Carnaval 2018: Tuiuti, o quilombo da favela, conquista o vice-campeonato

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Crédito: Reprodução internet

O morro do Tuiuti está em festa. Na tarde desta quarta-feira (14), durante a apuração dos votos, na Praça da Apoteose, a escola de samba Paraíso do Tuiuti, localizada no bairro de São Cristóvão, ficou com o segundo lugar no Carnaval de 2018, atrás da Beija-Flor, que ficou pela décima-quarta vez com o título.

Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, a Tuiuti não temeu no enredo e nem em suas fantasias, levando para a Sapucaí o Vampiro Neoliberalista, uma clara referência ao presidente Michel Temer.

Mesmo com o vice-campeonato (perdeu por um décimo), é impossível não reconhecer a garra e a ousadia da escola. Oriunda de favela e com poucos recursos financeiros, teve que dar a volta por cima, após um acidente ocorrido durante o desfile no Carnaval de 2017, ficando quase de fora do Grupo Especial – ano passado, um dos carros da escola atropelou 20 pessoas e matou uma jornalista.

A Paraíso do Tuiuti optou por questionar o escravismo do passado, conectando com as condições atuais de trabalho, em meio aos 130 anos da Lei Áurea. Criticou a reforma trabalhista com alguns de seus componentes fantasiados de carteira de trabalho rasgada. Os patos da Fiesp fizeram referências aos panelaços contra o governo da Dilma. Os “manifestoches” foram um dos destaques das alas, em alusão aos manifestantes que foram contra o governo anterior, sendo na realidade eles os verdadeiros fantoches.

A escola campeã, Beija-Flor, abandonou seu luxo tradicional e brilhou ao não poupar, também, críticas aos governantes. “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” foi o enredo da escola que denunciou as desigualdades, a intolerância e a violência –  os “monstros” da sociedade atual – retratando a realidade brasileira. Brasília como a capital desses monstros, a farra dos guardanapos e o prédio da Petrobras se transformando em favela, simbolizando a corrupção e o povo refém e abandonado à própria sorte.

Críticas, protestos, denúncias políticas e sociais foram as marcas das campeãs e do Carnaval do Rio de 2018.