Archive for the ‘Obras’ Category

Às vésperas do recesso, Vereadores tentam soterrar CPI das Remoções

terça-feira, julho 5th, 2011

 

Britta Thomsen, deputada do Parlamento Europeu, visita à favela do Metrô, que está sendo removida

Nesta sexta, 01/07, o Diário da Câmara Municipal publicou um despacho da mesa diretora devolvendo o Requerimento 1296/2011, de autoria do Vereador Eliomar Coelho (PSOL), que pede a criação da CPI das Remoções. Segundo o documento, os vereadores Tânia Bastos (PRB), Dr Eduardo Moura ((PSC), Carlinhos Mecânico (PPS) e Élton Babú (PT) solicitaram à mesa que “desconsiderasse” suas assinaturas, uma vez que “não tinham conhecimento” da íntegra do documento que assinaram. Vale lembrar que pelo menos dois desses vereadores, por sua própria iniciativa, procuraram a assessoria do Vereador Eliomar Coelho, no último dia 28/06 para assinar o requerimento. Soa, no mínimo, estranho que já não se lembrem mais ou não concordem mais com o que tinham assinado e remetam ofícios solicitando a “desconsideração” de suas assinaturas. O Presidente da CMRJ, Jorge Fellippe (PMDB), acatou a solicitação com base num precedente regimental de discutível validade para o caso em tela. O vereador Eliomar Coelho (PSOL) já está providenciando a elaboração de um recurso à mesa diretora, uma vez que o precedente regimental trata exclusivamente de matérias legislativas — o que não incluiria um requerimento como o da CPI das Remoções. Desta forma, deve-se aplicar diretamente o que determina o Regimento Interno da Câmara Municipal e manter as 19 assinaturas registradas na sessão do último dia 28/06/2011.

Independente das intempéries burocráticas evocadas pelos preclaros vereadores do Rio de Janeiro, hoje haverá uma sessão extraordinária da Câmara Municipal para votar matérias de interesse do Prefeito e, certamente, o último grande quórum do semestre. Após esta sessão, a Câmara Municipal entrará em recesso até 01/08/2011 e daí muitas outras ações poderão ser encaminhadas pela Prefeitura do Rio. Já foram 5.000 famílias removidas das formas mais desumanas e ilegais, até agora. Quantas mais precisarão passar pelo mesmo sofrimento até que as instituições públicas assumam suas responsabilidades?

Restam duas possibilidades: conseguir duas novas assinaturas nesta terça-feira, ou convencer o Presidente da Câmara de Vereadores de que o tal precedente regimental não se aplica à matéria em questão e dê prosseguimento à instalação da CPI com as 19 assinaturas originais. De qualquer forma, acontecerá hoje às 15h uma grande mobilização para ocupar novamente as galerias da Câmara dos Vereadores e chamar à responsabilidade, tanto os vereadores que ainda não assinaram o requerimento, quanto os que assinaram e depois solicitaram  ”desconsideração”. Vale lembrar que a CPI das Remoções pretende investigar diversos indícios de irregularidades nos procedimentos adotados pela Prefeitura do Rio junto a famílias (tanto de áreas formais quanto de áreas informais) atingidas por grandes intervenções urbanísticas (Porto Maravilha, entorno do Sambódromo e do Maracanã) e pelos corredores Trans (Transcarioca, Transolímpica e Transoeste). Ao longo dos últimos meses, verificou-se uma sucessão de ações violentas, ilegais e que atentam contra a ordem constitucional, o que pode configurar diversos crimes na alçada penal, ambiental e administrativa.

A Prefeitura do Rio já começa a manobrar com seus aliados na Câmara Municipal para que esta CPI não seja instalada e, caso seja, não consiga desenvolver seus trabalhos. A luta contra as remoções é mais que uma luta pela dignidade das famílias atingidas. Trata-se de uma luta pelo Estado Democrático de Direito.Não se pode tolerar mais a omissão de autoridades e demais entidades de defesa dos direitos humanos nessa questão.

ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SE REÚNEM PARA ORGANIZAR GRANDE ATO

segunda-feira, julho 4th, 2011

Acontecerá amanhã, às 18h, nos Sindicato dos Metroviários, uma plenária ampliada do comitê popular da Copa e da Olimpíada, onde movimentos, favelas, ocupações, sindicatos, ONGs,  universidades e estudantes que estão indignados com as remoções e outras formas de atuação, sem diálogo, por parte dos governantes, se reunirão. A idéia é a construção de um grande ato. Na convocação os organizadores citam a questão da educação, saúde, liberdade de expressão, baixos salários e o direito ao trabalho, que será afetado com os mega-eventos. Também é citada a Delta Engenharia, com um pedido que todos os envolvidos no escândalo, sejam investigados e punidos.

O sindicato dos Metroviários fica na  Avenida Rio Branco, 277 – 4°andar – Centro do Rio de Janeiro

Habitação Popular no Morro da Providência

segunda-feira, junho 20th, 2011

Habitação Popular

Forte alegria marca entrega da 16ª casa do Cimento Social

Menino de 12 anos sensibilizou Crivella com carta que escreveu pedindo para ser contemplado

A emoção é constante nas entregas de casas do Cimento Social, projeto de habitação popular idealizado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) que já beneficiou 16 famílias, em diversos municípios – outras 80 residências foram reformadas.

Nesta sexta-feira (17/6), não foi diferente. A emoção transbordava dos olhos de dona Laura e do menino Bruno, de 12 anos – completam a família Sinvaldo e as crianças Lorena, de 2 anos, e Arthur, de 3 meses.

Tudo começou quando Bruno escreveu uma carta a Crivella relatando as dificuldades que a família passa, vivendo de favor na casa de amigos, e revelando seu sonho de ter casa própria. Sensibilizado com a história do menino, que dizia na carta que rezava todos os dias para ganhar uma casa, e que sua felicidade estava nas mãos do senador do PRB, Crivella resolveu dar a casa a eles.

Dona Laura parecia não acreditar na bênção alcançada. Repetia a todo instante que era o dia mais feliz da sua vida.

- Mesmo sem perceber, o senador Crivella resolveu todos os meus problemas – disse Laura.

Sinvaldo, que já trabalhou nas obras do Cimento Social, lembra de conversas que já teve com Crivella:

- O senador Crivella dizia pra mim que eu morava num lugar que era indigno de um ser humano morar. Ele dizia que meu dia chegaria. E chegou! Só tenho a agardecer a ele – afirmou Sinvaldo.

As casas do Cimento Social são construídas em dois pavimentos e entregues em três dias, totalmente mobiliadas, ao custo de cerca de R$ 60 mil.

Medida Provisória aprovada na Câmara prevê sigilo dos gastos para Copa e Olimpíada e dá poderes a FIFA/Teixeira

sexta-feira, junho 17th, 2011

Ricardo Teixeira e Josepp Blatter representam as entidades mais beneficiadas com aprovação da MP 527/11. Foto: Reprodução

Que a realização da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016 no Brasil já deixavam muita gente com a pulga atrás da orelha com relação aos gastos com o dinheiro público na construção e reforma de diversos estádios e instalações olímpicas, todos já sabiam.

Falando mais especificamente sobre a Copa de 2014, que já está batendo a nossa porta, e as atrocidades com o interesse e dinheiro público são feitas sem nenhum pudor.

No final da noite desta quarta-feira foi aprovada na Câmara dos Deputados, por ampla maioria a Medida Provisória 527/11 relatada pelo deputado José Guimarães (PT-CE) denominada de “Regime Diferenciado de Contratações”, flexibilizando a lei 8666/93 de licitações públicas. A intenção do governo é de acelerar as obras para a Copa do Mundo que se encontram atrasadas em todo o país. Mas de fato, o que ela faz é aonde várias empresas poderiam concorrer para vários processos licitatórios para diversas áreas de atuações nas obras de uma praça esportiva, agora a empreiteira ganhadora de uma licitação será responsável por toda, ou maioria, das responsabilidades sobre a construção do estádio determinado. Ou seja, o que teremos é a facilitação para a corrupção, superfaturamento e irregularidades desde a escolha da empreiteira até a conclusão.

Outro absurdo que consta na MP aprovada pelos deputados federais está o mantimento em sigilo o valor de tudo que envolve as obras da Copa e Olimpíada, e somente o Tribunal de Contas da União teria acesso a esses valores caso o governo ache que seja relevante. Contradizendo o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em seu governo “que qualquer cidadão do Brasil e do mundo poderia acessar o site do portal da transparência para poder acompanhar os gastos da Copa”.

No artigo 39 da Medida Provisória, é concedido a FIFA e a Ricardo Teixeira (presidente da CBF – Confederação Brasileira de Futebol – e do COL – Comitê Organizador Local) refazer preços de obras e alterar projetos.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17), o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. defendeu a MP:”Não há vedação à publicação de orçamentos. Não há nenhuma restrição. Serão todos dados publicados. O que há é que, durante o processo de licitação, os concorrentes, as empresas interessadas, elas não terão dados de orçamento. Mas a própria proposta de lei prevê que os órgãos de controle interno e externo terão acesso a essas informações. O objetivo é pôr fim à combinação de preços por parte das empresas”, disse Silva Jr.

Quem quiser que acredite, mas em quem costuma mudar de opinião sobre assuntos importantes como se trocasse de roupa, é difícil de se confiar. Além do que, dentro destas palavras do ministro, várias interpretações contraditórias podem serem feitas. Como as empresas participantes da licitação não terão acesso aos valores e os órgãos de controle interno e externo terão? Ou será só depois de feito alguma irregularidade? Como o governo pretende cortar gastos, se em uma obra como a do Maracanã, recentemente superfaturado e reformado para o Pan de 2007, está orçado em quase 1 bilhão de reais, e o valor ainda pode aumentar?

A entidade máxima do futebol, a FIFA, recentemente mergulhada em uma crise política aonde membros de alto poder foram flagrados em troca de e-mails confirmando corrupção na escolha de sedes de Copa, como a de 2022, no Qatar, que teria comprado votos dos membros votantes para receber o Mundial em 22. Ainda nessa crise, Ricardo Teixeira teria recebido propina de uma empresa ex-parceira da FIFA. No final, o presidente da Confederação Asiática de Futebol e único adversário de Josepp Blatter, presidente da FIFA, na eleição da cadeira mais importante da entidade, Mahamed Bin-Hamman foi afastado para sempre do futebol.

E o que tudo isso tem com a medida provisória aprovada pelos deputados brasileiros e a Copa de 14? É mais do que óbvio, mas a FIFA, internamente, comemorou a aprovação da MP 527 pelo congresso brasileiro, segundo informou o repórter do jornal “O Estado de S. Paulo” na Suíça, Jamil Chade.

Quando o Brasil foi aclamado como país sede do Mundial de 2014, sendo candidato único, e nossos políticos (presidente, governadores, deputados, senadores) foram até Zurique, na Suíça, sede da FIFA, em um total gasto desnecessário do dinheiro do contribuinte, ao lado do mandatário do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, que por sua vez discursou dizendo que não haveria um centavo sequer de dinheiro público na construção dos novos estádios. Estava explicito que ali foi dita a primeira mentira envolvendo as obras para 2014.

Será apenas coincidência que em qualquer grande evento no Brasil, envolvendo cifras milionárias e até bilionárias, o atraso no início das obras seja frequentes e que aparecimento de medidas arbitrárias facilitando a inlisura e corrupção, levando o nosso dinheiro público o ralo? Assim aconteceu nos jogos Pan-Americanos, em 2007, acontece em maior escala agora para a Copa de 2014, e ainda tem a Olimpíada de 2016.

Enquanto isso, pouco se fala realmente da infra-estrutura para esses eventos, que realmente pouco importa que seja para esses eventos, como metrô, aeroporto, estradas, segurança, saúde, educação, enfim, aonde o poder público tem o dever de investir, independente de uma Copa ou Olimpíada.

É sempre bom ressaltar que muitos políticos que votaram “sim”, nesta MP, podem nem terem tido a convicção de seus votos, mas por acordos políticos entre partidos acabaram votando para a aprovação. Da mesma forma alguns que votaram “não” também votaram por questões políticos e por serem da oposição, batendo de frente com a situação. Em todo caso, vamos a listagem dos deputados cariocas que votaram na aprovação da MP 527/11. Pela ordem o nome do deputado, seu partido e sua orientação pela aprovação ou não da medida:

Arolde de Oliveira (DEM) – Não
Jandira Feghali (PCdoB) – Sim
Brizola Neto (PDT) – Sim
Marcelo Matos (PDT) – Sim
Miro Teixeira (PDT) – Não
Felipe Bornier (PHS) – Sim
Edson Ezequiel (PMDB) – Sim
Eduardo Cunha (PMDB) – Sim
Fernando Jordão (PMDB) – Sim
Nelson Bornier (PMDB) – Sim
Washington Reis (PMDB) – Sim
Dr. Carlos Alberto (PMN) – Sim
Jair Bolsonaro (PP) – Sim
Simão Sessim (PP) – Sim
Anthony Garotinho (PR) – Não
Dr. Paulo César (PR) – Sim
Francisco Floriano (PR) – Sim
Lilian Sá (PR) – Sim
Neilton Mulim (PR) – Sim
Zoinho (PR) – Sim
Vitor Paulo (PRB) – Sim
Glauber Braga (PSB) – Sim
Romário (PSB) – Sim
Deley (PSC) – Sim
Filipe Pereira (PSC) – Sim
Chico Alencar (PSOL) – Não
Jean Wyllys (PSOL) – Não
Alessandro Molon (PT) – Sim
Benedita da Silva (PT) – Sim
Chico D’Angelo (PT) – Sim
Eliane Rolim (PT) – Sim
Alfredo Sirkis (PV) – Sim

Foram 272 “Sim”, 76 “Não” e 3 abstenções.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, disse ao portal “Terra” que a medida provisória 527/11 é inconstitucional. “Todo setor público que manuseia recursos públicos está compelido a prestar contas. Prestar contas a si mesmo não é prestar conta”, disse Marco Aurélio.

“A ‘coisa pública’ não pertence a quem quer que seja, ela é do coletivo, do povo. E evidentemente tem que se primar pela transparência. É um retrocesso”, finalizou.

A MP foi votada na Câmara dos Deputados e será levada a votação no Senado, posteriormente será encaminhada para a aprovação da presidenta Dilma Rousseff, que já se manifestou a favor da medida.

Um importante meio que temos para nos manifestar a qualquer coisa com os deputados e senadores é acessar o site da Câmara e Senado para enviar e-mails manifestando seu descontentamento com o que eles tem feito. Fomos nós, o povo, que colocamos eles lá e pagamos o seus salários para poderem servir de instrumento de nossos interesses.

Clique neste link: ( http://www2.camara.gov.br/participe/fale-com-o-deputado ) e mande e-mail para o deputado que você votou, ou qualquer outro e cobre.

por Aldir Junior de Sales Gomes

População da Rocinha já é maior que a de 92% das cidades brasileiras

sábado, maio 21st, 2011

Com quase 70 mil moradores, favela cresceu 23% em número de habitantes na última década

Uma única favela carioca possui mais moradores que 92% dos municípios brasileiros, ou seja, 5.138 cidades, segundo dados do censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os 69.356 moradores da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, têm à sua disposição dentro da própria comunidade comércio variado, bancos e postos de saúde. Esses são alguns dos pontos positivos que explicam o crescimento de 23% em número de habitantes nos últimos dez anos, enquanto a cidade do Rio cresceu 7,9%.

Nascido e criado na favela, o fundador do portal Rocinha.org, Ocimar Santos, de 44 anos, afirma que existem até pessoas morando nos subsolos, já que o crescimento horizontal da comunidade foi limitado com muretas pela prefeitura.

- O aumento do número de habitantes da Rocinha é silencioso, pois a população cresce verticalmente, e não só para cima. Há pessoas morando no alto de lajes ou no subsolo, debaixo de pedra.

Santos diz ainda que o perfil do morador da Rocinha é difícil de definir, pois há pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e outras com condições para morar em qualquer bairro do Rio. Ele vê a favela como uma cidade popular, com internet gratuita, complexo esportivo, escola de samba e casa de show.

A coordenadora executiva da ONG (Organização Não-Governamental) Rio Como Vamos, Thereza Lobo, explica que uma das razões para o aumento populacional na comunidade é a sua localização.

- A Rocinha está em uma área de confluência de mercado de trabalho, de transporte e de lazer [praias e shoppings]. Às vezes, temos uma ideia velha do que é favela, pois ela também tem algo a oferecer para seus moradores e não apenas problemas.

O administrador regional da Rocinha, ligado à subprefeitura da zona sul, Jorge Collaro, conta que as famílias que moram na favela ainda recebem parentes de outros Estados, que vêm tentar a vida no Rio. Para ele, isso explica ainda mais o crescimento populacional na comunidade.

- A Rocinha é predominantemente nordestina, e cada morador vai trazendo aos poucos o resto da família. As gerações vão ficando e aumentando. As pessoas que estão em áreas de risco não querem sair para outra comunidade, até porque a maioria da mão de obra da Rocinha consegue trabalho no seu entorno.

O pesquisador Renato Balbim, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que os investimentos públicos que valorizam a favela devem vir acompanhados de uma política de moradia.

- Os processos recentes de urbanização de certas favelas, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], aumentam o interesse por essas localidades beneficiadas. E cria-se, assim, outro problema: o risco de perder rapidamente as melhorias com a alta concentração de pessoas.

Problemas com o crescimento populacional

As mais de 13 mil pessoas que passaram a morar na Rocinha na última década agravaram problemas como ventilação, alargamento de vias e condições sanitárias. O coordenador Collaro afirma que as principais demandas da população local são a limpeza dos rios, a iluminação e o asfaltamento das ruas.

- A população não pode aumentar mais na Rocinha, pois, mesmo tendo 750 mil m², não há mais espaço.

A solução, para Balbim, depende da intervenção do poder público para construir habitações com preço acessível às pessoas que vivem em favelas, em uma localidade que não seja excluída do resto da cidade.

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Favela fica próxima à praia de São Conrado, na zona sul do Rio.
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…Uma única favela carioca possui mais moradores que 92% dos municípios brasileiros, ou seja, 5.138 cidades, segundo dados do censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os 69.356 moradores da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, têm à sua disposição dentro da própria comunidade comércio variado, bancos e postos de saúde. Esses são alguns dos pontos positivos que explicam o crescimento de 23% em número de habitantes nos últimos dez anos, enquanto a cidade do Rio cresceu 7,9%.

Nascido e criado na favela, o fundador do portal Rocinha.org, Ocimar Santos, de 44 anos, afirma que existem até pessoas morando nos subsolos, já que o crescimento horizontal da comunidade foi limitado com muretas pela prefeitura.

- O aumento do número de habitantes da Rocinha é silencioso, pois a população cresce verticalmente, e não só para cima. Há pessoas morando no alto de lajes ou no subsolo, debaixo de pedra.

Santos diz ainda que o perfil do morador da Rocinha é difícil de definir, pois há pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e outras com condições para morar em qualquer bairro do Rio. Ele vê a favela como uma cidade popular, com internet gratuita, complexo esportivo, escola de samba e casa de show.

A coordenadora executiva da ONG (Organização Não-Governamental) Rio Como Vamos, Thereza Lobo, explica que uma das razões para o aumento populacional na comunidade é a sua localização.

- A Rocinha está em uma área de confluência de mercado de trabalho, de transporte e de lazer [praias e shoppings]. Às vezes, temos uma ideia velha do que é favela, pois ela também tem algo a oferecer para seus moradores e não apenas problemas.

O administrador regional da Rocinha, ligado à subprefeitura da zona sul, Jorge Collaro, conta que as famílias que moram na favela ainda recebem parentes de outros Estados, que vêm tentar a vida no Rio. Para ele, isso explica ainda mais o crescimento populacional na comunidade.

- A Rocinha é predominantemente nordestina, e cada morador vai trazendo aos poucos o resto da família. As gerações vão ficando e aumentando. As pessoas que estão em áreas de risco não querem sair para outra comunidade, até porque a maioria da mão de obra da Rocinha consegue trabalho no seu entorno.

O pesquisador Renato Balbim, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que os investimentos públicos que valorizam a favela devem vir acompanhados de uma política de moradia.

- Os processos recentes de urbanização de certas favelas, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], aumentam o interesse por essas localidades beneficiadas. E cria-se, assim, outro problema: o risco de perder rapidamente as melhorias com a alta concentração de pessoas.

Problemas com o crescimento populacional

As mais de 13 mil pessoas que passaram a morar na Rocinha na última década agravaram problemas como ventilação, alargamento de vias e condições sanitárias. O coordenador Collaro afirma que as principais demandas da população local são a limpeza dos rios, a iluminação e o asfaltamento das ruas.

- A população não pode aumentar mais na Rocinha, pois, mesmo tendo 750 mil m², não há mais espaço.

A solução, para Balbim, depende da intervenção do poder público para construir habitações com preço acessível às pessoas que vivem em favelas, em uma localidade que não seja excluída do resto da cidade.

À direita, na foto, o amontoado de casas contrasta com a piscina de uma casa na estrada da Gávea, que abriga inúmeras mansões (Foto: Agência O Dia)
Fonte R7.

Senador Crivella visita Jacarezinho e promete levar o PAC 2 para a favela

sexta-feira, maio 20th, 2011

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) esteve hoje visitando o Jacarezinho acompanhado de lideranças locais. A intenção da visita foi verificar as necessidades da favela e reafirmar que estará lutando junto ao governo federal para incluir a comunidade no Programa de Aceleração do Crescimento 2, o PAC 2.

- Eu e boa parte da bancada federal do Rio achamos que hoje a comunidade mais carente do Rio é o Jacarezinho. Por isso, vou falar com a presidente Dilma e lutar para incluí-la no PAC 2. Aqui falta tudo: saneamento, creche, lazer, serviços sociais – disse Crivella.

Segundo Crivella, o projeto para incluir o Jacarezinho no PAC 2 está pronto, precisando apenas ser priorizado na seleção dos investimentos do programa federal, que já está em andamento.

 

 

MEMORIAL DO VALONGO

sexta-feira, abril 29th, 2011

A localização de um antigo Cais, a mais ou menos 1,5 m de profundidade na Região denominada Valongo, traz a tona uma História que as elites brasileiras sempre tentaram encobrir, primeiro com a construção sobre ele do Cais da Imperatriz e, posteriormente, nas primeiras décadas do Século XX, com o aterro do mar a sua frente para a grande reforma da Zona Portuária e a abertura da atual Avenida Barão de Teffé, com acesso às ruas Camerino e Sacadura Cabral. Com isto, tudo indicava que o “trabalho” tinha sido perfeito. Como num passe de mágica estavam apagadas para sempre, grande parte de nossas orígens históricas.
Transformado em corredor de passagem, o local do desembarque da maioria de africanos, capturados na África para serem escravizados nas Américas, inclusive após a proibição do tráfico, ficaria soterrado para sempre, obra que seria completada com misterioso sumiço dos documentos da época, em sendo assim, nenhuma outra referência restaria para o Negro Brasileiro daquele período.
Quase um século depois, numa intervenção de vulto ainda maior, rompe-se definitivamente com esse período de trevas e uma grande luz volta a brilhar sobre a Região, como se tudo voltasse a sua ordem natural. Novamente lá estão os que sobreviveram ou não da trágica viagem; os primeiros trabalhadores brasileiros com o seu primeiro Sindicato e sua primeira greve dos carregadores do porto – Aniceto; na escadaria esculpida na rocha para compartilharem da imensa dor de serem tratados como animais – na Pedra do Sal, transformam tudo em pura arte. Os estivadores todos reincorporados, recriam os primeiros sambas – Donga João da Baiana, Heitor dos Prazeres e tantos outros; Dom Obá II em audiência com o Imperador reclama dos maus tratos impostos aos negros da região; Machado de Assis, desce novamente suas ladeiras para ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos e fundador da Academia Brasileira de letras. Uma poderosa tsunami surge a distância para acordar as gerações atuais, órfãs por uma trama deliberada de todas essas raízes, muitas delas presentes nos raros livros de Lima Barreto.
Diante de tudo isso a população do Rio de Janeiro não pode se omitir e começam as primeiras iniciativas contra esse possível novo soterramento. No dia 17 de março de 2011 de 2011 é lançada a Carta do Valongo com a proposta da criação no local de um Memorial da Diáspora Africana, assinada por representantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil, seguida de reuniões sucessivas (11, 18, 24 e 27 de abril) para dar sustentação a proposta, ficando decidida uma grande manifestação no local no DIA 13 de Maio, com marcação anterior de uma agenda com autoridades da Prefeitura para apresentação do projeto de preservação do prédio Docas D Pedro II, uma construção de André Rebouças.
Inteligentemente divididos em duas frentes, uma na esfera oficial Fundação Cultural Palmares, CEDINE, SUPPIR E CEPPIR e, outra junto à sociedade civil IPCN, CUT RJ, UNEGRO, 100 ÁFRICA, ESTIMATIVA, INCUBADORA AFRO BRASILEIRA, CEAP, ARQUIPEDRA, COMDEDINE, REPÚBLICA DO SAMBA, GABINETE DO DEP. GILBERTO PALMARES, CENTRO CULTURAL DO QUITUNGO, AFRO BRASIL TURISMO, seguem as discussões a procura da melhor maneira de referenciarmos nossa história e nossos antepassados.
As reuniões que ja foram realizadas na Palmares Rio e DAPIBGE, quando conjuntas, para discussão apenas da Sociedade Civil, foram transferidas para a sede do IPCN – Avenida Mem de Sá 208, junto à Cruz Vermelha. A próxima está marcada para a terça-feira, 05 de maio de 2011, a partir das 17 horas. Compareça! Convoque a nossa gente! Venha reescrever a nossa História!

De: Recuperação do IPCN (Instituto de Pesquisa das Culturas Negras)

DEPUTADA DO PARLAMENTO EUROPEU CONHECE FAVELAS DO RIO EM VISITA EXTRA OFICIAL

sexta-feira, abril 15th, 2011

A ANF esteve durante todo dia de  hoje acompanhando a visita da deputada do Parlamento Europeu Britta Thomsen, em uma visita extra oficial às favelas do Rio. A primeira visitada foi a favela do Metrô-Mangueira, onde a parlamentar viu uma favela que está sendo demolida e moradores convivem com ratos, mosquitos e a dengue. Depois a Thomsen foi recebida na Mangueira pelo vice presidente da Associação de Moradores, Silmar Bombeiro, que levou a equipe para uma visita na quadra da Estação Primeira. Logo após, foram recebidos no Jacarezinho por lideranças locais.

Aguardem mais informações…

OBRAS NO MORRO DO BUMBA AVANÇAM

quinta-feira, dezembro 9th, 2010

A forte chuva que atingiu o município de Niterói, no último domingo, não afetou as obras já realizadas pela Secretaria estadual de Obras, no Morro do Bumba. Como o projeto de terraplanagem já se encontra concluído, bem como as drenagens profundas, a chuva não causou nenhum dano à estabilidade do terreno. Não houve deslizamento ou erosão de solo ou de lixo. O que aconteceu, considerado normal durante obras de engenharia dessa magnitude, foi o carreamento de saibro (argila limpa sem nenhum tipo de contaminação, utilizada na cobertura do maciço) pelas águas, ocasionando o acúmulo de lama na Rua Viçoso Jardim.

O governo do estado está investindo R$ 35 milhões em obras de recuperação dos morros do Bumba e do Céu, incluindo a retirada de escombros e lixo. Apenas no Bumba, foram retiradas 86 mil toneladas de resíduos e demolidas 180 residências. O projeto prevê ainda a estabilidade e contenção do local, implantação de sistema de drenagem de nascentes, de águas da chuva e chorume, além de plantio de árvores e grama.

Desde o começo das intervenções, iniciadas logo após a tragédia de abril passado, já foi concluída a terraplanagem, drenado o fundo do vale e implantada a drenagem do chorume e das nascentes, separadamente. Foi feita drenagem específica para a nascente próxima ao lixão, conduzindo a água para o chorumoduto do município, que leva para estação de tratamento de Icaraí. A outra foi ligada ao sistema de drenagem da rede municipal pluvial. A impermeabilização com argila está em fase de conclusão, assim como a colocação de placas de grama. O episódio não acarretará atraso nas obras, que devem ser concluídas no fim de janeiro. Em Viçoso Jardim, também estão em construção 180 unidades habitacionais destinadas a desabrigados do Bumba e Morro do Céu.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Obras

OBRAS NO COMPLEXO DO ALEMÃO

quinta-feira, dezembro 9th, 2010

As obras do teleférico do Complexo do Alemão entram na fase final em ritmo acelerado. Além dos cabos que já foram instalados, as estações estão sendo finalizadas e as casas do entorno que receberão melhorias já estão em obras. A proposta também é transformar o teleférico num pólo irradiador de cultura, levando para as estações bibliotecas, salas de leitura e auditório. São, ao todo, seis estações entre Bonsucesso e a Fazendinha, que irão integrar todo o complexo e garantir à população mais velocidade e qualidade no transporte do dia-a-dia.

Esse é o primeiro teleférico integrado ao transporte de massa do país e deverá atender cerca de 30 mil usuários ao dia. Hoje, quem chega à estação ferroviária de Bonsucesso e mora na Fazendinha leva, em média, mais de uma hora e meia de deslocamento. Com o novo sistema o mesmo trajeto será feito em 16 minutos. A expectativa é de que a região transforme-se em um importante ponto turístico da cidade, dinamizando a economia local e construindo novas oportunidades para a população.

- Estou muito animada com o teleférico, porque ele, certamente, irá atrair turistas e melhorar a condição de vida da população. Pela primeira vez, em 48 anos que moro na comunidade, vejo entrarem obras que valorizam a região e projetos que garantirão uma vida melhor para todos. Há muito precisávamos de uma atenção como estamos recebendo agora – frisou a maranhense Célia Fernandes, de 59 anos, que mora a 48 anos no Morro da Baiana.

O teleférico tem 3,5 quilômetros de extensão e contará com 152 gôndolas, com capacidade para dez passageiros cada. Além da integração com a estação ferroviária de Bonsucesso, estão em fase de conclusão as estações do Morro do Adeus, Baiana, Alemão, Itararé/Alvorada e Fazendinha. Além da obra das estações e de quadras esportivas, foram construídas ruas de acesso, feitas obras de urbanização, com a construção de praças e plantio de grama em determinadas áreas de encostas, além da melhoria das casas próximas.

Já foram entregues na comunidade 728 unidades habitacionais; áreas de lazer e esportivas; um Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep); o colégio estadual Jornalista Tim Lopes; um Complexo de Atendimento à Saúde (CAS), com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24H); sistema de distribuição de água, coleta de esgotos e sistema de drenagem da Rua Canitar.

 Fonte:  Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Obras