Archive for the ‘Cultura’ Category

ENCONTRO COM A CULTURA

quinta-feira, dezembro 1st, 2011

A Superintendência de Cultura e Sociedade da Secretaria de Estado do Rio de Janeiro, tem a imensa satisfação de convidá-lo(a) a participar de um encontro no dia 8 de dezembro de 2011, para juntos(as) trocarmos ideias e desenharmos ações e estratégias que contribuirão com a formulação das próximas ações, ou seja, das políticas públicas na área de cultura para os territórios pacificados, fundamental na construção de espaços mais democráticos e inseridos na geografia da cidade, neste sentido as ações de cultura vem mostrando ser fundamentais para elevar a autoestima, resgatar a memória, resistir às adversidades da vida e abrir oportunidades de circulação dentro e fora dos territórios.

Sua presença é fundamental para conhecemos a diversidade e pluralidade tanto de demandas quanto de visões de cada uma das várias comunidades que compõem os diversos territórios. Somente você poderá nos ajudar a conhecer essa diversidade e potencializar todas as experiências, rumos e as histórias dos(as) agentes culturais locais.

Dia: 08 de dezembro (quinta-feira)
Local: auditório do 11º andar
Horário: 14h às 17h
Assunto: edital voltado para essas áreas

GERENTES DO ECAD IRÃO DEPOR EM CPI

quarta-feira, novembro 30th, 2011

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que investiga irregularidades no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), presidida pelo deputado André Lazaroni (PMDB), receberá, nesta quinta-feira (01/12), às 13h, na sala 311 do Palácio Tiradentes, os gerentes Administrativo e Financeiro, Mario Jorge Taborda Lopes, e de Operações, Ubilnake Freitas Lobão, ambos do Ecad.

“A CPI não pretende brigar com o Escritório, mas fazer com que a entidade tenha consciência das falhas e injustiças, bem como ajudar a combater fraudes que podem acontecer em um sistema que centraliza toda a arrecadação e distribuição dos direitos autorais no País”, afirmou Lazaroni.

Na última audiência da CPI, o deputado requereu ao Ecad as planilhas com os valores arrecadados e distribuídos nos últimos três anos. Também foram solicitadas as notícias-crime, documentos com informações de violações penais que denunciaram práticas ilegais de fiscais da entidade.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ALERJ

MANO BROWN FAZ MÚSICA EM HOMENAGEM À CARLOS MARIGHELLA

domingo, novembro 20th, 2011

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=iwGkohFlDrw

Mesmo sem ter lançado seu CD e com previsão de lançamento para 2012, Mano Brown, líder do grupo Racionais MC’s já faz sucesso com a música que fez em homenagem ao líder revolucionário Carlos Marighella, fundador da ALN – Ação Libertadora Nacional. A música teria sido reproduzida em uma rádio, colocada em um vídeo no youtube e em alguns deles já conta om mais de cento e trinta mil visualizações. O vídeo publicado aqui, tem poucas visualizações, porém tem uma melhor edição que os demais.

SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO PATROCINARÁ EVENTO DE POESIA NO JACAREZINHO

segunda-feira, novembro 14th, 2011

Poeta Dudu Pererê no Jacarezinho

A Agência de Notícias das Favelas, começará em janeiro de 2012 a realizar o REP – Ritmo E Poesia, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. O evento acontecerá na Praça da Concórdia e será realizado quinta-feira sim, quinta-feira não, durante seis meses, começando no dia 12 de janeiro, às 19h. O REP foi idealizado pelo sociólogo e poeta Dudu Pererê, que obteve o apoio da psicóloga Alice Souto e do novo secretário executivo da ANF, Felippe Marques, para elaborarem o projeto, que foi inscrito em um edital de eventos da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. A idéia do evento é reunir com o microfone aberto, poetas da favela com poetas do asfalto, com a possibilidade de centenas de manifestações da poesia,  seja ela declamada ou cantada pelos MC’s do hip hop ou funk.

CONSCIÊNCIA NEGRA

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Estamos no mês consagrado à Consciência Negra, data festiva, onde todos os negros prestam homenagem ao herói brasileiro Zumbi dos Palmares.

Quando o Papa Bento XVI, visitou o Rio de Janeiro, num dos seus discursos disse que: – os índios e negros aceitavam com mansidão o processo de evangelização e que os negros eram calmos e satisfeitos com seus donos (algozes) porque tinham o que comer e onde morar.

Ora, o Brasil em sua imensidão com quase 9milhões de quilômetros quadrados, tinha fartura de alimentos em suas faunas. Logo, comer para os negros não seria problema e nem favor. A submissão do negro ao senhor branco, aconteceu apenas aparentemente porque de fato, o que havia era muita revolta e motins, com o objetivo de fuga e liberdade, além das vinganças cotidianas pelos maus tratos.

No livro História de São Mateus – município do Espírito Santo, pág.60, está escrito: – Dentre as atitudes pessoais de revolta, a tradição oral de São Mateus dá conta de um certo “pó de amansar sinhô”, que era um tipo de envenenamento lento, feito com a cabeça de cobra Preguiçosa torrada e depois moído e que era colocado nos alimentos. Vidro moído, também era colocado na comida e até assassinato a mão armada eram formas de vingança contra os cruéis senhores (Conf. narração do Mestre Balduíno, já falecido).

Toda história contada pelos colonizadores, assim como aquela fala do Papa Bento XVI, devem ser vistas com ressalvas.

No mês da negritude, temos a obrigação de informar, conscientizar e incentivar o nosso povo negro, para que ele saia desse incômodo silêncio de inocente, o qual já incomodava o outro grande líder – Martin Luther king.

Já passou da hora das favelas, maior concentradora de negros, descerem os morros para cobrar que se cumpra definitivamente tudo que está escrito na Constituição Federal. Também está na hora das nossas Nizingas (guerreiras), seguirem os exemplos de Zacimba Gaba, heroína, escrava do fazendeiro português José Trancoso, princesa de sua tribo africana. Revoltada com as torturas por que passou, entre tantas, o estupro, Zacimba liderou um grupo que se embrenhou nas matas e formou um quilombo às margens do Riacho Doce, região noroeste do Espírito Santo. No quilombo, Zacimba organizou grupos de ataques aos navios negreiros. Atacavam à noite em alto mar com canoas, dominavam a tripulação, libertavam os cativos e levava-os para o seu quilombo. Zacimba morreu em plena atividade guerrilheira, atitude digna de uma princesa que se tornou a primeira heroína negra de São Mateus. Zacimba Gaba era princesa da nação Cabinda, em Angola.

Em homenagem a Zacimba, fiz a segunda parte do meu samba – O Falso Guerrilheiro. É a história de um político desses que se diz de esquerda e que entrou no nosso quilombo urbano a favela do Jacarezinho, maior concentradora de negros em favelas no Rio de Janeiro, pedindo votos e falando que fazia e acontecia. Chegou de lenço vermelho e usando uma boina tipo Che Guevara. Vejam o que aconteceu com ele no meu samba:

LOGO CHEGARAM AS DANDARAS

DO MUNDO DA GENTE

SÃO NEGRAS VIBRANTES

E DE SANGUE QUENTE

NIZINGAS MARCANTES ELEGANTES DEMAIS

LEVARAM O FALSO GUERREILHEIRO

PRO MEIO DA FAVELA

DERAM UM PAU NO SAFADO

NOS BECOS VIELAS

PENDURARAM NO TRONCO COMO EM TEMPOS ATRÁS.

 

Rumba Gabriel

 

 

LIVROS NO COMPLEXO DO ALEMÃO

quinta-feira, novembro 3rd, 2011

Quem passar pela Vila Cruzeiro sábado (dia 05) poderá escolher um dos 1.000 livros que estarão sendo distribuídos. Não se acanhe, é de graça. A única contrapartida é que passe adiante depois de ler, para que outros também possam desfrutar da boa leitura.

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 A ação é do Projeto Livro de Rua, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, na programação do Prazer em Ler – Crônicas do Rio.

O evento acontecerá na Praça São Lucas de 10h às 13h.

A libertação dos Livros será realizada em conjunto com a Taberna dos Bardos, onde serão contadas histórias sobre o Rio de Janeiro.

 Os títulos são variados, de autores clássicos e modernos, nacionais e estrangeiros, para adultos, jovens e crianças. O Projeto Livro de Rua entende que livros não são para ficar presos em estantes pegando poeira. São para circular. Daí porque falamos em libertação de livros. Leia e passe adiante. Neste simples ato reside o cerne do Projeto Livro de Rua, focado no incentivo e na democratização da leitura no país.

Todos os livros são doações feitas por pessoas que decidiram esvaziar suas estantes. Com esta iniciativa, o projeto dá mais um passo em direção à sua meta de difundir e democratizar a leitura e levar o livro para as praças públicas, onde o povo está.

Vamos ler Vila Cruzeiro!!!

Arte Cidadã reinicia sua missão de gerar empregos para os moradores da Rocinha.

domingo, outubro 30th, 2011

O Arte Cidadã, projeto da Escola de samba Acadêmicos da Rocinha em parceria empreendedora com a Petrobras, está de volta com mais cursos para jovens e adultos. Com cursos nas áreas de produção do carnaval, idiomas, informática, artes cênicas e fotografia, hoje a Acadêmicos da Rocinha é uma das maiores instituições sociais do Rio de Janeiro.

O projeto Arte Cidadã tem como objetivo a inserção de seus atendidos no mercado de trabalho. Serão ao total 1060 vagas onde, além dos cursos, serão oferecidas aulas de planejamento familiar, legislação, dicas da língua portuguesa, dicas sobre o mercado de trabalho e outros temas importantes para formação desses jovens e adultos.

No dia 19 de outubro iniciamos nossas atividades com uma grande aula inaugural onde expusemos para todos os interessados como será o andamento dos cursos e suas respectivas cargas horárias.

Dentro do núcleo de carnaval serão ministrados cursos de corte e costura, chapelaria, modelagem, enfesto, corte e adereçaria. Neste núcleo os alunos poderão participar da produção do carnaval 2012 dentro de nossa agremiação e ajudarão a produzir, como atividade complementar, a escola de samba mirim Borboleta Encantada que falará esse ano das aventuras escritas e televisivas de Monteiro Lobato.

É de extrema importância que nossos alunos possam ver seus conhecimentos aplicados em um grande desfile que ocorrera dentro da Rocinha. Não será somente um curso, será parte da historia de vida dos profissionais formados por nossa agremiação que poderão ver as fantasias produzidas durante o curso sendo utilizadas para gerar alegria entre as crianças de nossa comunidade.

No núcleo de idiomas ofereceremos cursos de inglês e espanhol técnico para recepção turística. Pensando nos grandes eventos que ocorrerão dentro da sociedade carioca nos próximos anos, formaremos cidadãos e profissionais capazes de apoiar a estrutura turística da cidade que necessitará de qualificação.

O núcleo de informática continuará dando suporte para o aperfeiçoamento de profissionais capazes de utilizar a tecnologia a favor de sua profissão. Nesses cursos pretendemos difundir a utilização de softwares livres e a utilização da tecnologia da informação como canal governamental.

As artes cênicas produzirão peças e ações culturais afirmativas para acesso dos moradores da nossa comunidade a produtos e bens culturais. Dentro desse núcleo teremos teatro, maquiagem e fotografia.

Todos os cursos terão como principal meta pedagógica o ”fazer para aprender”.

Com duração de 1 ano o projeto terá duas grandes feiras de empregabilidade que pretende trazer inúmeras empresas de grande porte para dialogarem com a comunidade sobre as necessidades do mercado de trabalho. O grande foco de nossa feira será a geração de emprego para os moradores de nossa comunidade e para toda sociedade carioca.

Quem possuir interesse em fazer parte dos nossos cursos, poderão comparecer na quadra da Acadêmicos da Rocinha, que fica situada na Rua Bertha Lutz, 80 com identidade, CPF e comprovante de residência  para fazer sua inscrição.

FESTA BLACKIN – ROCINHA

segunda-feira, outubro 24th, 2011

httpv://www.youtube.com/watch?v=btO-W69O3Z8

FAVELA X DISCRIMINAÇÃO

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Uns dos elementos primordiais do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas.

No Rio de Janeiro, cidade que alguém já chamou de “partida”, se pode sentir sempre uma linha tênue de convivência do que se chama de “cidadãos do asfalto” e ‘nós do morro” isto é, os moradores nas comunidades carentes. Carentes de infraestrutura, de dinheiro e de preocupação dos políticos para com eles e elas.

A estratégia da distração se dá ai: enquanto as elites políticas e econômicas exploram indistintamente moradores das duas cidades partidas do Rio, a do morro e a do asfalto, em nível maior ou menor, para estes e aqueles.

O processo de demonização e isolamento das zonas periféricas no Rio de Janeiro não é algo recente. Historicamente o sub-urbio, ou seja, aqueles pertos do centro de poder, da urbe, menosprezando aqueles que ficam longe.

Segundo a pesquisadora Vera Malaguti Batista, o Rio de Janeiro do século XIX era uma cidade africana. A autora nos diz que a cidade do Rio e os motivos que fizeram com que o Estado adotasse políticas extremamente intolerantes e direcionadas aos negros e aos seus locais de habitação “A questão é que a entrada maciça de africanos na cidade, entre as décadas de 30 e 50, transformou a mui leal e heroica cidade do Rio de Janeiro num palco de vigorosos embates em todos os níveis, evocando medos, suspeitas, violências e resistências”.

Nesse sentido, segundo a criminóloga, a atitude de separação e  suspeita carregam um forte conteúdo de seletividade e estigmatização, antes para o negro, hoje para o favelado, morador de comunidade.

No espaço público, há uma tendência a se evitar confrontos, porém nos subterrâneos sociais, no espaços privados, longe das luzes do politicamente correto,  ocorre uma demonização velada por parte de alguns moradores do “asfalto” e o isolamento das favelas do Rio de Janeiro produziram um efeito perverso associando tal ritmo ao crime e estigmatizando  toda produção cultural dos pobres.

 “SHHHHH! Não se fala nisso, é politicamente incorreto!” É o que se lê ou se ouve em algumas conversas nas ruas, ou mais recentemente nas redes sociais na internet.

Infelizmente tive acesso a uma dessas conversas e fiquei altamente indignado com seu conteúdo. Vejam só o teor do diálogo:

Usuário X:… “esquece o politicamente correto e entre para o projeto “se essa rua fosse minha”. 
Este é um projeto afiliado ao “favela-bairro”, e funciona assim: você adota uma rua de uma favela para que possam ladrilha-la com pedrinhas de plutônio, urânio e césio. Assim, a população irá ser esterilizada e morta aos poucos pela radiação. E a noite o morro ficará brilhando, em um lindo espetáculo visual
!

Usuário Z “Não adianta matar,! Tem que cortar o mal pela raiz! ESTERILIZAÇÃO UNIVERSAL!

Usuário Y “Putz! onde se faz o cadastro para o projeto “se essa rua fosse minha”?????????? Quero apadrinhe 4 ruas!!!!!!!!! Uhuuu!
Usuário T:”Eu quero apadrinhar uma avenida, e quero um busto meu celebrando meu ato de filantropia!

Achei os comentários preconceituosos demais: primeiro porque não sabem como é a vida em favela. È sofrida, difícil, mas solidária, honesta, e tem seus momentos de alegria. A música, a poesia do Samba e do Funk estão ai para provar e registrar esses momentos. Segundo que acham que só porque se é favelado se tem mau gosto ou é burro. Sou crescido em favela, no Complexo do Alemão, no Morro da Baiana, professor de inglês, e estou para concorrer a um mestrado em Educação.

Todos os meus amigos que vêm de outros países ficam admirados com a beleza plástica e a opção arquitetônica popular das favelas do Rio. Somente o nosso “complexo de vira-latas” não permite perceber isso. “nascer e crescer em favela não é sinônimo de ter mau-gosto ou ser burro”. Ser preconceituoso, sim, é sinônimo de ter mau-gosto ou ser burro. Propor esterilização social (algo que já acontece, se se vê os dados do SUS) é algo que Hitler e Gobles propuseram para várias etnias e grupos sociais. Pobreza de espírito e de informação em todas as camadas, como acabo de confirmar com esses comentários.

Os comentários que li e que poupo os cinco leitores deste texto, estavam com um forte recheio de misantropia. A (des)consideração à “procriação dos favelados”  (sic) era a tônica das pessoas que discutiam comigo no fórum dessa rede social, que é um livro de rosto aberto para todos.

Um discurso desmerecedor das comunidades do Rio de Janeiro, dizendo, por exemplo, que: “A favela não é bela e nunca será… Nem que Picasso reencarne e a pinte de neon!”
como diz a matéria do jornalista André Fernandes “Favelas ou Comunidades?  “Favela é favela e caso aconteça de um dia deixar de ser favela, como querem alguns, não será porque os governantes são bonzinhos, mas porque houve muita cobrança por parte de vários líderes, que deram suas vidas para que hoje elas tivessem as melhorias que estão recebendo.”

Eu que sou cria de duas das mais pobres e lutadoras regiões do país, sendo nordestino de origem e morador de favela, digo com muito orgulho: a favela tem muito que ensinar, e muito mais a mostrar: estão ai vários personagens históricos e elementos culturais que não me deixam mentir. Chamo a lembrança do Jongo, do Mestre Darcy do Jongo, do samba de Cartola, de Martinho da Vila, e de tantos outros, que fizeram e  fazem a vida cultural da cidade do Rio de Janeiro percorrer o mundo.

Claro, a favela também tem também muito que melhorar: em Educação, em infraestrutura, em renda e em empregabilidade. Mas nunca “ladrilhá-la com pedrinhas de plutônio, urânio e césio. Assim, a população irá ser esterilizada e morta aos poucos pela radiação.” Isso quem gostaria de fazer talvez fosse um Hitler ou um filhote dele.

Se caso você deparar em alguma rede social, ou conversa na rua com alguém com comentários como esses, denuncie, grite. Este país, esta cidade não pode, nem deve mais tolerar mais tais tipos de preconceitos.

Max Laureano - Professor de Inglês, tradutor  escritor.

Rodas de samba, gravações e inauguração do Bar do Rumba agitam o Jacaré

terça-feira, outubro 11th, 2011

            Sábado de muito sol e estávamos em clima samba logo muito cedo, na quadra do Unidos do Jacarezinho. Juntamos a galera do “Elo do Samba” e fazíamos algumas gravações do nosso Barbeirinho do Jacarezinho dentro da escola. Sabíamos todos que a barriga podia começar a doer a vontade que em breve estaríamos todos na inauguração do Bar do Rumba, onde era prometido um angu sem nenhum caroço. O problema é que o Jacaré é uma perdição de camaradagem e chegar do outro lado da favela pode custar muitas paradas em muitos bares nas rodas de conversas. Não deu outra! Acabávamos de fazer várias gravações e íamos numa longa caminhada em direção ao encontro marcado. A caminhada, como era de ser esperada, virou uma maratona de boteco em boteco e em determinado momento estávamos na quinta parada obrigatória, no meio da favela, e nada de angu. A barriga doía de fome no meio de tantas cervejas e conversas sem fim quando finalmente chegamos e começamos a comemorar a inauguração do bar mais fantástico da segunda maior favela da América Latina.

            O Bar do Rumba nos presenteou com um “Angu do Jacaré” que acalmou os espíritos da fome. Melhor ainda era o acompanhamento musical. Esse bar era o único, na favela com certeza, e talvez em todo o Rio de Janeiro, que tocava as músicas que brindaram o movimento estudantil e operário contra a ditadura militar. Para mim soava como uma sinfonia inédita no meio daquele cenário, para o Rumba talvez apenas mais um dia de relaxamento e alegria. Não é por acaso que o evento era uma grande homenagem ao Carlos Lamarca. Montamos mais uma vez os instrumentos e a nossa roda de samba mostrou mais uma vez que o Jacaré não deve nada a ninguém, seja nas inúmeras composições maravilhosas ou na qualidade impecável de seus históricos e atuais compositores. A atmosfera do Jacaré, de um verdadeiro celeiro de bambas, contagia e faz com que todos cantem, toquem ou rabisquem alguns versos, mas ficar parado é impossível.

httpv://www.youtube.com/watch?v=yqSYcUduaQ0

            Sei que entramos na quadra do Jacaré ainda pela manhã e no início da noite saímos da fantástica inauguração do bar pegando o caminho inverso do que chegamos. Despedimos-nos dos nossos amigos do “Elo do Samba”, que partiam para um show, enquanto nós fazíamos mais umas três paradas obrigatórias com direito a um incrível solo do Dr. da Cuíca. Chegávamos numa determinada encruzilhada de vielas onde se agrupavam, sem nenhum exagero, os melhores músicos do Jacaré. Parecia uma convenção de Velha Guarda que organizava paulatinamente uma grande roda de samba, da qual obviamente nos incorporamos de corpo e alma. Era a galera do “Bunda Rachada” que quando começou a tocar tive certeza absoluta que estava no lugar certo na hora certa.

            Ficamos por lá ainda até pelas tantas esquecendo completamente a hora e a vida, numa sintonia perfeita de som e musica que impedia todos de irem embora. Lá já não era possível fazer nenhuma gravação, pois simplesmente nossos instrumentos não permitiam.