Carnaval 2018: Última noite de desfiles

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Crédito: Caio Ferraz / ANF

Sambas-enredos com críticas ao preconceito social e religioso e outros sobre a história e a cultura brasileira e africana foram os destaques da última noite (12/02) de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. União da Ilha, Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro, Unidos da Tijuca, Império Serrano e Beija-Flor encerraram o Carnaval 2018, com alergia, irreverência e empolgação, superando as dificuldades financeiras.

Homenageando o ator Miguel Fallabela com o enredo “Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúde o povo e pede passagem”, a Unidos da Tijuca mostrou a trajetória de quase 30 anos do artista, que já foi carnavalesco e dirigente de escola de samba.

Com o intuito de transmitir uma mensagem contra a discriminação, a intolerância e o preconceito religioso a Portela chegou à avenida com o enredo “De repente de lá pra cá e Dirrepente de cá pra lá…”, mostrando a saga de imigrantes, lutando contra o preconceito e em busca de paz. A escola de Oswaldo Cruz também mostrou o percurso de judeus fugidos da Europa com destino ao Nordeste do Brasil e sua importância na formação da cidade de Nova York.

A União da Ilha do Governador ofereceu um espetáculo sobre a culinária nacional, nascida da miscigenação do povo. Com o enredo, “Brasil bom de boca”, a escola deu um festival de luz e cores, mostrando os banquetes do Brasil.

“Senhoras do ventre do mundo”, a acadêmicos do Salgueiro veio com o enredo que emocionou o sambódromo. As alegorias fizeram referências ao lado espiritual e místico vindos da África. A agremiação destacou a força da mulher negra e celebrou grandes personalidades negras femininas, como a Rainha de Sabá, deusas egípcias, Hypátia de Alexandria, a primeira cientista mulher da Antiguidade, até às matriarcas negras brasileiras.

Com o enredo, “Uma noite real no Museu Nacional”, a Imperatriz Leopoldinense mostrou ao sambódromo uma viagem fantástica pelo palácio, que foi moradia da realeza no Brasil e depois abriu suas portas para a ciência.

A Beija-Flor de Nilópolis fez uma crítica contra o preconceito religioso e social no Brasil, fazendo uma referência entre o cenário atual político e social do país e a história de “Frankenstein”, obra de Mary Shelley. Com o enredo, “Monstro é aquele que não sabe amar”, a escola criticou a falta de respeito e de amor ao que é diferente.

As agremiações premiadas e a escola campeã de 2018 irão desfilar dia 17 de fevereiro, também na avenida do samba no Centro do Rio. A organização dos desfiles será em ordem crescente, então, a agremiação que receber a maior pontuação fechará o carnaval de 2018 na Sapucaí.