A favela e a periferia ocupam o antigo Canecão

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Ocupa Canecão em plena atividade. Créditos: Ocupa MinC RJ

 

 

A Ocupa continua mais forte que nunca. Às vésperas de completar 100 dias de resistência contra o golpe desferido contra a democracia, os ativistas, que antes ocupavam o Palácio Gustavo Capanema e foram despejados por ordem judicial, não se renderam. Dias após a saída do Palácio Gustavo Capanema, eles ocuparam o antigo Canecão e voltaram à sua extensa programação cultural.

Nessas três semanas de Ocupa Canecão, vários debates e eventos foram realizados pensando em uma parte da população que nunca tinha tido oportunidade de conhecer o espaço anteriormente. O antigo Canecão sempre foi um espaço para se pensar a cultura e os hábitos culturais de maneira crítica – ou seja, o que o movimento está realizando tem tudo haver com a sua história. Desde o primeiro evento, que contou com a participação de grandes astros da música popular brasileira, como BNegão, Zelia Duncan, MCs Junior e Leonardo e até Chico Buarque, a programação tem contemplado pessoas de todas as classes sociais.

Nessa nova fase, porém, um fenômeno tem sido notado. A juventude das favelas e periferias está rompendo a bolha e frequentando um local  que, teoricamente, apenas os jovens da Zona Sul frequentavam. Em menos de um mês, já rolaram dois bailes funk (um puxado por produtores da Favela Babilônia e outra festa comandada por jovens produtores culturais do Morro dos Prazeres), duas festas de reggae e duas rodas de samba. Também aconteceram algumas sessões de cinema, com destaque para a exibição do premiado filme “Olympia”, uma sessão de cinema ao vivo com o genial cineasta francês Vincent Moon e um documentário que conta o dia a dia na favela recifense de Brasília Formosa. O espaço recebeu ainda uma peça sobre o primeiro senador negro da história da república brasileira Abdias Nascimento, além de vários debates com temas dos mais variados e muitos shows.

O movimento Ocupa MinC RJ vem mostrando que uma nova gestão cultural é possível, que podemos atrair e agradar a pessoas de todas as idades, classes e religiões com uma programação democrática e de qualidade, independente da linguagem artística.

Parabéns aos ocupantes por 100 dias de luta e resistência!