Archive for novembro, 2009

MANIFESTAÇÃO NA CENTRAL DO BRASIL

quinta-feira, novembro 5th, 2009

Vai acontecer hoje ao meio-dia uma manifestação de movimentos sociais, de direitos humanos e moradores de comunidades contra o "revide" da Secretaria de Segurança Publica do Rio. O ato será em frente ao prédio da Secretaria, na Central do Brasil.

UMA TARDE EM VIGÁRIO

quarta-feira, novembro 4th, 2009

André Fernandes

Há muitos anos não entrava na favela de Vigário Geral. Não me lembro bem quando foi a última vez, mas lembro como era a comunidade quando trabalhei lá na Casa da Paz, em 1997, quatro anos após a chacina que abalou o mundo, quando vinte e um trabalhadores foram brutalmente assassinados. Ao entrar em Vigário, convidado por Lazaro Bruno, meu amigo, que estudou na Casa da Paz, tendo depois trabalhado também lá conosco, senti grande diferença do que era para o que é hoje. Bruno, 33 anos, atualmente tem uma lan house e pretende montar uma associação comercial na favela. Na época da Casa da Paz, ele fez o curso do CDI – Comitê para Democratização da Informática, tendo depois se tornado coordenador do curso na instituição.

Ao atravessarmos a passarela encontrei o artista plástico Valmir Vale, que também trabalhou conosco na Casa da Paz. Valmir ficou conhecido por ter feito a escultura “almas aflitas”, que se encontra hoje no Senado Federal. Ele conseguiu catar milhares de cápsulas deflagradas, de vários calibres de armas, da histórica guerra do tráfico entre as favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas e construiu com essas cápsulas a escultura de uma família ajoelhada pedindo socorro. O artista hoje continua seu trabalho contundente em favelas do Rio de Janeiro.

Logo após o encontro com Valmir, continuamos andando pela Rua Antonio Mendes, a principal de quem entra em Vigário, onde fica a Casa da Paz e que hoje funciona a ONG Onda Azul . Seguindo pelo caminho, Bruno me levou para conhecer a sua lan house e logo após fomos nos encontrar com Neide, a presidente da Associação de Moradores que há dez anos vem realizando um trabalho de uma guerreira, afinal, não é nada fácil se manter tanto tempo em uma associação de moradores de uma favela.

Começamos a andar na favela, que hoje realmente é muito diferente por conta das obras de infra-estrutura, e como diz Neide, principalmente do Favela Bairro, citando o ex-prefeito César Maia. Neide foi mostrando a favela e me perguntando se as coisas tinham melhorado. De fato, muitas mudanças aconteceram de dez anos pra cá. Apesar de muitas coisas boas, a presidente da Associação relatou algumas coisas que não estavam bem, das quais destaco três: O sistema de esgoto das casas estavam indo para o sistema de águas fluviais, uma falha do favela bairro. Quase metade da favela estava sem luz, culpa da Rio Luz que espera que algum “padrinho” político vá até lá para fazer o pedido e receber o bônus desse “favor!”. Digo isso, pois entramos em contato com a Rio Luz, citamos o problema e nenhuma medida foi tomada, diferente do que acontece no asfalto, em bairros da zona sul carioca. E por último, o rio que passa atrás da favela de Vigário e Parada de Lucas está tomado de gigogas, que são prejudiciais para o mesmo. Todos, descasos do poder público que só deverá se preocupar com isso daqui para o ano que vem, ano eleitoral.

Continuando a caminhada pela comunidade, Neide vai me dando os números de lá: Seis mil moradores, que contam com 25 garis comunitários para as duas comunidades, de Parada de Lucas e Vigário. Eram 36, porém houve uma diminuição e a presidente espera que o prefeito Eduardo Paes reponha, já que segundo ela esses não estão dando conta de limpar as 56 ruas que existem só em Vigário. Uma farmácia e duas padarias, além de dezenas de biroscas (bares), compõem o comércio da favela. Muitas casas, segundo ela, estão para vender por preços que variam entre seis e quinze mil reais, e os aluguéis vão de cem a duzentos reais.

Quase no fim de nossa caminhada, paramos para almoçar na pensão da Chupetinha, local conhecido de todo morador da favela, bem como de personalidades que visitam a comunidade. Almoçamos e me confraternizei com alguns moradores que conheci no passado quando trabalhei na Casa da Paz, me sentindo praticamente em casa. Ao término de nosso almoço, Neide fez questão de me mostrar o que para ela é uma das grandes vitórias da comunidade nos últimos tempos. Levou-me para ver uma enorme caixa d’água da CEDAE, com seiscentos mil litros e outra menor, com capacidade para cinqüenta mil, que foram colocadas lá através do PROSANEAR.

Logo depois, fomos caminhando até a passarela, onde me despedi da presidente que orgulhosa por demonstrar o árduo trabalho que realiza com pouca ajuda do poder público, me convidou para voltar outras vezes. Afirmei para ela que não só voltaria como também Vigário teria em breve um correspondente, que estaria diariamente relatando as vitórias e lutas de sua comunidade.

ESTADO REGULARIZARÁ POSSE DE FAMÍLIAS CARENTES A IMÓVEIS PÚBLICOS

quarta-feira, novembro 4th, 2009

 

Plenário agora: a Assembleia Legislativa do Rio acaba de aprovar, em discussão única, nesta quarta-feira(04/11), o projeto de lei complementar 27/09 (Mensagem 29/09), que diz que o estado, suas  autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista poderão regularizar juridicamente a posse de seus imóveis ocupados por  famílias carentes. O texto foi aprovado com 17 emendas e será encaminhado ao governador Sérgio Cabral, que terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.

 

QUANTOS CORPOS MAIS DEVERÃO TOMBAR?

terça-feira, novembro 3rd, 2009

15 dias após a eleição da sede das Olimpíadas de 2016 a derrubada do helicóptero da PM em confronto com facção do tráfico de drogas ilegais recolocou o Rio de Janeiro nos holofotes da mídia internacional.

O episódio desencadeou uma série de operações policiais repressivas, que em cerca de 1 semana produziram um saldo de mais de 40 mortos oficialmente. Podemos dizer que assistimos à maior onda de barbárie institucional na “Cidade Maravilhosa” desde a Chacina do PAN, realizada em julho de 2007 no Complexo do Alemão, totalizando 19 mortes.

O incidente com o helicóptero demonstra mais uma vez a temeridade da utilização de dispositivos de guerra em áreas densamente povoadas. Tal inesperado, porém previsível ataque, soou como uma carta branca para o extermínio habitual, percebida muito claramente na expressão “vamos sacudir o morro”. 

Para os que tinham dúvidas quando da implementação das Unidades de Polícia Pacificadora, está evidente que a política de segurança fluminense preconiza o confronto em detrimento da inteligência policial. 

A resposta vindicativa traz à tona o fechamento de escolas, invasões de domicílio, denúncias de “aluguel” do blindado caveirão, mortos e feridos. Impressiona constatar que poucas são as vozes a refutar o modelo bélico imposto como there is no alternative. 

A cidade do Rio de Janeiro será palco de eventos de repercussão mundial como a Copa dp Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.  É assustador imaginar as cifras letais que podem ser alcançadas pelo padrão genocida da política de segurança vigente.

Quantos corpos mais deverão tombar, inocentes ou não, para que os governantes se convençam da necessidade de uma política de segurança pública baseada na defesa da vida?
 
João Tancredo
Advogado, Presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos

Feijoada na Maré

terça-feira, novembro 3rd, 2009

BALA PERDIDA?

terça-feira, novembro 3rd, 2009

 

Aconteceu dia 12 de junho de 2004, quando eu tinha 19 anos. Eu estava com uma amiga saindo pra o mercado, às 14:30h. Tinha muita gente na rua pois era um dia especial: DIA DOS NAMORADOS! Muita criança na rua e de repente um tiro de pistola e outro de fuzil todos em minha direção. Naquele exato momento eu tinha acabado de receber uma ligação do meu namorado no celular quando, de repente, os dois tiros pegaram no meu braço direito, arrancando-o fora. Perdi um terço da minha mão direita por conta do tiro de fuzil e o tiro de pistola pegou mais acima do ombro. Quando vi aquilo não acreditei! O mundo parecia ter caído pra mim naquele dia. A polícia apreendeu o celular. Foi um absurdo! Os moradores ficaram revoltados e os policiais me pegaram e me colocaram dentro do carro como se eu fosse um bicho e me levaram pro hospital. Na delegacia eles foram dar uma versão totalmente diferente dizendo que estava em troca de tiro e que eu estava de bobeira na rua. Na época eu ainda estudava e escrevia com a mão direita. Meus professores me ajudaram bastante e hoje graças à Deus minha letra é maravilhosa com a esquerda. Entrei com processo contra o Estado e já tem cinco anos que está correndo e ainda nada. Meu processo está no Tribunal de Justiça aqui no Rio mesmo. Hoje tenho 24 anos.

RELATO DE UMA MORADORA DA MARÉ

CHARGE DO JORNAL A VOZ DA FAVELA

terça-feira, novembro 3rd, 2009

ATO PELA PAZ EM MANGUINHOS

domingo, novembro 1st, 2009

AS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES DO COMPLEXO DE MANGUINHOS CONVIDAM A TODOS PARA PARTICIPAR DO ATO DE MANIFESTO PELA PAZ… 
 
O COMPLEXO DE MANGUINHOS PEDE A PAZ, COM GARANTIA DE DIREITOS.
  
  
DIA:  02 DE  NOVEMBRO DE 2009. 
HORÁRIO:   10H
LOCAL: RUA LEOPOLDO BULHÕES, 500.
(EM FRENTE AOS CORREIOS)
 
 
REALIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE MANDELA DE PEDRA – COMPLEXO DE MANGUINHOS.

TV ROC A TV DA ROCINHA PARA A ROCINHA

domingo, novembro 1st, 2009

A Net foi criada para fornecer TV a cabo às pessoas de classe média e alta da década de 90. Surgiu então uma idéia contrária: levar também a TV a cabo para as classes de poder aquisitivo mais baixo.

E foi assim que, no início da década de 90 (26 de março de 1997) surgiu a TV ROC (TV Rocinha), uma empresa de TV a cabo que leva os mesmos canais e a mesma qualidade que o asfalto recebe da NET à comunidade.

Com o tempo e vendo a TV ROC não só como uma empresa de TV por assinatura para a comunidade, mas também um veículo de comunicação para a própria comunidade, foi criado um canal de TV comunitário para informar sobre os acontecimentos da comunidade para a comunidade e, consequentemente, mostrar a Rocinha para fora da Rocinha.

O canal comunitário da TV Rocinha está presente em vários eventos, sejam dentro da comunidade sejam fora mas que tenham a ver com a Rocinha. A TV ROC tem um estúdio de TV que realiza programas independentes e telejornais. Além disto apresenta o Expresso Rocinha, resumo semanal das notícias que ocorreram na comunidade e o Conversa Fiada, um telejornal ao vivo e diário que apresenta as notícias do dia não só da Rocinha, mas de outras partes do Rio de Janeiro e do Brasil.

O estúdio da TV ROC já recebeu várias personalidades como políticos e artistas de renomes nacionais e internacionais.

As questões sociais sempre foram o objetivo dos respiosaveis e criadores da TV ROC desde o inicio. Alem de seu caráter comunitário que conta com o trabalho voluntário de estágiarios de dentro e de fora da comunidade, como os estudantes de faculdades particulares que atuam no canal e estudantes de projeto sociais moradores da comunidade que atuam como repórteres, câmeras, e editores, outras marcas da TV ROC, são suas ações e parcerias em prol da melhoria e da dignidade dos moradores da Rocinha.

Alguns dos exemplos: os casamentos comunitários, campanhas de incentivo de vacinação, doações de leite para as crianças do campinho (na própria comunidade); patrocínio do time de futebol infantil( o Rocinha Futebol Clube), doação de cestas básicas para portadores de necessidades especiais e para as obras sociais da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. Entre as parcerias da TV ROC destaca-se: a Hard Soft que patrocina um curso de informática; as associações de moradores e ONG’s; o PAC Rocinha atuando na fiscalização e divulgação; a ANF(Agência de Notícias das Favelas), a AVON, entre outras organizações e empresas, em prol da comunidade da Rocinha.

FABY GIANNINI – Jornalista e moradora da Rocinha

MOVIMENTO BLACK NA ROCINHA

domingo, novembro 1st, 2009