A falência de mais um projeto de segurança pública no Rio de Janeiro

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UPP do Jacarezinho fechada

Por que o título desse artigo não é simplesmente “a falência da UPP”? Porque outros modelos de segurança pública para o Rio de Janeiro, tal qual o modelo de pacificação, já foram implantados. Aliás, esse não é muito diferente dos que já tivemos. Antes desse modelo, houve uma outra dita “fórmula mágica” para melhorar a sensação de segurança, o GPAE – Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais. Antes porém, já tivemos PPC – Posto de Policiamento Comunitário ou DPO – Destacamento de Policiamento Ostensivo. Essa introdução sobre os modelos de segurança serve justamente para fazer os que não viveram isso nas favelas entenderem que as UPPs não são nenhum modelo novo ou uma invenção que é diferente de tudo que nós já vínhamos vendo há anos. A ideia de retomada de territórios pelo estado deu certo no começo, quando realmente devolveu a uma parcela da população o direito de ir e vir, conforme era objetivo do secretário José Mariano Beltrame. Mas como a polícia não foi de aproximação como deveria ter sido, como a população das favelas não foi ouvida e também como o estado só entrou com a força policial, sem entrar com a mesma força empenhada no social, o fracasso aconteceu. Sim, as UPPs faliram!

Só para dar um panorama da falência, no Complexo do Alemão há tempos os tiroteios são constantes, Jacarezinho está irreconhecível, completamente abandonado, no Complexo do Lins a polícia sempre que entra troca tiros e até no Prazeres, antes tão calmo, acontecem intensos tiroteios. Não, não são casos isolados, todas as favelas onde foram implantadas as UPPs estão assim. E o pior: Em todas as favelas morrem policiais, bandidos e moradores.

Ainda sobre a falência, podemos discorrer sobre a situação financeira do estado. É justo manter todo um aparato policial nas favelas e não pagar funcionários da educação e da saúde? Somos até razoáveis só falando da falência do modelo de segurança, quando poderíamos lembrar a falência desse governo.

Não sendo pessimista, a situação pode melhorar se o governo dialogar com a população, fazendo o que não fizeram no começo, quando entraram nas favelas sem que tivessem a população ao seu lado. Sem promessas que não se pode cumprir, mas também sem deixar a população em uma situação pior do que encontraram anos atrás quando começou essa tentativa de pacificação. Diálogo, honestidade e bom senso não fazem mal a ninguém.