Sabado, 11 de Fevereiro de 2012

“Traficando baile funk”

 
Eu li, eu juro que li: “PM mata traficante de baile funk”. Para o meu espanto, não se tratava de nenhuma droga ou substância alucinógena, mas para minha “compreensão” mais uma investida na criminalização das circunscrições pobres da nossa cidade.

            A principio demorei a interpretar intrigante notícia. Pensei ou imaginei em o que seria um traficante de baile funk e que tipos de bailes funk o executado poderia traficar. Um “charme” de 10, um “rap” de 20, talvez um “tamborzão de 30 ou um “proibidão” de 50?

            A curiosidade e a surpresa me instigaram a ler a integra da matéria. As poucas linhas me fizeram saber que, “após uma intensa troca de tiros, as caixas de som, que já estavam sendo montadas foram apreendidas e levadas a DP”.

            Imaginem que a ousadia ainda permitiu que “eles” tivessem o disparate de montar todo aquele alicerce perigoso.

            Apesar de minha repentina insegurança, fiquei confortado nas relevantes linhas, sabendo que ao menos o flagrante fora apreendido e encaminhado à autoridade policial.

            A noticiada operação policial, efetuada para impedir a realização de um baile funk, se dera após denuncias de que a “carga” estava sendo montada numa quadra de escola de samba. Os policiais, de acordo com o noticiário, foram recebidos a tiro, o que resultou na morte de um “traficante de baile funk”.

            Já avisei aos meus amigos que no meu carro não toca mais funk, que não aceito mais ouvir funk, que não quero mais me lembrar de funk e que não tolero mais nenhum convite para ir a baile funk. Eu odeio bailes funk, não suporto nem ouvir de longe. Baile funk, tô fora!!!!

Conheço todos os caminhos para a perdição; primeiro, os funks dos anos 70 com James Brown. Logo depois vieram os Bailes da Pesada, no Canecão, com Ademir Lemos e Big Boy. Não demorou muito e todo o Subúrbio ficou viciado com aquela febre de “Black Rio”. Aí vieram o Hip-hop e o Miami Bass destruindo tudo e a todos. Em seguida as equipes de som estavam super equipadas, mobilizando um exército de funkeiros responsáveis pelas  “montagens”,  “tamborzão”, “rap”, e assim disseminando da favela para o mundo toda aquela droga perigosa e destrutiva…

            De repente, por um momento, quase entendi por que existe uma lei exclusivamente para os bailes funk. Uma lei esdrúxula, que dá à polícia liberdade para proibir os bailes e impedir a diversão da juventude popular. Uma lei absurda, que entre outros despropósitos, exige que cada evento deve dispor de um banheiro feminino e um masculino para cada grupo de 50 pessoas. Apenas para coibi-los!

            Alvíssaras! Sob pressão, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro votará a revogação desta lei. Que seja apenas um início de novos tempos!

Bem, quanto ao resto da história não é novidade. Segundo os policiais, “Leandro estava na localidade conhecida como Terreirão com outros traficantes, que conseguiram fugir. Com ele foi encontrada uma pistola HK”.

Afinal, casos como este, “apenas” se repetem…

 * Carlos Batista é advogado e colunista da ANF.

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