ANF no II Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária

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Uma semana de muita troca de informações, de aprendizado, de experiências e de ampliação da rede de Cultura Viva Comunitária, foi o que aconteceu entre os dias 27 e 31 de outubro, em El Salvador, no  II Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. A Agência de Notícias das Favelas esteve presente.  Fui um dos contemplados pelo edital Ibercultura Viva, que levou uma delegação de fazedores de cultura de todo o país para esse encontro. Foi a primeira vez que a Agência de Notícias das Favelas participou. Ao chegar no aeroporto de San Salvador, capital do país, na segunda, dia 26, recebi a feliz notícia de que nosso projeto, que fizemos para o edital de Mídia Livre do Ministério da Cultura, havia sido aprovado. Como se não bastasse estar junto com pessoas de toda América Latina que estão fazendo cultura, essa notícia fez que esse encontro fosse ainda mais especial. A notícia de nossa aprovação no edital veio através da Patrícia de Matos, com quem pude ter várias conversas durante esses dias, que convergem para uma aproximação e parceria da ANF com o CUCA da UNE.

Com Afonso Oliveira
Com Afonso Oliveira

Todos os momentos durante esses dias que estivemos em El Salvador foram de muita articulação, desde os momentos em que dividimos o quarto do hotel, em duplas, as viagens de ônibus para percursos em cidades vizinhas e até refeições. Tive a a oportunidade de ficar no mesmo quarto que Afonso Oliveira, grande produtor cultural, criador do Método Canavial. Reencontrei o poeta Hamilton Faria, do Instituto Pólis, que não via há vinte anos. Fizemos uma cobertura colaborativa com a página da Lei Cultura Viva, sempre com parceria da Carla Santos, integrante do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé e colaboradora da ANF.  Conheci muita gente boa, que tal como nós da Agência de Notícias das Favelas, não se cansa de acreditar em um mundo melhor.

II CONGRESSO

Nossa delegação foi muito bem recebida pelos organizadores do Congresso, pela equipe do Ibercultura Viva e pela equipe do Ministério da Cultura, que esteve presente. Em todos os momentos houve uma grande preocupação com nosso bem estar e nossa segurança, já que o país em que estávamos está entre um dos que os índices de homícidio é um dos maiores do mundo. Foram mais de vinte anos de uma guerra civil, que dizimou e dividiu o país. A insegurança podia ser sentida em cada esquina, em que se tem um comércio, com um segurança portando uma escopeta.  Independente disso, os participantes do Congresso se sentiram muito acolhidos pelos salvadorenhos. Faço em nome de toda a delegação brasileira contemplada no edital, uma menção ao desempenho de Alexandre Santini, do Ministério da Cultura, para que tudo transcorresse da melhor maneira possível.

Reunião Ibercultura Viva

Como ampliar essa rede de Cultura Viva Comunitária, como e onde será o próximo congresso foi tema de discussão. Participação democrática, possibilidades de articulação com outros países e apresentação de trabalhos que podem servir de exemplo, foi o que permeou cada momento ali vivido. O foco dos participantes é que seus países consigam um aumento no investimento na cultura. Em comparação com os outros países, o Brasil já está dando o exemplo, pois já investe a porcentagem pleiteada pelos demais irmãos da América Latina. Apesar desse investimento, aqui, estamos lutando por dois por cento do PIB para a cultura.

los quatrocientos

favela El Salvador

Injuve

Em meio a tantas atividades e articulações, um momento importante foi o que tive o de conhecer as favelas de El Salvador. Conheci o jovem Alejandro Serritos, 19 anos, que está tentando conseguir uma vaga na Universidade Nacional de El Salvador, no curso de ciências sociais. Ele mora em uma favela conhecida como “Los quatrocientos”, onde existem seiscentos blocos. Ao redor dessa favela, existem muitas outras. Sessenta por cento da população desse local é de jovens, por isso, o atual governo, composto por ex-guerrilheiros, construiu bem no meio dessas favelas um centro social e esportivo. As condições das favelas de El Salvador não são diferentes das favelas do Rio e de outros lugares do mundo.

Alejandro

Um dos objetivos descritos quando me inscrevi no edital Ibercultura Viva, foi a ampliação da rede da Agência de Notícias das Favelas. Por isso, convidamos Alejandro para se tornar nosso colaborador, escrevendo sobre sua realidade no portal da ANF. Ele ganhou um Manual de Redação e Estilo da nossa organização e após nossa visita em sua residência, começou a falar para todos os seus amigos de nosso trabalho com um orgulho e felicidade que poucas vezes vi. Assim, nossa missão foi cumprida e nosso sonho de ter em cada país, em cada favela uma pessoa escrevendo em nosso portal vai se concretizando.