Back2Black - Faltou ações afirmativas
29/08/2009
Foto: Thaissa Guedes
Quem foi ontem na estação da Leopoldina para curtir o maior evento da cultura negra que está sendo promovido na cidade ficou realmente impressionado com a produção. "O exterminío em abril de 1994 em Ruanda, de 1 milhão de Tutsis, foi o primeiro genocídio reconhecido em terra africana depois da escravidão" era o dizer que estava em um dos painéis que enfeitavam o teto da estação. Dezenas de banners com fotos representando a África que no final da palestra foram suspensos de maneira coreografada, impressionando o público.
Foto: Thaissa Guedes
Apesar de atrair milhares de pessoas que curtiram muito, o mega-evento também despertou críticas do público. A primeira foi o fato de que em um evento da cultura negra, os palestrantes e mediador serem brancos. Outra observação que quase não foi notada é que nas duas primeiras filas estavam jovens que estavam trabalhando no evento, quase todos negros, de comunidades, e a medida que os convidados, brancos chegavam, a organização pedia para que os jovens se levantassem e cedessem os lugares. A autora do livro MULHERES NEGRAS DO BRASIL, schuma schumacher, chegou a afirmar: "Tem 10 empresas aqui patrocinando o evento, tinha que ter ações afirmativas. Para o negro devia ser mais barato!"
Gilberto Gil deu início aos shows empolgando a multidão. Ministro, atores e atrizes, cineastas, personalidades diversas estavam presentes cantando com o ex-ministro. Depois foi a vez de Angelike Kidjo, Youssou N’Dou e Marisa Monte. Após os shows no palco principal, foi a vez do Stéreo Maracanã comandar o show no vagão da rádio Africa até altas horas da madrugada.
Foto: Thaissa Guedes
O evento que contou com apoio da Prefeitura do Rio não tinha ambulantes do lado de fora, já que a Guarda Municipal estava lá para proibir. Algumas pessoas que ficavam sabendo do preço da latinha de Itaipava a 4 reais lá dentro, atravessavam a passarela para comprar duas ao preço de uma e bebiam antes de entrar.
Hoje o evento começa com a conferência "Cultura e desenvolvimento", com Gavin Hood, Youssou N’Dour, MV Bill, tendo como mediadora a cineasta Kátia Lund. Depois tem shows com MV Bill, Banda Black Rio, Ed Motta, Mano Brown, Ice Blue, DJ Sany Pitbull e DJ Znobia.






O evento também está acontecendo aqui em Brasília,mas ainda não tive a chance de conferir.
Mesmo com as criticas,vale a pena dar uma olhada.
Evento para poucos….e os muitos?
Cabe ressaltar o valor dos ingressos nenhum pouco “afirmativos” e totalmente voltado para o bolso das elites. Ou será que teve “cotas” para oriundos das classes populares e para os multietnicos( 97% da população brasileira)?
Destaque para as ótimas fotos.
O evento foi bom, mas, infelizmente, não foi acessível para a maioria, que não tinha condições de comprar os ingressos ao preço que estavam sendo vendidos. Os organizadores devem pensar em formas de tornar o evento mais barato para o público.
A realização do “Back2Black” foi uma boa idéia, mas, infelizmente, não foi acessível para uma maioria que não tinha condições de pagar o ingresso ao preço que estava sendo vendido. Da próxima vez os organizadores deverão pensar em formas de tornar possível a participação desse público que ficou de fora do evento no último final de semana.
Back to White!
Encontrei alguns amigos negros, mas ficou faltando a grande maioria!
Deveria ser no mínimo oferecido um proporcional desconto para a classe menos favorecida, que visivelmente não teve acesso a este evento!
Negros
Solano Trindade
“Negros que escravizam
E vendem negros na África
Não são meus irmãos
Negros senhores na América
A Serviço do capital
Não são meus irmãos
Negros opressores
Em qualquer parte do mundo
Não são meus irmãos
Só os negros oprimidos
Escravizados
Em luta por liberdade
São meus irmãos
Para esses tenho um poema
Grande como o Nilo”