A Morte matou a Esperança na maior favela do Brasil

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Créditos: Yasuyoshi Chiba/AFP

A Morte* veio visitar o Rio de Janeiro para tomar sol em Ipanema e nunca mais quis ir embora. Os inúmeros casos que assolam nosso Estado estão provando isso.

Os ares favoráveis de corrupção e políticos que fazem pactos obscuros com o poder é o alimento preferido da Sra. Morte. Ela cobiça os desejos dessas pessoas maquiavélicas que subtraem vidas às custas de sangue e vida. Com isso a Morte baila diariamente nessas férias por aqui. O trabalho excessivo que ela tem por estas terras está deixando um estrago sem precedentes. Muita gente tem sido levado a gozar férias forçadas com a Morte.

O Rio de Janeiro é um lugar que está sempre sob grande foco da mídia, com as noticias que geram milhões. Este é hoje o local preferido da Sra. Morte. Ela percebeu que as notícias sangrentas geram likes e joga os holofotes nela, então, ela não quer mais ir embora. A impressão é que está de férias permanentes na Cidade Maravilha da Beleza e do Caos.

A coisa aqui está tão favorável para a Morte que até a Esperança, que veio há pouco nos visitar, ela conseguiu matar. O pior de tudo: a Esperança morreu numa favela. Simbolicamente falando, a Morte levou a sra. Maria Esperanza Ruiz Jimenez, 67, que veio também para passar férias e por aqui morreu. Essa senhora ganhou destaque mundial pela forma como acabou assassinada, de forma covarde, na maior favela da América Latina.

As demais vidas ceifadas são reflexos da forma como que se tem alimentado a Morte diariamente nessa cidade nefasta, onde, no jogo da vida, ela está ganhando de goleada. O mais terrível nesse jogo é que ela não escolhe quem vai levar. Todos estão vulneráveis, inclusive eu e você, pois a Esperança morreu.

A dona Esperanza, da Espanha, se junta a várias outras pessoas que, da mesma maneira, são mortas todos os dias nessa cidade onde os governantes escolheram andar de mãos com a Morte. O dinheiro roubado dos hospitais, a verba surrupiada da segurança e os desvios do erário que se transformaram em joias caras e contas bancárias na Suíça fortaleceram a matança desgovernada. A cada dia, mais os números estatísticos sobem arrasadoramente, trazendo sofrimento e dor a uma gente que não sabe mais o que fazer.

O povo do Rio de Janeiro tem que reagir e expulsar a Morte daqui. Temos o direito de viver. Uma das armas que temos é, no ano de 2018, estarmos dispostos a renovar o Legislativo, tirando do poder esses monstros que há anos acolheram a Morte e a alimentam todos os dias. Está nas nossas mãos começar a virar esse jogo sujo e mortal.

Comece hoje mesmo a mudar a trajetória da nossa cidade já pensando em 2018. Sim, nós podemos.

Revolução já.

*A simbologia à morte nesse texto é a forma como enxergo um senhor morto no comando do Palácio Guanabara, cujo partido também é liderado na presidência da República por uma figura vampiresca – líder de uma nação, que também morre aos poucos.