3 ativistas de favela que dizem “sim” à vida

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Ato pediu paz na Cidade de Deus no último domingo. (Créditos: Marcelo Correa)

Apesar de toda a política de terror imposta aos moradores de favelas por sucessivos governos do estado do Rio de Janeiro, quero destacar a luta e a coragem de jovens ativistas dos Direitos Humanos, crias da favela, que se levantaram para denunciar e lutar contra a violência da polícia, colocando as próprias vidas em risco.

Do Complexo do Alemão, vem Raull Santiago, um dos fundadores de coletivos de resistência política e cultural como o Papo Reto e o Nós por Nós. Sua luta contra a opressão da Polícia Militar do Rio de Janeiro o trouxe alguns problemas. Por causa da repercussão de suas ações, ameaças a sua vida não foram poucas, porém, não o intimidam. Graças a sua militância, jovens ativistas e artistas de outras favelas vêm criando suas redes com a mesma proposta. Raull é um dos grandes combatentes pelo direito à paz e à vida dos moradores do Complexo do Alemão e da Penha. A tática dos seus detratores agora é outra. Uma leva de perfis de Facebook falsos foi denunciada por ele. A intenção é clara: caluniá-lo e difamá-lo para desqualificar sua luta e atuação política.

Esse é o caso da midiativista e colaboradora da ANF Buba Aguiar. Nascida e criada na Favela de Acari, Buba desde cedo convive com a barbárie e violência do Estado, que se faz presente na comunidade com a presença das forças policiais e tudo de ruim que isso traz. Hoje, Buba trabalha na Anistia Internacional e, como outros ativistas dos Direitos Humanos, já sofreu ameaças contra sua vida. Incansável lutadora pelos direitos dos moradores de Acari, já teve que sair de casa por causa de várias ameaças recebidas. Sofre com a coação anônima daqueles que não se conformam com a fato de que uma jovem, negra e favelada se oponha a toda essa covardia estatal.

Na Cidade de Deus, outra grande guerreira luta diuturnamente contra os constantes abusos e os temidos Autos de Resistências na favela. A poetisa e militante Vivi Salles sempre foi uma mulher que não se conformava com os constantes abusos das forças de segurança do Estado do Rio. Até que, na época do Natal de 2015, uma chacina na Cidade de Deus a fez criar junto com outros moradores o Coletivo CDD Bota a Cara. A queda de um helicóptero da polícia no ano passado, ainda por causa desconhecidas, matou quatro policiais e causou uma chacina, promovida veladamente pelas forças de segurança, com a morte de vários traficantes, executados sem chance de defesa, como cabe a qualquer pessoa. Isso também deu forças para que Vivi formasse a frente ampla #CDDPedeaPaz, com lideranças de associações, ONG’s e o Bota Cara CDD. Vivi alia sua luta com eventos culturais e de poesia. Ontem, ela promoveu um ato político em repúdio à crescente escalada de violência promovida pela Secretaria de Segurança Pública.

São pessoas como essas que nos inspiram e nos fazem sonhar para que a vida nas favelas possa seguir existindo e resistindo.