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	<title>Comentários sobre: As associações de moradores e o Rio de Janeiro</title>
	<link>http://www.anf.org.br/2009/11/20/as-associacoes-de-moradores-e-o-rio-de-janeiro/</link>
	<description>A primeira agência de notícias de favelas do mundo!</description>
	<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 14:20:12 +0000</pubDate>
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		<title>Por: João Carlos Luz</title>
		<link>http://www.anf.org.br/2009/11/20/as-associacoes-de-moradores-e-o-rio-de-janeiro/#comment-5690</link>
		<dc:creator>João Carlos Luz</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:40:04 +0000</pubDate>
		<guid>http://www.anf.org.br/2009/11/20/as-associacoes-de-moradores-e-o-rio-de-janeiro/#comment-5690</guid>
		<description>Uma pequena contribuição ao tema

A Debora Lerrer 
Seu texto é muito bom, quando se propõe a levantar uma questão, que, para quem viveu essa realidade, junto à criação e participação do movimento de associações de moradores, sabe bem do que trata o tema, e tem posições e ações que legitima o discurso com conhecimento de causa. No que tange o universo de Santa Tereza, bairro do Rio, que morei lá dez (10) anos, nesse mesmo período dos finais dos anos 70 até meados dos anos 80, sabe da história, social e política dos movimentos das associações de moradores, foi um marco que possibilitou uma forma de participação e integração com o movimento, que de associação de moradores criou-se uma entidade a nível Municipal, logo em seguida Estadual e culminou numa Federação das Associações de Moradores - FAMERJ. No período da ditadura, as esquerdas estavam sendo perseguidas, até para alugar um apartamento no Rio, havia uma exigência de muitos locadores de imóveis, o inquilino teria que ter um registro na delegacia, preencher uma ficha, e através do sobrenome, a repressão passaria a saber quem era quem. O pessoal da esquerda perseguida sabiam que os seus sobrenomes seriam a forma da repressão os encontrar e os perseguidos que estavam na clandestinidade, parentes de pessoas conhecidas, e que faziam parte da lista negra da ditadura, seriam presos. Diante dessa realidade, os perseguido, começaram a subir Santa Tereza, pois os casarões naquela época alugavam quartos, alem de baratos, sem querer saber quem os alugava, os meios de transportes eram difíceis, o - bonde - subia e descia, ainda tinha uma forma de não pagar o bonde, ficava-se pendurados até o cobrador aparecer, então decia-se e não pagava a passagem o acesso para uma suposta fuga era fácil também, e caso fossem descobertos, alguns militantes, por lá se “esconderiam” na cobertura que um dava para o outro. Mas, a vida era como numa cidade do interior, havia apenas a venda do seu Manoel, seu João e nada mais. O pessoal então, já fazia a cabeça dos Manoels e dos Josés, para a venda de cerveja numa pequena porta aberta, já faziam festas nas casas uns dos outros, e logo em seguida deram início a uma vida comunitária, procurando fazer uma cooperativa de alimentos, onde esses alimentos eram divididos em praça pública, - participava-se com cotas, família e ou individual -, alguns militantes alugavam uma Combi e se comprava uma quantidade de alimentos no Serasa, e todos os cooperativados participavam da ação que era proibida, e o que deu? Fecharam o galpão onde eram armazenadas as compras de alimentos pela Cooperativa (clandestina), e desarticulado o sistema de distribuição. Uma das saídas fora a de criar-se a associação de moradores e partir para reivindicações, por meios legais, juntar-se a outras associações de moradores que estavam já estabilizadas, a criação de jornais de bairro que viveria dos anúncios do comércio local, que tempos depois essa mesma forma de comunicação e ação em prol da comunidade, fora desarticulada com grandes exigências de jornalistas profissionais, e a entrada de jornais de grande circulação criando jornais por bairros e regiões, etc. Mas o movimento da associação de moradores rendeu vitórias e vitórias no que concerne a participação dessas comunidades de reivindicar suas necessidades diante de um regime autoritário e sem nenhuma perspectiva de mudanças ao curto prazo e ou de atender a população. As associações de moradores perderam a sua força e a sua importância, com a mudança política, com a – abertura -, à anistia, ampla geral e apenas “restrita”, e em seguida as primeiras eleições para Prefeito, o movimento dispersou-se, pois os mesmos, perseguidos políticos, os de esquerda que participavam e ou militavam, pelo pró-bairro e pró-emancipação, foram sendo levados a participar da vida política nos seus partidos e nas suas legítimas participações político-eletiva, sendo anistiados e recuperando seus postos. A primeira eleição fora ainda o Prefeito eleito pelo partido sem uma eleição direta, mas no próximo pleito a eleição deu-se de forma direta e as forças políticas legitimadas assumiram seus papeis que até então as associações de moradores tinham assumidos no período da ditadura. Como é sabido que a associação de moradores é uma instituição que tem na sua carta de estatuto a hierarquia na forma presidencialista, muitas associações tiveram presidentes e ou membros, apenas para ter na entidade um trampolim político, que se passou a chamar de “fisiológicos”, desprovidos de uma visão e participação ampla sobre questões de política comunitária. A partir do momento que a militância político-ideologica-partidária-clandestina, deixa o movimento, as sucessivas eleições a presidente de associação de moradores deu-se de uma forma desvinculada de um “movimento” ideologicamente atrelado a uma suposta transformação de caráter “revolucionário”, de formação intelectual e ação política voltadas para uma emancipação política das comunidades, e parece-me que o que está até hoje é a “resistência” e a força da necessidade de resgatar a comunidade como um ar que se respira, na verdadeira ação que a só a comunidade pode dar ao cidadão, essa mesma força está hoje retomando o seu papel diante da falácia que é o sistema de individualidade presente na sociedade capitalista de obter uma ilusão de ótica de que pode-se ser alguma coisa, ser feliz, fora da comunidade. Que haja – Luz -.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pequena contribuição ao tema</p>
<p>A Debora Lerrer<br />
Seu texto é muito bom, quando se propõe a levantar uma questão, que, para quem viveu essa realidade, junto à criação e participação do movimento de associações de moradores, sabe bem do que trata o tema, e tem posições e ações que legitima o discurso com conhecimento de causa. No que tange o universo de Santa Tereza, bairro do Rio, que morei lá dez (10) anos, nesse mesmo período dos finais dos anos 70 até meados dos anos 80, sabe da história, social e política dos movimentos das associações de moradores, foi um marco que possibilitou uma forma de participação e integração com o movimento, que de associação de moradores criou-se uma entidade a nível Municipal, logo em seguida Estadual e culminou numa Federação das Associações de Moradores - FAMERJ. No período da ditadura, as esquerdas estavam sendo perseguidas, até para alugar um apartamento no Rio, havia uma exigência de muitos locadores de imóveis, o inquilino teria que ter um registro na delegacia, preencher uma ficha, e através do sobrenome, a repressão passaria a saber quem era quem. O pessoal da esquerda perseguida sabiam que os seus sobrenomes seriam a forma da repressão os encontrar e os perseguidos que estavam na clandestinidade, parentes de pessoas conhecidas, e que faziam parte da lista negra da ditadura, seriam presos. Diante dessa realidade, os perseguido, começaram a subir Santa Tereza, pois os casarões naquela época alugavam quartos, alem de baratos, sem querer saber quem os alugava, os meios de transportes eram difíceis, o - bonde - subia e descia, ainda tinha uma forma de não pagar o bonde, ficava-se pendurados até o cobrador aparecer, então decia-se e não pagava a passagem o acesso para uma suposta fuga era fácil também, e caso fossem descobertos, alguns militantes, por lá se “esconderiam” na cobertura que um dava para o outro. Mas, a vida era como numa cidade do interior, havia apenas a venda do seu Manoel, seu João e nada mais. O pessoal então, já fazia a cabeça dos Manoels e dos Josés, para a venda de cerveja numa pequena porta aberta, já faziam festas nas casas uns dos outros, e logo em seguida deram início a uma vida comunitária, procurando fazer uma cooperativa de alimentos, onde esses alimentos eram divididos em praça pública, - participava-se com cotas, família e ou individual -, alguns militantes alugavam uma Combi e se comprava uma quantidade de alimentos no Serasa, e todos os cooperativados participavam da ação que era proibida, e o que deu? Fecharam o galpão onde eram armazenadas as compras de alimentos pela Cooperativa (clandestina), e desarticulado o sistema de distribuição. Uma das saídas fora a de criar-se a associação de moradores e partir para reivindicações, por meios legais, juntar-se a outras associações de moradores que estavam já estabilizadas, a criação de jornais de bairro que viveria dos anúncios do comércio local, que tempos depois essa mesma forma de comunicação e ação em prol da comunidade, fora desarticulada com grandes exigências de jornalistas profissionais, e a entrada de jornais de grande circulação criando jornais por bairros e regiões, etc. Mas o movimento da associação de moradores rendeu vitórias e vitórias no que concerne a participação dessas comunidades de reivindicar suas necessidades diante de um regime autoritário e sem nenhuma perspectiva de mudanças ao curto prazo e ou de atender a população. As associações de moradores perderam a sua força e a sua importância, com a mudança política, com a – abertura -, à anistia, ampla geral e apenas “restrita”, e em seguida as primeiras eleições para Prefeito, o movimento dispersou-se, pois os mesmos, perseguidos políticos, os de esquerda que participavam e ou militavam, pelo pró-bairro e pró-emancipação, foram sendo levados a participar da vida política nos seus partidos e nas suas legítimas participações político-eletiva, sendo anistiados e recuperando seus postos. A primeira eleição fora ainda o Prefeito eleito pelo partido sem uma eleição direta, mas no próximo pleito a eleição deu-se de forma direta e as forças políticas legitimadas assumiram seus papeis que até então as associações de moradores tinham assumidos no período da ditadura. Como é sabido que a associação de moradores é uma instituição que tem na sua carta de estatuto a hierarquia na forma presidencialista, muitas associações tiveram presidentes e ou membros, apenas para ter na entidade um trampolim político, que se passou a chamar de “fisiológicos”, desprovidos de uma visão e participação ampla sobre questões de política comunitária. A partir do momento que a militância político-ideologica-partidária-clandestina, deixa o movimento, as sucessivas eleições a presidente de associação de moradores deu-se de uma forma desvinculada de um “movimento” ideologicamente atrelado a uma suposta transformação de caráter “revolucionário”, de formação intelectual e ação política voltadas para uma emancipação política das comunidades, e parece-me que o que está até hoje é a “resistência” e a força da necessidade de resgatar a comunidade como um ar que se respira, na verdadeira ação que a só a comunidade pode dar ao cidadão, essa mesma força está hoje retomando o seu papel diante da falácia que é o sistema de individualidade presente na sociedade capitalista de obter uma ilusão de ótica de que pode-se ser alguma coisa, ser feliz, fora da comunidade. Que haja – Luz -.</p>
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