Caco Barcellos encerra o curso da RACC / ANF

Jornalista contou experiências no jornalismo investigativo, cobertura de guerra e os dez anos à frente do programa "Profissão Repórter"

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Créditos: Patrick Granja / ANF

O jornalista Caco Barcellos encerrou a primeira edição do curso da Rede de Agentes Comunitários, promovido pela Agência de Notícias das Favelas em parceria com as Faculdades Integradas Helio Alonso – Facha. Em duas horas de palestra, o autor de livros como “Abusado” e “Rota 66” falou a uma plateia de estudantes sobre sua carreira e o ofício da reportagem.

Sob o tema “Reportagem e injustiça social”, Caco Barcellos compartilhou algumas de suas experiências em mais de 40 anos de profissão na cobertura de guerras, catástrofes naturais, guerrilhas e reportagens investigativas. Novas mídias e os bastidores da notícia foram alguns dos pontos abordados. Caco destacou o trabalho que realiza há uma década à frente do “Profissão Repórter”, em que jovens profissionais produzem matérias investigativas sobre temas diversos: “A gente costuma ir aonde os outros não vão”, resumiu. 36 repórteres e mais de 1.000 histórias já passaram pelo programa, que está no ar há dez temporadas na TV Globo. O programa nasceu da falta de profundidade do noticiário do dia a dia, muito pouco aprofundado. “Eu via muitas brechas na cobertura, sobretudo naquilo que não se faz”, contou.

 

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O convidado Caco Barcellos ao lado de alunos da Rede de Agentes Comunitários de Comunicação e da equipe da Agência de Notícias das Favelas (Créditos: Patrick Granja / ANF)

 

Também sobraram críticas à própria mídia. Caco discutiu com os presentes o papel do repórter diante dos desafios de se falar daquilo a que ninguém deseja dar ouvidos: “Que lado você tem que ouvir? Essa é a função do repórter. Qual é a falha desse tipo de cobertura? Não ouvir o outro lado, sobretudo, o lado mais fraco”, explicou. Ele ainda condenou o chamado “jornalismo declaratório”, em que matérias em tom de denúncia e parciais ganham destaque na imprensa mesmo sem a devida apuração de fatos. Também foram feitas ressalvas à cobertura midiática de conflitos nas favelas, em que a imprensa atua como reprodutora do discurso policial oficial. “As lágrimas da empregada doméstica nunca vão pro ar, porque a imprensa nunca passa do pé do morro”, afirmou. “Você chega na favela com a informação do Bope, sem contar as histórias das pessoas. Como quer ser recebido?”, disparou.

 

Rede de Agentes Comunitários de Comunicação entrega certificados

Além da palestra de Caco Barcellos, o encerramento do curso da Rede de Agentes Comunitários de Comunicação contou com a entrega de certificados aos 15 participantes e uma confraternização. A Agência de Notícias das Favelas também anunciou o nome do aluno mais destacado do curso: devido ao bom desempenho, Nyl de Sousa foi selecionado pela organização para ganhar uma bolsa de estudos para estudar Comunicação Social na Facha. Em breve, ele deve ingressar na equipe da Agência de Notícias das Favelas, trabalhando no portal ANF e no Jornal A Voz da Favela.