10 vezes, em 10 meses, que Crivella fez mal ao Rio

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Créditos: Reprodução Internet

Dez meses se passaram e o prefeito do Rio de Janeiro Marcello Crivella ainda não disse a que veio. Vemos uma campanha de sucateamento das principais secretarias do município. Crivella tem se mostrado um verdadeiro desastre para a cidade do Rio de Janeiro. Um ano depois de sua eleição nas urnas, ele ainda parece estar em campanha eleitoral a frente de um governo feito à base de decretos estapafúrdios e total falta de diálogo com a sociedade civil e imprensa.

O prefeito tem dado declarações preconceituosas e sem noção, fazendo um discurso que, em vez de atender a população do Rio de Janeiro, claramente pretende agradar aos seguidores de sua religião – religião esta que, muitas vezes, se utiliza de preceitos racistas e homofóbicos. Semana passada, escrevi sobre alguns dos desmandos de Marcelo Crivella. Agora, listo os dez maiores desmandos do Bispo em seus dez meses de mandato.

1 – Logo que tomou posse, nomeou o próprio filho, Marcelo Hodge Crivella, como secretário da Casa Civil. Pouco tempo depois, o STF impetrou liminar, impedindo a posse, por considerar nepotismo.

2 – Pela primeira vez na história da cidade, um prefeito ignorou a tradição do carnaval carioca e não entregou a chave da cidade ao Rei Momo. Para atender a seu eleitorado religioso e conservador, deixou a cerimônia para a secretária de cultura Nilcemar Nogueira. Ela, por sua vez, inventou a desculpa de que Crivella estava doente, mesmo depois de o próprio prefeito dizer que não era obrigado a gostar de carnaval. O Bispo ainda fez pior: gravou um vídeo, onde visitava um local “a trabalho” e proferiu a seguinte frase: “A gente não gosta de Carnaval, mas gosta de trabalhar”.

3 – Cortou mais de R$ 500 milhões da Saúde, (mesmo tendo dito em campanha que aumentaria o orçamento), tem fechado postos de saúde, e está precarizando o serviço médico de unidades da Clínica da Família e de hospitais de referência como o Souza Aguiar.

4 – Também cortou mais de R$ 100 milhões do orçamento da educação, reduzindo a qualidade de ensino em diversas escolas municipais. Em algumas escolas, a redução da merenda foi drástica. Quanto a condições e materiais de trabalho, diretores, coordenadores e professores estão bancando, com recursos próprios, itens como, lápis, canetas e resmas de papel, além do conserto de impressoras e projetores.

4 – Depois de convocar a classe artística do Rio de Janeiro, a quem disse que iria tentar resolver o problema do Programa de Fomento às Artes, deu um calote e a Secretaria Municipal de Cultura já anunciou um novo edital com valores totalmente fora da realidade, sem pagar o anterior.

5 – Usou politicamente a tragédia  da estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, de 13 anos, que foi baleada dentro de uma escola pública em Acari ao afirmar que resolveria o problema de balas perdidas com a construção de muros a prova de bala. O prefeito afirmou que o material para a construção dos tais muros já havia sido encomendado, informação desmentida pela própria Secretaria Municipal de Educação.

6- Pela primeira vez em anos, o Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro não pagou a metade do 13º salário dos servidores municipais em julho, prejudicando o planejamento de milhares de trabalhadores.

7 – Seu comandante da Guarda Municipal, Coronel Paulo Amêndola, já declarou que quer armar a GM com armas de fogo – projeto defendido fervorosamente pelo governo municipal.

8 – Cortou o patrocínio da Parada LGBT do Rio, mesmo dizendo em campanha que não iria fazer isso. O evento é, em escala, o terceiro que mais atrai turistas para a cidade do Rio de Janeiro, perdendo apenas para o Carnaval e o Ano Novo.

9 – E, por falar em carnaval, Crivella ainda não garantiu a estrutura para o desfile das escolas de acesso na Intendente Magalhães, além de tirar R$ 12 milhões das Escolas de Samba do Grupo Especial e o apoio para os gastos nos ensaios técnicos para os desfiles da Marquês de Sapucaí.

10 – Tem se posicionado contra artistas plásticos e a cultura de forma totalmente irresponsável. Desautorizou o diretor do MAR – Museu de Arte do Rio – a negociar a vinda da Exposição Queermuseu, que foi cancelada em Porto Alegre por pressão de militantes de direita. De forma arrogante e preconceituosa, disse que o “povo do Rio de Janeiro” não queria “zoofilia e pedofilia”, criminalizando artistas plásticos e a própria exposição. Como se não bastasse, a Secretaria Municipal de Cultura cancelou a exposição fotográfica “Curto-circuito”, que estava na programação do Mês da Diversidade, organizado pela Coordenadoria de Diversidade Sexual no Castelinho do Flamengo. Depois de muita luta por parte dos artistas, a programação do local pôde ser retomada na semana seguinte.

E pensar que ainda temos três anos desse governo pela frente…

Que Deus tenha piedade de nós.