A FAVELA NO SHOPPING

08/06/2008

Por André Fernandes*

"Tem direito sim, claro que tem direito!" Afirmou o oficial da polícia militar do Estado do Rio de Janeiro em uma cena do documentário HIATO:, de Vladimir Seixas, que retrata o passeio feito no Shopping Rio Sul no ano dois mil. Essa cena se passa dentro de um ônibus, quando manifestantes sem-teto estavam se dirigindo para o shopping e foram parados pela polícia, que queria saber o que acontecia.

 A constituição brasileira é clara sobre o direito de ir e vir e sobre tantos outros direitos individuais e coletivos. É estarrecedor agora tomar conhecimento que um grupo de jovens de periferia teriam sido “barrados” e impedidos de passear no shopping Palladium, recém-inaugurado na cidade de Curitiba*. Esse shopping fez exatamente o contrário do que a administração do Rio Sul, impedindo a circulação de cidadãos. E ainda pior, fizeram as forças de segurança do Estado do Paraná ao permitirem que a administração do shopping tivesse tal atitude.

Talvez seja essa a clara importância da mídia para o ato do Rio Sul e que infelizmente não aconteceu na capital do Paraná. Curitiba e todo o país precisam assistir o documentário de Vladimir Seixas e refletir sobre o processo de segregação que cria profundos abismos sociais. Os depoimentos recolhidos pelo cineasta revelam uma realidade com a qual nos identificamos diariamente.

Talvez seja essa a hora de toda a periferia “passear no shopping”, apoiados pela imprensa interessada em fazer a cobertura de tais fatos. Colocamos à disposição a nossa Agência de Notícias das Favelas, empenhada em divulgar para a mídia qualquer tipo de violação dos direitos individuais a qualquer cidadão brasileiro. Inclusive o direito de passear no shopping quer sejam ricos ou pobres! Afinal, como disse o agente da lei: “Tem direito sim, claro que tem direito”!

*Diretor da ANF.

*UOL: Shopping de Curitiba barra jovens da periferia - Marcus Vinicius Gomes, em 05/06/2008

21 comentários em “A FAVELA NO SHOPPING”

  1. Silvana:

    Este shopping é perto da minha casa, e foi totalmente voltado para a classe média alta, fiquei sabendo que estes garotos foram barrados por causa das roupas que estavam usando.Discordo totalmente, todos tem o direito de ir e vir,mas o povo deste shopping não pensa assim!!!Inclusive este shopping foi inaugurado sem autorização do corpo de Bombeiros por estar com algumas irregularidades.Estive lá logo que inaugurou e o estacionamento era uma mistura de material de construção com goteiras e risco aparente!!!

  2. Bruna Dias:

    Direitos Iguais, individuais, coletivos?
    Para muitos isso é pura teoria, os trajes que vestimos revela como seremos tratados…Não conheço esse shopping em Curitiba, mas como corriqueiramente visito a cidade, o fato dos garotos barrados no mesmo, já me faz nem sentir vontade de conhecer…

  3. Daiane:

    O preconceito existe em todos os lugares do mundo, existem países, inclusive o nosso, que negros são maltratados alguns já perseguiram arabes acusando-os de terrorismo, mulheres também já foram, e são, descriminadas no trabalho ganhando salários menores. Toda a forma de preconceito deve ser combatida pois afinal somos todos iguais.

  4. Liliane Bida:

    O direito à cidade,não pode ser pensado exclusivamente a partir da favela. Mas as populações que aí habitam guardam uma contribuição inestimável para a construção prática desse direito. Isso porque, das experiências vividas, emergem aprendizados e frutificam esperanças e soluções.

    A gente não quer só comida,
    A gente quer comida, diversão e arte.
    A gente não quer só comida, A gente quer saída para qualquer parte.
    (Titãs – Autores: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sergio Britto)

  5. Claudia Bomfim Liberato:

    É infelizmente moramos em um país preconceituoso que precisa muito de Deus e amor ao próximo. É claro que o medo de violência existe mas até que alguém faça algo, ninguém pode ser acusado de nada, e muitas vezes bandidos e ladrões estão bem vestidos e arrumados. Como diria a música do Gabriel o pensador: ” Me pergunte se você discriminaria, um sujeito com a cara o PC Farias, não você não faria isso não…”.
    Espero que não tenham mais notícias como esta.

  6. Danielle:

    É, infelimente é nesse mundo que a gente vive. Um mundo onde o status, aparência, vale muito mais que caráter.
    Não são suas roupas ou onde você mora que o torna melhor ou pior que alguém.
    Como todo mundo acima disse, o direito de ir e vir é igual para todos !
    São atitudes como esta que não mudam nosso país, nossa sociedade.
    Depois muitos ainda vêm reclamar de violência…

  7. Fernanda Lopes:

    Diga-me o que tu vestes e eu te direi quem tu és!
    É triste perceber que os direitos do cidadãos ao invés de serem “bem” aplicados está a cada dia virando uma “utopia”. E mais triste ainda é perceber que nós, estamos de braços cruzados vendo isso acontecer.
    Talvez não… É a hora de toda a periferia “passear no shopping”.
    Se não reargirmos hoje, daqui uns dias NEM PARA TODOS SERÁ A CIDADE!!!

  8. Isabela:

    Tem direito sim, claro que tem. De ser gente.
    Ir ao shopping, a rua, ao teatro, a informação.
    Não foi o direito que se perdeu… mas o respeito que foi passear.

  9. Ale Gabeira:

    vejam o filme. eu recomendo.

  10. Diogo Bortolotto:

    Lamentável fazer parte de um sistema que só nos suga cada vez mais.
    MAIS lamentável será no dia que nós desistirmos de lutar.
    PARABÉNS ANDRE
    Lutar por nossos direitos uma vez que já cumprimos com muito esforço nossas obrigações.
    Nosso direito de ir e vir mais conhecido como LiBERDADE.
    abraço amigo

  11. Vera Malaguti Batista:

    Caros Amigos,

    Como sempre dizemos, as barreiras geográficas para a circulação da juventude popular são permanências históricas da escravidão. Como nos ensina Joel Rufino dos Santos, o Brasil é um país de 500 anos, com apenas 100 anos sem escravidão. Essas marcas estão aí, no jurídico, no cultural e no político: a opressão se dá por mil maneiras sutis, e vai daí até o extermínio de tantos jovens que ousam atravessar os limites impostos. Essa é nossa luta; romper as fronteiras, conquistar, democratizar o espaço urbano.

  12. Angélica:

    É sem dúvidas um absurdo!!É tudo uma grande farsa,sem vergonha!Isso de que os direitos são iguais p/todos,essa descriminação violenta que fere nossa moral.
    Desde qnd vc precisa se vestir de determinada maneira,ou ser de determinada classe social p/entrar em um shopping?*
    É tudo uma grande burrice!!!
    A falta de capacidade d enchergar o ser humano através do que ele veste,através de seu status..
    faz com que tudo se transforme em uma alienação sem fim!

  13. lconsalter:

    Eu terei que discordar um pouco da maioria das respostas, não que eu seja contra esta ação, mas como eu já comentei com o André, hoje em dia e desde sempre, as coisas não são como na teoria, é claro que os direitos humanos de todos os cidadãos estão na constituição, é claro que isto que ocorreu foi uma injustiça, um ato de preconceito…mas eu não li em lugar algum que antes de levarem as crianças ao shopping alguém responsável tenha se disponibilizado a contactar com a administração do local, é a mesma conduta realizada quando colégios organizam excurções para parques e zoos, é tudo uma questão de estratégia, não adianta dar murros em ponta de faca e depois sair dizendo que o mundo é preconceituoso, que os “ricos” não se misturam e blá blá blá…
    Às vezes, muitas vezes, essas “revoluções” que a esquerda faz, é como se fosse um ato de rebeldia mesmo, claro que temos que lutar a favor de nossos direitos, correr atrás, mas não dessa maneira, expondo as crianças e humilhando-as, isso é bater de frente, é claro que os mais fortes passarão por cima como uma tsunami, parece até que querem que surja algum atrito, só pra criticarem o sistema e veja bem eu não sou a favor do sistema, das classes mais privilegiadas, muito pelo contrário trabalho num programa social que atende à famílias carentes, mas não acho que a melhor conduta seja por aí…

  14. Nane:

    em relação ao shopping palladium

    não é preconceito e sim uma maneira de manter a ordem e segurança.
    Moro perto do shopping, sou pobre, mas me sinto insegura em ir ao shopping sozinha devido aos grupos que ficam bebendo, mexendo (falando palavras de baixo calão para as meninas) e brigando entre eles uma espécie de gangues rivais, estes grupos na maioria das vezes realizam pixações no bairro (achando que é uma maneira de protesto) e cometem atos de vandalismo, sei que não são todos mas a maioria deles praticam tais delitos, na frente e dentro do shopping fazem algazarras e até mesmo se comportam como verdadeiros baderneiros, eu presenciei várias atitudes que não condizem com pessoas civilizadas. Se querem direitos, primeiro cumprem-se os deveres.

  15. Juliana Alves:

    São atitudes como estas,que firma o preconceito em nosso País(infelizmente)em relação as classes sociais totalmente desfavorecidas,privando o direito dessas pessoas de frequentar certos ambientes,que a própria sociedade cria como se fosse”seu mundinho particular”.É vergonhoso que existam leis que ainda defendam esse tipo de atitude.São por essas e outras que temos o dever de cobrar os nossos direitos,e defender que os mesmos sejam de todos.

  16. Débora:

    Porque? Enfim… No fundo todos sabem, mas se escondem porque? Lhes falta a coragem de ir em frente e lutar, ter uma voz mais ativa, ter coragem? Sim, não tem o que comentar sobre tal fato, é direito oras de ir e vir, entrar e sair claro, somos humanos, e onde fica o humanismo, onde somos todos irmãos o que isso uma ilusão? Brasil, sem lei e sem documento, sem documento para os “pobres” para os ricos se tem o documento, se tem o que se pode ter, é só ter o tal capitar… Infelizmente ainda o que é muito visado é o ter e o não ser! Parabéns, continue nessa luta, acredite muitos estarão ao seu lado de mãos dados em busca de um mundo melhor.

  17. Juliano Cesar Silva:

    A atitude da direção do shopping Palladium foi muito correta, pois eu duvído que quando vocês estam em um ônibus e então entram os “manos” (como são chamados os jovens vestidos com trajes de hip-hop),vocês não ficam com medo?Eu tenho certeza que sim pois a maioria desses jovens vão aos lugares para fazer baderna e tomar tubão(mistura de pinga com refrigerante ),e sem falar no palavreado que eles utilizam ,que é composto mais de palavrões do que de palavras usuais.Isso não se torna um preconceito, pois além de ser um direito dos donos do shopping deixarem entrar quem eles quizerem,o shopping é um lugar no qual muitas famílias vão passear no fim de semana e que família irá a um lugar no qual frequentam jovens que só querem saber de “zoar”.

  18. EDUARDO:

    Pelo amor de Deus, quanto idealismo, quanta utopia. A realidade que muitos não querem ver é que os “manos” são em sua grande maioria vândalos que, alcoolizados, cometem furtos e atos de depredação. O shopping Palladium demorou para tomar esta atitude. Esse abismo cultural citado anteriormente é gerado tb pela forma que a classe mais desfavorecida é tratada pelo Estado porém, o fator principal é a opção de cada um. Não nasci rico, não sou rico, trabalho 12 horas diárias e pago minha faculdade, optei por isso, como podia ter optado por ficar bebendo, pichando e culpando o sistema, optei por fazer a diferença. Depois chamam pessoas com o raciocínio parecido de preconceituosos… Tenha paciência…

  19. Aicitel:

    Lendo todos os comentários não pude deixar de notar um certo preconceito que muitas vezes ( normalmente em TODAS as vezes) é feito contra a parcela da população que não é pobre.Isso mesmo,contra as pessoas de bem ,que por serem mais favorecidas economicamente são enquadradas em esteriótipos.
    Nem todas as pessoas são donas de shoppings, e nem todos que não são de classes sociais menos favorecidas são preconceituosos e ou concordem com tal situação.
    Na questão do shopping tenho que concordar que ser barrado na entrada por estar com trajes inapropriados é uma atitude preconceituosa, e gera revolta, mas por favor não esqueçam que por se tratar de uma norma do shopping( que não é público!não é uma praça, ou a praia… tem dono e horário de funcionamento)qualquer pessoa poderia ter sido barrada, rico ou pobre, por estar vestido de maneira não condizente com as tais normas ( normalmente trata-se de chinelos, ou a necessidade do uso de camisetas ou traje de banho) ninguem exige terno e gravata, ou uma marca cara escrita na etiqueta…
    e eu duvido muito que se um grupo de garotos que não fossem economicamente desfarorecidos, mas que também estivessem vestidos de maneira a confrontar essas tais normas do shoopPing e portanto barrados na entrada( o que aconteceria seria um preconceito da mesma maneira)teria gerado tanta polêmica.
    Bem, de qualquer maneira não quero defender essas normas, pq também considero elas ridiculas e preconceituosas sim com TODOS.
    Assim como nem todo pobre é “mano”, nem todo rico é preconceituoso, e portanto também não devem ser tratados com preconceito pois como o nome já diz pré-conceito é um conceito pré formulado…um conceito burro!
    “sem lei e sem documento, sem documento para os “pobres” para os ricos se tem o documento” …. isso também é preconceito, quem pode provar que isso é fato em todos os casos??tem rico que não compra documento, que espera também, que demora…
    “privando o direito dessas pessoas de frequentar certos ambientes,que a própria sociedade cria como se fosse”seu mundinho particular”…essa sociedade criadora em questão com certeza é a dos economicamente favorecidos? NA MINHA OPINIÃO GENERALIZAR É PRECONCEITO!
    NUMA BOA,PENSEM SOBRE ISSO!respostas óbvias e revoltas óbvias também são burras.
    VAMOS LUTAR PELOS DIREITOS DE TODOS!SEM OFENDER NEM GENERALIZAR!

  20. Aicitel:

    Lendo todos os comentários não pude deixar de notar um certo preconceito que muitas vezes ( normalmente em TODAS as vezes) é feito contra a parcela da população que não é pobre.Isso mesmo,contra as pessoas de bem ,que por serem mais favorecidas economicamente são enquadradas em esteriótipos.
    Nem todas as pessoas são donas de shoppings, e nem todos que não são de classes sociais menos favorecidas são preconceituosos e ou concordem com tal situação.
    Na questão do shopping tenho que concordar que ser barrado na entrada por estar com trajes inapropriados é uma atitude preconceituosa, e gera revolta, mas por favor não esqueçam que por se tratar de uma norma do shopping( que não é público!não é uma praça, ou a praia… tem dono e horário de funcionamento)qualquer pessoa poderia ter sido barrada, rico ou pobre, por estar vestido de maneira não condizente com as tais normas ( normalmente trata-se de chinelos, ou a necessidade do uso de camisetas) ninguem exige terno e gravata, ou uma marca cara escrita na etiqueta…
    e eu duvido muito que se um grupo de garotos que não fossem economicamente desfarorecidos, mas que também estivessem vestidos de maneira a confrontar essas tais normas do shoopPing e portanto barrados na entrada( o que aconteceria seria um preconceito da mesma maneira)teria gerado tanta polêmica.
    Bem, de qualquer maneira não quero defender essas normas, pq também considero elas ridiculas e preconceituosas sim com TODOS.
    Assim como nem todo pobre é “mano”, nem todo rico é preconceituoso, e portanto também não devem ser tratados com preconceito pois como o nome já diz pré-conceito é um conceito pré formulado…um conceito burro!
    “sem lei e sem documento, sem documento para os “pobres” para os ricos se tem o documento” …. isso também é preconceito, quem pode provar que isso é fato em todos os casos??tem rico que não compra documento, que espera também, que demora…
    “privando o direito dessas pessoas de frequentar certos ambientes,que a própria sociedade cria como se fosse”seu mundinho particular”…essa sociedade criadora em questão com certeza é a dos economicamente favorecidos? NA MINHA OPINIÃO GENERALIZAR É PRECONCEITO!
    NUMA BOA,PENSEM SOBRE ISSO!respostas óbvias e revoltas óbvias também são burras.
    VAMOS LUTAR PELOS DIREITOS DE TODOS!SEM OFENDER NEM GENERALIZAR!

  21. Rodrigo - Curitiba:

    É fácil criticar sem analisar os dois lados. Como estamos em um fórum de notícias da favela, que encontrei por acaso na internet, eu já previa que as opiniões tenderiam para o lado dos CALÇUDOS.

    Infelizmente, aqui em Curitiba estes grupos de Hip Hop estão se proliferando de forma rápida e ameaçam a ordem da cidade.

    Os mesmos elementos de índoles duvidosas, travaram pequenas guerras entre eles mesmos na Av. Sete de Setembro há pouco tempo. Nestas ocasiões, aproveitavam para assaltar cidadãos que passavam pelo local.

    Agora me digam: Como vamos saber quem são os bons e os maus??? Todos eles parecem iguais, se vestem iguais, tem características físicas muito semelhantes também.

    Eles também andam de forma engraçada, sempre em gangues. Quando estão sozinhos eles ficam bem quietos mas ainda fazem aquela cara de dor de barriga. São bem covardes também… como são geralmente uns ratos vara-pau, tem medo da própria sombra quando não estão com os colegas…

    Tá dito!

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