exista a hipótese de que alguém queira receber os louros de ter transformado 44 favelas em bairros, ou comunidades, como insistem em chamar. O fato é que favela é favela e quando a favela tiver tudo que os demais locais da cidade, como Ipanema, Barra e Leblon tiver, não vai deixar de ser favela, porém pode mostrar para o mundo que é possível mudar, que conquistamos o respeito por termos lutado, por que a VOZ DA FAVELA se fez ouvir. Assim seremos exemplos para outras favelas, que estão espalhadas por todo o mundo.

Faço aqui uma indagação, se são ex-favelas, o pressuposto seria o poder público presente, sem intervenção de tantas ONGs, com serviços públicos como em qualquer bairro e pelo que parece, as informações não estão batendo, se não, porque o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, segundo matéria de hoje no jornal O GLOBO, está tão preocupado. Aliás, foi ele mesmo que falou que não pretende acabar com o tráfico através das UPPs e sim devolver à população o direito de ir e vir, ou seja, está ainda longe de pensar, mesmo que eu concordasse com isso, em chamar essas favelas de ex-favelas.

Mike Davis em seu livro PLANETA FAVELA relata muito bem a realidade em que estamos inseridos e fica a sugestão de leitura para quem quiser se aprofundar sobre o tema. Nossa organização, que continuará com esse nome, também continuará sua missão de democratizar a informação da favela, a partir principalmente de seus moradores, para que os melhores exemplos do que for noticiado, possam ser seguidos e assim possamos construir um mundo melhor.

*Jornalista, fundador e diretor da ANF – Agência de Notícias das Favelas

População da Rocinha já é maior que a de 92% das cidades brasileiras

sábado, maio 21st, 2011

Com quase 70 mil moradores, favela cresceu 23% em número de habitantes na última década

Uma única favela carioca possui mais moradores que 92% dos municípios brasileiros, ou seja, 5.138 cidades, segundo dados do censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os 69.356 moradores da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, têm à sua disposição dentro da própria comunidade comércio variado, bancos e postos de saúde. Esses são alguns dos pontos positivos que explicam o crescimento de 23% em número de habitantes nos últimos dez anos, enquanto a cidade do Rio cresceu 7,9%.

Nascido e criado na favela, o fundador do portal Rocinha.org, Ocimar Santos, de 44 anos, afirma que existem até pessoas morando nos subsolos, já que o crescimento horizontal da comunidade foi limitado com muretas pela prefeitura.

- O aumento do número de habitantes da Rocinha é silencioso, pois a população cresce verticalmente, e não só para cima. Há pessoas morando no alto de lajes ou no subsolo, debaixo de pedra.

Santos diz ainda que o perfil do morador da Rocinha é difícil de definir, pois há pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e outras com condições para morar em qualquer bairro do Rio. Ele vê a favela como uma cidade popular, com internet gratuita, complexo esportivo, escola de samba e casa de show.

A coordenadora executiva da ONG (Organização Não-Governamental) Rio Como Vamos, Thereza Lobo, explica que uma das razões para o aumento populacional na comunidade é a sua localização.

- A Rocinha está em uma área de confluência de mercado de trabalho, de transporte e de lazer [praias e shoppings]. Às vezes, temos uma ideia velha do que é favela, pois ela também tem algo a oferecer para seus moradores e não apenas problemas.

O administrador regional da Rocinha, ligado à subprefeitura da zona sul, Jorge Collaro, conta que as famílias que moram na favela ainda recebem parentes de outros Estados, que vêm tentar a vida no Rio. Para ele, isso explica ainda mais o crescimento populacional na comunidade.

- A Rocinha é predominantemente nordestina, e cada morador vai trazendo aos poucos o resto da família. As gerações vão ficando e aumentando. As pessoas que estão em áreas de risco não querem sair para outra comunidade, até porque a maioria da mão de obra da Rocinha consegue trabalho no seu entorno.

O pesquisador Renato Balbim, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que os investimentos públicos que valorizam a favela devem vir acompanhados de uma política de moradia.

- Os processos recentes de urbanização de certas favelas, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], aumentam o interesse por essas localidades beneficiadas. E cria-se, assim, outro problema: o risco de perder rapidamente as melhorias com a alta concentração de pessoas.

Problemas com o crescimento populacional

As mais de 13 mil pessoas que passaram a morar na Rocinha na última década agravaram problemas como ventilação, alargamento de vias e condições sanitárias. O coordenador Collaro afirma que as principais demandas da população local são a limpeza dos rios, a iluminação e o asfaltamento das ruas.

- A população não pode aumentar mais na Rocinha, pois, mesmo tendo 750 mil m², não há mais espaço.

A solução, para Balbim, depende da intervenção do poder público para construir habitações com preço acessível às pessoas que vivem em favelas, em uma localidade que não seja excluída do resto da cidade.

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Favela fica próxima à praia de São Conrado, na zona sul do Rio.
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…Uma única favela carioca possui mais moradores que 92% dos municípios brasileiros, ou seja, 5.138 cidades, segundo dados do censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os 69.356 moradores da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, têm à sua disposição dentro da própria comunidade comércio variado, bancos e postos de saúde. Esses são alguns dos pontos positivos que explicam o crescimento de 23% em número de habitantes nos últimos dez anos, enquanto a cidade do Rio cresceu 7,9%.

Nascido e criado na favela, o fundador do portal Rocinha.org, Ocimar Santos, de 44 anos, afirma que existem até pessoas morando nos subsolos, já que o crescimento horizontal da comunidade foi limitado com muretas pela prefeitura.

- O aumento do número de habitantes da Rocinha é silencioso, pois a população cresce verticalmente, e não só para cima. Há pessoas morando no alto de lajes ou no subsolo, debaixo de pedra.

Santos diz ainda que o perfil do morador da Rocinha é difícil de definir, pois há pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e outras com condições para morar em qualquer bairro do Rio. Ele vê a favela como uma cidade popular, com internet gratuita, complexo esportivo, escola de samba e casa de show.

A coordenadora executiva da ONG (Organização Não-Governamental) Rio Como Vamos, Thereza Lobo, explica que uma das razões para o aumento populacional na comunidade é a sua localização.

- A Rocinha está em uma área de confluência de mercado de trabalho, de transporte e de lazer [praias e shoppings]. Às vezes, temos uma ideia velha do que é favela, pois ela também tem algo a oferecer para seus moradores e não apenas problemas.

O administrador regional da Rocinha, ligado à subprefeitura da zona sul, Jorge Collaro, conta que as famílias que moram na favela ainda recebem parentes de outros Estados, que vêm tentar a vida no Rio. Para ele, isso explica ainda mais o crescimento populacional na comunidade.

- A Rocinha é predominantemente nordestina, e cada morador vai trazendo aos poucos o resto da família. As gerações vão ficando e aumentando. As pessoas que estão em áreas de risco não querem sair para outra comunidade, até porque a maioria da mão de obra da Rocinha consegue trabalho no seu entorno.

O pesquisador Renato Balbim, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que os investimentos públicos que valorizam a favela devem vir acompanhados de uma política de moradia.

- Os processos recentes de urbanização de certas favelas, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], aumentam o interesse por essas localidades beneficiadas. E cria-se, assim, outro problema: o risco de perder rapidamente as melhorias com a alta concentração de pessoas.

Problemas com o crescimento populacional

As mais de 13 mil pessoas que passaram a morar na Rocinha na última década agravaram problemas como ventilação, alargamento de vias e condições sanitárias. O coordenador Collaro afirma que as principais demandas da população local são a limpeza dos rios, a iluminação e o asfaltamento das ruas.

- A população não pode aumentar mais na Rocinha, pois, mesmo tendo 750 mil m², não há mais espaço.

A solução, para Balbim, depende da intervenção do poder público para construir habitações com preço acessível às pessoas que vivem em favelas, em uma localidade que não seja excluída do resto da cidade.

À direita, na foto, o amontoado de casas contrasta com a piscina de uma casa na estrada da Gávea, que abriga inúmeras mansões (Foto: Agência O Dia)
Fonte R7.

MEMORIAL DO VALONGO

sexta-feira, abril 29th, 2011

A localização de um antigo Cais, a mais ou menos 1,5 m de profundidade na Região denominada Valongo, traz a tona uma História que as elites brasileiras sempre tentaram encobrir, primeiro com a construção sobre ele do Cais da Imperatriz e, posteriormente, nas primeiras décadas do Século XX, com o aterro do mar a sua frente para a grande reforma da Zona Portuária e a abertura da atual Avenida Barão de Teffé, com acesso às ruas Camerino e Sacadura Cabral. Com isto, tudo indicava que o “trabalho” tinha sido perfeito. Como num passe de mágica estavam apagadas para sempre, grande parte de nossas orígens históricas.
Transformado em corredor de passagem, o local do desembarque da maioria de africanos, capturados na África para serem escravizados nas Américas, inclusive após a proibição do tráfico, ficaria soterrado para sempre, obra que seria completada com misterioso sumiço dos documentos da época, em sendo assim, nenhuma outra referência restaria para o Negro Brasileiro daquele período.
Quase um século depois, numa intervenção de vulto ainda maior, rompe-se definitivamente com esse período de trevas e uma grande luz volta a brilhar sobre a Região, como se tudo voltasse a sua ordem natural. Novamente lá estão os que sobreviveram ou não da trágica viagem; os primeiros trabalhadores brasileiros com o seu primeiro Sindicato e sua primeira greve dos carregadores do porto – Aniceto; na escadaria esculpida na rocha para compartilharem da imensa dor de serem tratados como animais – na Pedra do Sal, transformam tudo em pura arte. Os estivadores todos reincorporados, recriam os primeiros sambas – Donga João da Baiana, Heitor dos Prazeres e tantos outros; Dom Obá II em audiência com o Imperador reclama dos maus tratos impostos aos negros da região; Machado de Assis, desce novamente suas ladeiras para ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos e fundador da Academia Brasileira de letras. Uma poderosa tsunami surge a distância para acordar as gerações atuais, órfãs por uma trama deliberada de todas essas raízes, muitas delas presentes nos raros livros de Lima Barreto.
Diante de tudo isso a população do Rio de Janeiro não pode se omitir e começam as primeiras iniciativas contra esse possível novo soterramento. No dia 17 de março de 2011 de 2011 é lançada a Carta do Valongo com a proposta da criação no local de um Memorial da Diáspora Africana, assinada por representantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil, seguida de reuniões sucessivas (11, 18, 24 e 27 de abril) para dar sustentação a proposta, ficando decidida uma grande manifestação no local no DIA 13 de Maio, com marcação anterior de uma agenda com autoridades da Prefeitura para apresentação do projeto de preservação do prédio Docas D Pedro II, uma construção de André Rebouças.
Inteligentemente divididos em duas frentes, uma na esfera oficial Fundação Cultural Palmares, CEDINE, SUPPIR E CEPPIR e, outra junto à sociedade civil IPCN, CUT RJ, UNEGRO, 100 ÁFRICA, ESTIMATIVA, INCUBADORA AFRO BRASILEIRA, CEAP, ARQUIPEDRA, COMDEDINE, REPÚBLICA DO SAMBA, GABINETE DO DEP. GILBERTO PALMARES, CENTRO CULTURAL DO QUITUNGO, AFRO BRASIL TURISMO, seguem as discussões a procura da melhor maneira de referenciarmos nossa história e nossos antepassados.
As reuniões que ja foram realizadas na Palmares Rio e DAPIBGE, quando conjuntas, para discussão apenas da Sociedade Civil, foram transferidas para a sede do IPCN – Avenida Mem de Sá 208, junto à Cruz Vermelha. A próxima está marcada para a terça-feira, 05 de maio de 2011, a partir das 17 horas. Compareça! Convoque a nossa gente! Venha reescrever a nossa História!

De: Recuperação do IPCN (Instituto de Pesquisa das Culturas Negras)

FOTO DO JORNAL O GLOBO CAUSA INDIGNAÇÃO

quinta-feira, março 24th, 2011

Queremos expressar nossa indignação pelo gás pimenta que foi jogado ontem, por um policial militar, em cima de uma criancinha, por ocasião do protesto dos sem-tetos. Vimos a foto hoje na primeira página do jornal O GLOBO e ficamos impressionados, ao ver um PM, que é pago com o dinheiro dos cidadãos, apontando spray e disparando contra uma criança que estava com sua mãe e uma outra criança. Parabéns ao fotógrafo pelo flagrante do crime cometido! Esperamos que esse policial, que agiu sem nenhum critério, mostrando total despreparo, seja punido!

PRESIDENTE POP STAR

segunda-feira, março 21st, 2011

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se “apresentou” ontem no Teatro Municipal. Como todo pop star que vem ao Brasil, falou algumas palavras em português e elogiou nossas belezas naturais. Mas ele foi além. Citou um trecho da música mais famosa de Jorge Ben Jor e também a frase que foi slogan da campanha do ex presidente Lula: “a esperança venceu o medo.” Falou de futebol, e se sua digníssima esposa não estivesse presente, acho até que teria elogiado a beleza de nossas mulheres. Parabéns pela pesquisa, Obama! Mas se a intenção era aumentar sua popularidade aqui no Brasil, ele deveria mesmo é ter pedido algumas dicas para o ex presidente Lula. O povo brasileiro gosta é de corpo a corpo, Obama!!!
Falando em Lula, muito sensata sua decisão de não comparecer em Brasília. Afinal, ele não poderia roubar a cena da nossa presidenta Dilma. Pena que nem todos os nossos ex presidentes tenham tamanha sensatez. Não é mesmo, Collor?

CONSELHO PARA SÉRGIO CABRAL E EDUARDO PAES

sábado, março 19th, 2011

Durante essa semana, alguns colegas jornalistas me perguntaram se a ANF participaria de algum protesto por conta da visita de Barack Obama ao nosso país. Expliquei-lhes que, ao contrário do passado, quando coordenei vários protestos, por várias causas, hoje como jornalista meu protesto se dá através do que escrevo e assim também é com a ANF. Hoje pela manhã, quando lia o jornal O GLOBO, fiquei estarrecido com a nota que foi publicada sobre a impossibilidade do Sérgio Cabral e Eduardo Paes acompanharem Obama em sua visita no Cristo e de terem que esperar o presidente dos EUA sentados enquanto ele faz sua “inspeção” na Cidade de Deus. Acredito que o Brasil está evoluindo muito, que o governo Lula fez avanços nunca antes vistos em nossa história, que nossa presidenta está no caminho certo, porém tudo tem limite! Fechar o Cristo Redentor para a família do presidente dos EUA visitarem, barrando os administradores da cidade e do estado é um absurdo! Assim como tê-los que fazer esperarem sentados na CUFA(Central Única das Favelas) enquanto Obama “visita” a favela é o fim do mundo. Apesar de discordar de muitas práticas do prefeito e do governador, nesse momento presto minha solidariedade e deixo-lhes um conselho: se não puderem andar com Obama na favela, que não andem em outros lugares também!